Suely Façanha, cantora e missionária da Comunidade Católica Shalom, comemora vinte anos de carreira lançando novo trabalho bem diferente dos anteriores. Depois de três anos desde seu último álbum, Suely retorna aos estúdios com o intuito de surpreender o público. Uma canção católica pode ser tão moderna, tão arrojada, tão atual e tão dançante? Foi isso que o comshalom.org foi conferir e traz agora em entrevista inédita com a cantora.
Qual a proposta do novo trabalho?
Suely: O nosso desejo com este disco é alcançar sobretudo quem não teve uma experiência com Deus e ser uma forma atual, uma linguagem atual para atingir as pessoas do tempo atual. Por isso que a gente está entrando com arranjos bem modernos, bem utilizados agora neste tempo. A gente tentou revestir as canções que trazem a força do Carisma Shalom, o convite à adoração e a uma experiência com a pessoa de Jesus e a misericórdia de Deus, com vestes de atualidade. Inclusive, o desejo de oferecer uma imagem nova que pudesse apresentar a Suely não como as pessoas conhecem, mas em uma proposta nova, em um conceito novo que vai envolver cores, estilo de fotografia e uma série de aspectos e linguagem para chamar a atenção das pessoas para esse projeto, sobretudo não aquele público que já conhece a Suely Façanha, mas pessoas que podem escutar e dizer “poxa, que bacana essa canção” e ao se identificar, talvez com o arranjo, com o balanço da música, serem visitadas pelo conteúdo que cada canção carrega. Conteúdo de Graça, conteúdo do Carisma.
Como você espera que o público reaja ao novo CD?
Tudo o que é novo causa surpresa, causa impacto. Eu acredito que isso vai acontecer. O público católico talvez veja e diga: “Poxa, essa não é a Suely que eu conheço”. Mas a medida que forem rezando, que forem experimentando dessas canções, vão se identificar com uma linguagem já conhecida, enquanto o público novo pode também se surpreender e dizer: “Mas como uma canção católica pode ser tão moderna, tão arrojada, tão atual, tão dançante?”, e a partir daí ter a sua experiência. Eu acredito que essa linguagem vai tocar muito o público jovem, que já tem o seus ídolos definidos, os seus artistas de carteirinha, mas eu acredito que essa linguagem vai também atingir muito a juventude. E eu boto muita fé nessa novidade que eu acredito que vem do coração de Deus. Não foi nada construído só, foi um conceito curtido juntos com vários irmãos, com a participação de várias pessoas, com essa intenção: alcançar o coração das pessoas do mundo de hoje.
Quem está produzindo o CD? Como tem sido as gravações? As canções são inéditas ou já conhecidas do público?
Bom, quem está produzindo esse disco é Edições Shalom, mas na pessoa do Wilde Fabio, do Pedro Veiga e do André, que inclusive é um músico guitarrista muito competente, que já arranjou alguns CDs nossos e é quem está mais à frente da produção musical junto com o Pedro, e ambos acompanhados pelo Wilde Fábio. Gustavo Osterno do Missionário Shalom, está presente nessa nossa produção, na escolha do repertório, na preparação das guias, na direção de voz. As músicas foram, em sua maioria, dirigidas pelo Gustavo, e eu posso dizer que o resultado que consegui foi alcançado realmente pela participação dele, por sua criatividade que contribuiu para essa novidade. Então foi assim, tudo construído por muitas mãos e isso é uma alegria muito grande porque a gente se vê realmente vivendo em comunidade a cada passo da nossa vida. São canções inéditas, da Amanda Pinheiro, do Gustavo Osterno e outras mais, mas todas de irmãos da Comunidade. Não tem canções minhas, eu não me identifico com composições, mas apenas como intérprete das músicas.
Quando será o lançamento?
A previsão de lançamento é o Festival Halelluya (de 20 a 24 de julho, em Fortaleza). Estamos trabalhando a todo vapor. Trabalhamos com prazos muito apertados, mas isso nos fez mergulhar numa atmosfera de fé e abandono na providência divina, na Graça de Deus que não nos abandona; apesar de estremecermos muitas vezes: “Meu Deus, será que a gente vai conseguir?”. Mas ao mesmo tempo, recobramos a fé e nos lançamos em um mar de abandono à providência. Então, quando a gente se vê em situações desafiantes, esses momentos são muitos ricos porque nos fazem viver a essência da nossa vida, a fé de que a nossa vida, em tudo que nós fazemos e que nos cerca, está nas mãos de Deus. E se esse disco está nas mãos Dele, por esse e outros motivos, está nas mãos mais seguras e será conduzido pelas mãos mais seguras aos corações das pessoas.
São 20 anos de carreira. Olhando para o início de tudo, como você avalia sua trajetória artística e a ação de Deus em tudo isso?
Em 2016, completo 20 anos de carreira, e é uma alegria muito grande. Dentro da Comunidade Shalom, são 20 anos de carreira solo, mas com a música são muito mais, e eu posso dizer que acompanhei praticamente todas as gerações de músicos dentro da Comunidade. Eu me sinto na mesma estrada que eles, muitos passaram, muitos estão presentes agora e depois outros virão e isso só me garante a certeza de que Deus me escolheu para consumir minha vida assim, através da música, dando a Ele, todo louvor, toda glória e o melhor de mim. A música, como é missionária, também me exige sacrifício, oferta de vida, dedicação, provas de amor a Deus constantes como casada, como membro da Comunidade de Vida Shalom. Estou sempre ofertando a Deus minha família, meu esposo, meus filhos, minha casa, a casa comunitária, o dia-a-dia na Comunidade de Vida, porque muitas vezes vivo fora do ritmo comunitário em vista da missão. Mas são nesses momentos que eu carrego toda a graça que vivo na Comunidade e na minha família, são nesses momentos que eu posso transbordar tudo aquilo que bebo na Comunidade e na minha vocação vivida como casada, como família.
Eu avalio minha trajetória como sendo primeiro um chamado de Deus, uma escolha, uma eleição e depois como alguém que foi sustentada e confirmada pela graça divina e pela Comunidade durante todos esses anos. Sempre procuramos nos superar de um disco para o outro, oferecer alguma novidade, crescer musicalmente. E quando vejo todos os discos que gravei, vejo o quanto avancei em cada um, vejo que avancei também nesse novo disco que vai sair e que realmente vai ser, para mim, não um fechamento de um tempo, mas a abertura de um novo. É exatamente por isso que a gente quer uma proposta atual porque queremos nos projetar para o futuro, e dizer que não temos somente 20 anos na estrada, mas desejamos prosseguir nesta estrada, consumindo assim nossa vida por Deus. Acredito que é esse transbordamento do amor é que as pessoas têm necessidade e é o que Deus me chama a viver e a fazer.
O CD é fruto de uma parceria com a Canção Nova, e será distribuído por ela, que tem uma relação histórica com a Comunidade Shalom, de respeito, de ajuda, de admiração, de apoio. Então, para mim, que admiro e que amo a Comunidade Canção Nova, que tenho amigos lá, isso significa ser tremendamente acolhida. Trabalhar hoje com meu disco dentro dessa comunidade é uma grande honra e um impulso na evangelização. A Canção Nova, pela evangelização que tem nos meios de comunicação, é, para toda a Igreja e comunidades, uma grande força, um grande impulso. Nesse disco, de modo particular, estar trabalhando de mãos dadas com ela enriqueceu minha missão.
Mayara Raulino e Raquel Reis

