Mal terminava as festas natalinas e o réveillon e ele já entrava em ritmo de confetes e serpentinas. O famoso pré-Carnaval. Era presença certa nos bailinhos ou festinhas organizados em praças, ruas ou shoppings da cidade. Sabia o nome das bandas e dos blocos carnavalescos, se animava como tantos outros foliões, antecipando a festa momina. Um pré-aquecimento com muito samba, suor e… muitos,muitos vídeos.
Celular carregado, não perdia nenhum momento na sequência do desfile de cada bloco que passava na avenida. Filmava tudo até um bom tempo depois que ele passava. Preocupado, enquanto aguardava ansioso pelo próximo, ficava de olho assistindo a filmagem… E assim fazia um após a outro. Se “distraia” no pré-carnaval filmando, assistindo e esperando mais um bloco… era puro estresse, o que faria se a bateria acabasse? Não curtia em nada o momento presente. Nada mesmo!
Enquanto o garoto do pré-carnaval filmava o passado e vivia o presente ansiando e olhando para o futuro, o próximo bloco, tantas coisas ao seu redor no presente passaram por ele, desapercebidas. Momentos e emoções foram perdidos, coisas que nem uma lente registraria.
Essa analogia, uma imagem fictícia, mostra que também nós, tantas vezes em nossas vidas distraídos em mirar os “blocos” do passado e agitados com os que ainda virão, não santificamos o momento presente. Se sentir atormentado com inquietações do passado ou do futuro, nada mais é que uma prova a que está sendo submetida nossa fé. “A cada dia basta o teu cuidado” (Mt 6,34)
Tal caso me fez lembrar também, que o amanhã é incerto, o passado já não te pertence, só é teu o dia de hoje. Deus não quer que olhemos para trás, pois quase sempre cedemos as tentações. “Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus” (Lc 9,62). Se voltamos para o passado ou para o futuro e não vivemos a graça do tempo presente em Deus, desperdiçamos exatamente neste momento, os dons que Ele desejaria nos conceder.
Esse desperdiçar denotam em nós, uma certa imaturidade ao nível da fé ou sua ausência, quando deixamos nos dominar pela inquietação e agitação e passamos a contar conosco mesmo, deixando Jesus a parte, e aí, certamente ficaremos à toa na vida, esperando a próxima banda passar.
Só é nosso o dia de hoje!
