Sonhamos com o voo, mas tememos a altura…Temos medo do salto, mas nascemos para voar!… Para voar é preciso de ter a coragem para defrontar o terror do vazio e não ter o chão! Porque é só no vazio que o voo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência das certezas. Mas é isso que tememos: o não ter certezas. Por isso, trocamos o voo por gaiolas.
– Oh gaiola, lugar onde as certezas e as seguranças moram; entretanto, és prisão, em ti entramos, fechamos a porta, entregamos as chaves e nos esquecemos delas… Preferimos a nós mesmos, pois é mais fácil ter como centro o ego do que o outro (Deus e os irmãos), exige menos, dar mais prazer. No voo, há apenas o Vento que indica a direção da Voz… a nos olhar e dizer «renuncia a ti», «vem e segue-me», «vá amar o teu próximo como Eu amo-te».
Neste abaixar-se mais (perder penas, aceitar ofensas, ouvir queixumes, amar os não-amados e os não-amáveis, perdoar…) ganhamos a força para o salto, que é a santidade de, em Cristo, voar e só assim somos felizes para sempre! Sem penas, para nós, os mais fracos, resta-nos lançarmos nos braços dEle e voar! Na Cruz, Jesus estava nu, pobre, obediente, casto, mas aí alçou o mais livre, o mais belo e o mais primoroso voo para os braços do Pai; havia se dado todo e dado tudo… entregue até sua Mãe, a mais Bela das pessoas, nela viu cumprida toda a Palavra; enfim, dito e vivido o «tudo está consumado!»
Por Ele e com Ele, amamos a quem está do lado e voamos juntos para o céu!
– Decerto, a cada novo dia entras no meio dos nossos medos, dizes «Shalom, paz a vós, a paz esteja convosco», mostras-nos as mãos e o lado abertos, feridas de amor, alegras-nos e envias a nós, Tomés, com o Poder do Alto, para outros Tomés deste tempo. Louvado seja, nosso Senhor e nosso Deus, criaste uma Obra Nova e deste-nos o Amor Esponsal. Somos assim: combatentes que desejam a poda, e não têm armas para lutar, além das tuas; pobres vasos de argila, almas esposas para Ti, todos para a Igreja, para os jovens, para os homens…
