Contemplar o menino Deus na manjedoura tão pobre, em condições tão precárias me fez refletir sobre o quão discrepante é esta imagem, o quão é indigna de um Deus que fez tudo. Fiquei a imaginar que talvez, quando os Reis Magos chegaram, que a estrela brilhou acima do presépio, que os anjos entoaram o glória, talvez o cena tenha ficado menos discrepante, mas ainda assim indigna de um Deus-rei.
O que um rei tem? – me perguntei – logo me veio a resposta: riquezas. Por isso os Reis Magos lhe deram ouro, incenso e mirra. Quais os ouros, incensos e mirras eu tenho para dar ao Deus tão pobre a minha frente? “Ora, se Deus não tem nada, quem dirá eu! Eu sou tão pobre quanto você, fraco, indigno, miserável. Não tenho nada para te dar”. Tão logo quanto eu pensei nesta resposta pronta, me veio minha imagem coberto de riquezas, como um rei soberbo, cheio de luxo.
“O quanto eu não te enriqueci?”, uma voz me perguntou. Logo, facilmente foi entoado um louvor de meus lábios. Quantas graças, milagres, providência se manifestou em minha vida ao longo de 2019? O Deus pobre me enriqueceu. Qual a maior riqueza do que ser amado por Deus? Eis o meu ouro: a gratidão de ser alvo deste amor durante o ano e que eu hoje o devolvo
“O quanto você se enriqueceu?“, a mesma voz me questionou. Logo me veio ao coração todas as coisas que eu retive, todos os bens que não partilhei, toda limitação que eu escondi com uma bela capa chamada “justiça”, um cetro chamado “licitude”, uma coroa chamada “orgulho”. Contrito, meu coração doía, mas dor maior foi perceber que era isso que o menino Deus pedia para ser posto aos pés da sua manjedoura. Eis o incenso que muitas vezes saia de mim, das riquezas que eu abracei durante o ano mas que não foram feitas para mim e que, com alegria, o menino Deus pedia para ser ofertado.
“E agora, o que te resta?”, mais este questionamento me foi colocado. Observando minha vida sem as graças que me foram concedidas e sem as riquezas que tão pobremente eu tomei para mim nada me sobrava e não ser eu, vazio, pobre, sem nada… como aquela manjedoura. Eis a minha mirra: minha vida. Meu melhor perfume, menino Deus, foi a primeira coisa que tu me destes, e é isso que hoje te devolvo, para que derrames onde quiseres.
Por fim, compreendi mais uma vez, que contemplar o menino Deus-rei-pobre é voltar ao meu nada e, por amor, tirar tudo de mim, para que O tudo caiba em mim.
Jonas Fernandes – Missão de Natal
