Evangelização na Copa do Mundo: ouvir falar de Deus em uma festa?
Na terça-feira (24), dia de São João Batista, membros do Shalom foram à Praia de Iracema, em Fortaleza, para evangelizar as pessoas que estavam no local, após o jogo entre Grécia e Costa do Marfim, realizado na capital cearense. Motivados pelo apelo da Igreja, de aproveitar a Copa do Mundo no Brasil para acolher os turistas e anunciar-lhes o Amor de Deus, jovens, adultos e famílias se revezam até o fim do mundial na evangelização na Praia. O Aterro de Iracema sedia o Fifa FanFest e tem recebido cerca de 50 mil pessoas nos dias de jogos na cidade. Confira testemunho de Suziane Vasconcelos, membro da Comunidade de Aliança Shalom, que participou da ação: Éramos um grupo de três pessoas: João, que portava um dicionário de espanhol, Yuri, jovem vocacionado do Shalom da Paz, e eu, Suziane, do Shalom da Parquelândia. Saimos pelo calçadão com o coração cheio da parresia que só o Espírito Santo era capaz de nos dar. O valor da escuta Logo no início, encontramos um jovem que estava praticando corrida no calçadão. Ele passou por nós e gritou “católicos, adoradores de imagens”. Daí eu parei e perguntei (gritei) qual o nome dele. Foi o suficiente para ele começar a discorrer sobre sua vida. Jovem, natural de Teresina, protestante e com experiência de trabalho com menores infratores. Enquanto ele relatava suas experiências junto aos menores em conflito com a lei, escutávamos atentamente e a única frase que dissemos foi: “O que pode salvar essas crianças das garras do mundo é o Amor, ame-as com o Amor de Jesus Cristo”. Falamos da Comunidade Shalom, dos projetos de Promoção Humana, dos dias de grupos de iniciantes e os diferentes endereços de centros de evangelização. No final, o rapaz falou “vocês são diferentes, parece que já aceitaram Jesus”. Abraçamo-nos. Na despedida, ele nos disse que iria a um centro de evangelização, sim. “Ouvir falar de Deus em uma festa? Por essa eu não esperava!” Próximo à arena do FanFest, vimos dois jovens que seguravam latinhas de cerveja, eles tinham traços característicos de estrangeiros: altos, loiros, olhos claros. O Espírito Santo nos conduziu até eles com um “Hello! Welcome to Brazil”. Com o semblante de surpresa e alegria, um deles disse em inglês: “Você é a primeira pessoa que nos dirige uma palavra de boas vindas. Nem mesmo no Hotel” – disse o nome de um hotel super luxuoso de Fortaleza – “ninguém nos cumprimentou dessa forma”. Daí, o Yuri disse: “Eu então sou a segunda pessoa a desejar boas vindas a vocês”. Realmente eles ficaram muito perplexos com a alegria e o acolhimento. Apresentamo-nos. Eles disseram que eram alemães e que moravam em uma cidade no sul da Alemanha. Conversamos bastante sobre a estadia deles no Brasil. Eles estavam percorrendo várias cidades do Nordeste, nas quais a Alemanha jogava, e estavam muito maravilhados com as belezas naturais das cidades como Fortaleza e Salvador. Conversamos sobre o Pelourinho, danças, cultura local, festas de São João. Então, um deles disse: “Minha religião é futebol. Eu não acredito em nenhuma divindade, não acredito em Deus, não gosto de Igreja e já tive experiências muito negativas com essas. Na minha cidade, as igrejas estão se transformando em bares e isso me deixa feliz.” Quando eu perguntei “o que é felicidade para você?”, ele disse: “Felicidade é poder estar nesse lugar maravilhoso com o meu amigo, sentir-se bem, encontrar pessoas diferentes e nada mais”. Eu falei: “Mas tudo isso é passageiro, hoje você está aqui, três dias depois você está em outro lugar. Entretanto, o Amor, que é uma pessoa – Jesus Cristo, não muda, e é para sempre. Mesmo que você não O busque, Ele te acolhe sempre. Essa pessoa mudou a minha vida e quer mudar a sua também!”. Pude, assim, perceber o brilho do olhar dele. Com essa expressão, ele me comunicava (não com palavras, mas com o olhar): “Eu preciso desse Amor”. Ele me disse: “Respeito sua opinião, mas meu coração é muito duro para essas coisas, porém eu prometo a você que irei pensar sobre essas palavras. Acredite, isso é muito para mim! Eu pensei em conversar com as pessoas sobre muitas coisas aqui no Brasil: futebol, praias, mulheres, mas jamais pensei em encontrar alguém para me falar de Deus”. Prontamente, percebi uma abertura do coração dele e disse: “O sentido da sua vida está em Deus, rezarei por você todos os dias”. Ele pôs a mão no coração e disse de forma muito afetiva: “Oh! Muito obrigada”. Percebi que o sentido maior do “muito obrigada” dava-se pelo acolhimento, porém, acredito que Deus agiu na vida daquele rapaz naquela hora através do Carisma Shalom. Quanto a mim… Ao chegar à capela de São Pedro, onde nos reunimos antes e depois da evangelização na Praia de Iracema, diante do Santíssimo Sacramento apresentei aqueles jovens ao Senhor e tive uma experiência com o meu “nada”. Perguntei-me: “Como é que Deus, sendo Deus, precisa de uma criatura como eu?” Percebi, então, que Deus é TUDO e eu, pobre e miserável, mas Shalom, apenas correspondo ao Seu chamado com um SIM. Posso afirmar que a maior beneficiada naquela noite fui eu. Nenhum medo é capaz de conter o Amor que se derrama sobre nós dia a dia. O Carisma Shalom é verdadeiramente uma expressão do Amor de Deus para o mundo. Amém. Suziane Martins de Vasconcelos missionária no Shalom da Parquelândia