Sem Categoria

Sou feliz e sinto-me tranquilo, pois sei quem me chamou

comshalom
Wallace Freitas

Os diáconos Ângelo Alves, Edinardo de Oliveira e Marcelo Sales, missionários da comunidade de vida Shalom serão ordenados padres hoje, dia 22 de dezembro, na Catedral Metropolitana de Fortaleza.

O comshalom preparou uma sequência de testemunhos sobre cada um dos futuros sacerdotes da Comunidade Shalom, que com muita alegria compartilham o chamado da vocação e o “Sim” a Deus.

Testemunho de Marcelo Sales

Nasci na cidade do Rio de Janeiro e venho de família católica. Sou o filho mais novo dos cinco filhos. Os dois mais velhos não chegaram nem a nascer, pois minha mãe os perdeu durante a gravidez. Ao se casarem, meus pais planejavam ter quatro filhos, mas com o tempo e a perda dos dois primeiros, eles decidiram ter apenas três. Eu sempre fico pensando, que se esses meus irmãos estivessem vivos e se os planos de meus pais fossem cumpridos, eu poderia não ter nascido, mas Deus tem seus caminhos. Considero que meus irmãos falecidos ainda no ventre de minha mãe, na verdade, deram a vida por mim.

Desde cedo fui educado na fé da Igreja, através da catequese das irmãs de Belém – uma Congregação Religiosa – e também por minha mãe e avó, que me ensinaram a rezar as orações da Ave-Maria, Pai-nosso e também o terço. Sempre aos domingos íamos como família a Santa missa. Lembro-me bem desta época. Gostava do estilo barroco da igreja e também gostava do padre – Pe. Sebastião. Foi ele quem me batizou aos 2 meses de idade, no dia do apóstolo São Tiago Maior. Foi com ele que recebi a primeira comunhão e fico muito contente, na verdade, pois sei que ele é o pároco desta mesma igreja ainda hoje.

Sempre gostei de praticar esportes e cheguei a jogar futebol no clube do Fluminense, nas categorias de base, por um ano. Mas na passagem dos 14 para 15 anos, foi um tempo em que tive que dedicar-me mais aos estudos, pois ingressava no Ensino Médio em um novo colégio e tinha que preparar-me para o vestibular. Neste meu novo colégio, os alunos eram motivados a já decidirem o curso que iriam fazer na faculdade. Eu não sabia bem o que iria fazer, apenas pensava em algo ligado a matemática, pois meu pai, tio e avô eram engenheiros e eu amava resolver exercícios de álgebra e geometria.

Durante minha adolescência fui pouco a pouco aderindo alguns contra valores, principalmente por influência dos colegas desta nova escola, cujo padrão inclusive era mais alto. Sei que meus pais não poupavam esforços quando o objetivo era nossa educação, coisa esta, que me faz ser muito grato a eles. Atualmente, olhando para trás, sinto-me protegido por Deus, pois oportunidades negativas não me faltaram, não me envolvi profundamente a ponto de me perder ou comprometer-me, pois as sementes do Evangelho estavam bem lançadas em meu coração. Agradeço a Deus pelo estímulo ao estudo que esta escola nos proporcionava e que por uma graça divina eu soube aproveitar bem.

Tudo isto que vivi nesses anos me permitiu passar no vestibular para Engenharia Elétrica na UFRJ com dezessete anos. E cursei esta faculdade por dois anos.

Na verdade, no final do meu primeiro ano, eu fui chamado por minha mãe a fazer um acampamento de jovens organizado pela Comunidade Católica Shalom. Lá entre tantos lazeres e aventuras, tive minha experiência com aquele Deus que eu havia deixado de lado. Embora não tivesse deixado as missas dominicais, eu me encontrava em uma vida de pecado. Aquela experiência fez emergir dentro do meu coração uma paz profunda e uma felicidade tão grande, que lá mesmo eu pedi a Deus que nunca mais eu o deixasse novamente, por nada.

Com isso, ao longo do meu segundo ano de faculdade, eu caminhei firme num grupo de oração. Esta foi a sabedoria de Deus para que eu não o abandonasse. E neste mesmo ano, fui convidado também a fazer o vocacional da Comunidade Shalom.

Após tantas orações e apelos de Deus em meu coração, não queria dizer não ao que Ele ia me propondo. Foi desta maneira que após um ano de vocacional, fui convencido de que Deus queria que eu deixasse tudo por Ele – pai, mãe, irmãos, casa, bens, futuro no mundo, faculdade, trabalho, até um namoro sério eu deixei por que Deus me havia pedido. E de fato deixei tudo e ingressei na Comunidade de Vida da Comunidade Católica Shalom. Neste período, também me sentia chamado ao sacerdócio, mas ainda era muito cedo. Mas, após um tempo na Comunidade, fui percebendo que Deus queria de mim uma resposta no estado de Vida do sacerdócio.

Enfim, cursei filosofia e teologia. E após os anos de estágio pastoral em missão na Comunidade, este ano – 2017 – serei ordenado diácono em agosto e presbítero em dezembro. Sou muito grato a Deus por todo este caminho vivido até aqui. Sou feliz e sinto-me tranquilo, pois sei quem me chamou. Deus nunca me abandonou, não obstante as dificuldades e limitações que encontrei durante este caminho. Peço a Deus que eu possa ser fiel até o fim e poder servi-Lo de todo o meu coração, durante toda a minha vida.

 


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *