Ninguém imaginava que em 2020 teria que adicionar um novo item ao figurino de cada dia. No caso, muito mais do que moda, a máscara passou a ser um instrumento de proteção contra o coronavírus. Inclusive, quem sai de casa sem ela pode não entrar em alguns estabelecimentos. Eu, pelo menos, já esqueci nossa amiga várias vezes e tive que voltar do meio do caminho para buscá-la.
Bom, neste texto, quero falar sobre duas experiências que fui tendo ao longo desse tempo utilizando nossa companheira. A primeira é que com a máscara ficamos sem sorrisos visíveis. Por um lado, é triste. Gosto de ver e ouvir aquela gargalhada que muitas vezes também me leva a cair na risada. Contudo, os risos podem seguir guardados nesse período até que seja seguro vê-los passeando por aí de novo.
A segunda experiência diz respeito à forma como estamos dialogando nesse tempo. Por conta da máscara, não vejo o movimento da boca do meu interlocutor pronunciando as palavras, mas vejo o seu olhar externalizando aquilo que deseja falar. Isso é marcante porque me leva a verdadeiramente perceber o outro.
Leonardo da Vinci disse que os olhos são a janela da alma. No Evangelho, Jesus afirmou que os olhos são como uma luz para o corpo (Lucas 11, 34). Talvez, esse tempo de pandemia seja também uma oportunidade que o Senhor está nos dando para perceber que sobre a máscara tem um olhar que revela alguém e que revela quem eu sou.
Quanto mais unidos a Cristo nós estivermos, mais testemunharemos Aquele que habita em nós pelo nosso olhar. E também, unidos ao Senhor, perceberemos no olhar do outro a dor ou mesmo a alegria de cada dia.
É tempo de olhar e de se deixar olhar. É tempo de amar por meio da Verdade que podemos proclamar com nosso olhar.
