Levar o Evangelho ao coração das pessoas

O mês de outubro oferece nova oportunidade para conscientizar-nos da responsabilidade da missão. “O compromisso de anunciar o Evangelho é dever de toda a Igreja, “missionária por natureza” (Ad Gentes, 2), recordou Bento XVI, em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2010, cujo tema foi “Missão e Partilha”. Embora haja homens e mulheres que se declarem ateus e não queiram ouvir falar de Deus ou de religião, não cessemos de dar razão de nossa fé (cf. 1 Pd, 3, 15), nem deixemos de falar e, sobretudo, de apresentar Jesus, fazendo resplandecer o Rosto de Cristo em todos os ambientes que frequentamos, assumindo cada vez mais em primeira pessoa o anúncio da Palavra da salvação. Não nos podemos omitir do mandato do Senhor de “ir e fazer discípulos” entre todas as gentes (cf. Mt 28, 19) e de sermos generosos com os missionários e missionárias. A nós cabe não calar nem desistir de levar as pessoas ao verdadeiro encontro com Jesus Cristo, pois Ele é o único Caminho, a única Verdade, a única Vida. Somente em Cristo encontramos o sentido de nossa vida. Para que isso se torne realidade, é necessário, insiste o papa emérito, uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. O Evangelho deve chegar ao coração de todas as pessoas, onde quer que elas se encontrem. “Não há nada de mais belo do que ser alcançado, surpreendido pelo Evangelho, por Cristo. Não há nada de mais belo do que conhecê-lo e comunicar aos outros a amizade com Ele” (Bento XVI, Homilia, 24.4.2005). Portanto, aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar Nele” (Sacramentum Caritatis, 84). Como, porém, anunciá-Lo sem O conhecer? Como seria maravilhoso se todos nós, batizados e batizadas, nos tornássemos de verdade protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho. “O impulso missionário” continua o Papa em sua Mensagem, “sempre foi sinal de vitalidade para nossas Igrejas, e a sua cooperação é testemunho singular de unidade, fraternidade e solidariedade, que torna críveis os anunciadores do Amor que salva!” Por outro lado, se não conseguirmos fazer voltar à comunidade eclesial todos os batizados e, especialmente, os que deixaram de frequentá-la, não percamos o ânimo, pois a palavra de Jesus também não foi acolhida em Nazaré, Corozaim ou Betsaida (cf. Mc 6, 6; Lc 10, 13). Evangelizar significa, antes de mais nada, promulgar a Boa-Nova com testemunhos de vida e palavras e fazer o anúncio para dar a possibilidade a quem tem boa vontade de poder acolhê-la em suas formas mais autênticas. Assim sendo, a evangelização acontece de várias maneiras, conforme exemplos contidos no Novo Testamento. É possível evangelizar pela proclamação da Palavra de Deus, decisiva para a fé do cristão; por convocação, chamando e convidando todos para as bodas (cf. Mt 22, 9); por atração, como fazia a primeira comunidade de Jerusalém (cf. At 5, 16). De fato, “a Igreja cresce, não por proselitismo, mas “por atração”: como Cristo ‘atrai tudo para si’ com a força do seu amor” (Dap, 159); por irradiação: sendo perfeitos como o Pai do céu é perfeito (cf. Mt 5, 48); por contágio, isto é, como uma vela se acende de outra vela, como um sorriso gera outro sorriso. Esse modo de evangelizar pode ser de pessoa a pessoa, de grupo a grupo, de corpo a corpo, etc.; e, ainda, fermentando toda a massa (cf. Mt 13, 33). Todas estas formas de evangelizar se integram umas às outras. Como Igreja fundada por Jesus Cristo, temos a missão de anunciar o Evangelho, de guardá-lo nos corações e fazê-lo crescer (cf. Carlo M. Martini -Cardeal Arcebispo emérito de Milão, “Levanta-te, vai à Nínive, a grande cidade”, Loyola, SP 1992, págs. 7-9). Portanto, é hora de renovar o rosto de nossas Comunidades, fazendo transparecer a “sarça ardente” de nossa fé e de nossa esperança. O primeiro anúncio é o segredo de uma fé viva, o espaço do Espírito Santo “dado sem medida” (Jo 3, 34), o impulso da vida da Igreja, o motor da transformação social, a fonte do serviço cristão, o pão para o caminho da missão a todas as gentes. Mas, para que nossa atividade missionária produza frutos, é necessário impregná-la de muita oração, abnegação e espírito de solidariedade para com os irmãos e irmãs. Maria Santíssima, Mãe de Jesus e nossa, ajude-nos a viver em estado permanente de missão local e continental. Dom Nelson Westrupp

Pregador do Papa Emérito ministra curso em Fortaleza

Pe, Lethel pregou os Exercícios Espirituais para o Papa Emérito Bento XVI e a Cúria Romana em 2011. Em Fortaleza ministra curso sobre a Teologia de Santa Teresinha do Menino Jesus. A Comunidade Católica Shalom através do Instituto Parresia e em parceria com a Faculdade Católica de Fortaleza (FCF) traz para a capital cearense Pe. François –Marie Léthel , secretário da Pontifícia Academia de Teologia e pregador dos Exercícios Espirituais da Semana Santa para o Papa Bento XVI e Cúria Romana em 2011. O sacerdote ministrará curso sobre a Teologia de Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja, de 18 a 20 de setembro na sede da FCF. Teresinha de Liseux é uma das santas mais cultuadas da atualidade na Igreja Católica, sobretudo pelos jovens. A Comunidade Católica Shalom, por exemplo, dedica a evangelização da juventude ao seu patrocínio. No ano de 1927 foi proclamada pelo papa Pio XI Padroeira das missões, 70 anos depois foi declarada pelo Beato João Paulo II Doutora da Igreja. Bento XVI a incluiu em suas célebres catequeses sobre os Doutores da Igreja. Papa Francisco em sua visita ao Brasil revelou aos jornalistas que era um livro de Santa Teresinha que trazia entre os pertences pessoais na maleta preta de mão. Um dos desejos de Santa Teresinha era ser missionária, viajar o mundo todo para anunciar o Evangelho. Parecia uma grande contradição, pois a religiosa carmelita vivia em clausura. O sonho da santa das pequenas coisas, como também é conhecida, foi realizado. Suas relíquias viajam o mundo todo e causam comoção por onde passam mais de cem depois de sua morte. Em 2008 eles chegaram ao espaço, o astronauta Ron Garan viajou com um fragmento do osso da santa na nave Discovery que percorreu 9 mil quilômetros em 14 dias ao redor da terra. Pe. Lethel é também professor da Pontifícia Faculdade Theresianum em Roma e consultor para a Congregação para a Causa dos Santos nomeado pelo Beato João Paulo II em 2004. O curso fornecerá diploma fornecido pela faculdade. As vagas são limitadas. SERVIÇO: Curso A Teologia de Santa Teresinha Dias: 18 a 20 de setembro de 2013 Horário: 19 – 21h Local: Auditório Aloísio Cardeal Lorscheider (Rua. Tem. Benévolo,201, Centro) Investimento: R$ 35,00 (trinta e cinco reais) Inscrições: Shalom da Paz (Maria Tomásia,72, Aldeota) e no local do curso. Mais informações: 3452. 8813 ( tarde e noite)

Beata Irmã Dulce

No próximo domingo, 5º da Páscoa, a Igreja no Brasil terá a grande alegria de ver subir às honras dos altares, como Beata ou Bem-Aventurada, aquela que já em vida foi cognominada o “anjo bom da Bahia” – a Irmã Dulce –, amiga e companheira dos pobres e desvalidos. Seu itinerário de santidade, no qual a Igreja reconhece as suas virtudes heróicas, é um caminho marcado humana e naturalmente por incompreensões de tantos, mas que, sobrenaturalmente, foi capaz de tocar os corações endurecidos, para que na meiguice de quem pedia não se deixasse faltar o essencial aos mais pobres, ensinando a todos a partilhar, mesmo o pouco que tinham.A data coincide com a Memória de Santa Rita que, como cai no domingo, neste ano não é celebrada, mas nos mostra também outra mulher forte que em outra época e situação viveu a fé e é sinal até hoje da providência de Deus em sua vida. Em nossa mudança cultural, a mídia utilizou o termo “beata” de uma maneira imprópria e, em nosso linguajar comum, acabamos acolhendo esse tipo de interpretação que, inclusive, está em nossos dicionários. Cabe a nós restaurarmos o verdadeiro uso da palavra e valorizá-la. Muitos vocábulos importantes já foram deturpados em nossa língua. Que a Beata Irmã Dulce interceda por nós para que consigamos anunciar o Evangelho e levar as pessoas a fazer da nossa cultura uma cultura de valores humanos e cristãos que ajudem a transformar esta situação de violência, corrupção, medo, destruição e divisão que ora ocorre. A constituição pastoral Lumen gentium do Concílio Ecumênico Vaticano II recorda, em seu quinto capítulo, a vocação universal à santidade, ou seja, ser santo é o caminho que todo aquele que renasce pela água do batismo deve percorrer. O Beato João Paulo II, quando em sua visita ao Brasil, disse que o Brasil precisava de Santos. Eles existem, não é a Igreja que os “fabrica”, mas apenas constata com um processo minucioso a vida e as virtudes daqueles e daquelas que o povo já tem em conta de “santos”. E vai muito mais além, para a beatificação e canonização supõe também um milagre por intercessão e da invocação do nome de quem pedimos a Deus. Milagre esse comprovado por médicos e cientistas, demonstrando que não tem outra explicação que não seja uma intervenção especial. Quando professamos a nossa fé, pronunciamos que acreditamos na Igreja Santa, ou seja, a santidade é uma nota teológica na Igreja, mesmo sabendo que, embora santa, ela possui em seu seio membros pecadores que são continuamente chamados à conversão. Temos uma beata muito perto de nós, uma brasileira como nós, que escolhendo radicalmente a Cristo, percebeu, no quotidiano de sua missão, a singular presença que Ele manifestava naqueles que não tinham nome, nem muitas vezes propriamente um rosto para a sociedade. Acredito que em nossas comunidades existam muitas outras pessoas, homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e idosos, leigos e consagrados, que viveram uma vida heróica e poderiam ser colocados como exemplos de vida para todos nós. O Beato João Paulo II nos recordou que “santo é aquele que faz de modo extraordinário, as coisas ordinárias”; nesse contexto, sem dúvida, pode ser inserida a vida daquela que dentro em breve, por sua santidade, não será simplesmente o anjo bom da Bahia, mas o anjo bom do Brasil. Ir. Dulce fez, de modo extraordinário, aquilo que cada cristão deve fazer ordinariamente, ou seja, no cotidiano, no dia a dia: exercer a caridade, fazer-se oferta pelo outro, ver no outro a presença do Cristo Ressuscitado, sobretudo daqueles que mais sofrem e que estão à margem, dando-lhes a certeza de que possuem sua dignidade e que Deus lhes manifestará com predileção o seu amor, pois vem em socorro dos que são pobres e oprimidos. Tirar o pobre da sua mais profunda miséria dos bens materiais, daquele mais básico, da fome, foi aquilo que fez o “anjo bom do Brasil”, sem que tivesse, entretanto, bens matérias, nunca deixou de acreditar na Providência Divina, que jamais lhe faltou, pois nela confiava, e quando a ela rogava tudo lhe chegava, mesmo o pouco, pois mesmo isso, diante de Deus é muito, nunca acumulando, mas partilhando e fazendo multiplicar para salvar a fome de tantos. A razão principal de sua ação foi justamente o seu encontro com Jesus, o Cristo Senhor Ressuscitado, que deu sentido a toda a sua vida e trabalho. O segredo de uma vida doada aos irmãos tem sempre como centro o Cristo. Aberta à ação do Espírito Santo, a nossa querida Ir. Dulce deixou-se conduzir pelos caminhos da fraternidade e, mesmo em dificuldades econômicas extremas, demonstrou a providência de Deus atuando e agindo. Neste tempo de tantos questionamentos sobre os valores cristãos, a sua vida é uma demonstração daquilo que um cristão, com a graça de Deus, consegue amenizar da pobreza e da dor humana. A Igreja, através de seus santos e santos, dá uma resposta ao mundo de como a vida de santidade e a busca de Deus, seguindo a Cristo e vivendo a Sua Palavra, não só transforma os corações, mas faz da pessoa um sinal de paz e de vida para os seus irmãos e irmãs. E tudo isso é dom, é graça do Senhor. Preocupar-se com os que estão à margem e comprometer-se com a necessidade de mudança, em um país como o nosso, com tantas dádivas de Deus, não poderíamos ter pessoas que passam fome se houvesse uma justiça mais distributiva, que nasce da capacidade de por em comum os bens que a todos pertencem. Se uma pobre como a Irmã Dulce pôde fazer tantas coisas para tantos, como não poderia ser diferente o nosso país se todos tivessem a mesma disponibilidade de pensar no seu irmão com responsabilidade, e assim multiplicar os dons que Deus nos concede. Cuidar do pobre e do faminto, como fazia a Irmã Dulce, não é um convivente para que nesse estado de miséria esses se mantenham, é conduzi-los à sua dignidade de Filhos de

Doar