Você já se perguntou por que segue a sua religião, tal qual ela seja? Foi exatamente esta pergunta que eu me fiz quando as coisas começaram a mudar em minha vida. Em um dado momento, há uns dois anos atrás, eu participei do acampamento da Comunidade Shalom, e me descobri. Descobri a minha fé e desde aí venho me conhecendo inspirada, com toda certeza, pela ação do Santo Espírito de Deus. A minha vida foi transformada, tudo mudou, minhas atitudes, minha forma de ver o mundo, mas principalmente a única e verdadeira forma de ver e reconhecer a face de Cristo, nosso salvador. Depois de um tempo tentando solidificar esta fé em obras e fugindo das tentações que foram e são muitas, claro, eu me deparei com uma tal situação. Eu, meus pais, minha avó, minhas irmãs e alguns outros membros da minha família seguimos o catolicismo desde crianças. Porém, há alguns meses (ou anos), alguns tios e primos, anunciaram a notícia de que “mudariam” de religião. Deixariam de ser católicos e buscariam Jesus em um templo protestante cristão. Sim, eu coloco aspas quando digo que “mudariam” de religião. Porque eu não acredito que alguém que realmente viva a sua religião e conheça a beleza da Igreja Católica e não a julgue erroneamente, a deixe para contemplar qualquer outra religião. Mas enfim, foi algo que abalou a família inteira, porque eles agiram com radicalidade e tudo aquilo parecia muito estranho. É fácil comparar a radicalidade deles com a minha após o acampamento. Mas eu digo que é diferente. Porque quando encontramos o verdadeiro sentido da vida temos que reconhecer ao mesmo tempo que nós vivemos nesse mundo de pecado, de erros, de que falar de Jesus, às vezes, é uma ofensa para aqueles que não crêem. Mas é como diz São João: “Estamos no mundo, mas não somos do mundo” (Jo 17, 14). E temos que saber organizar a nossa vida com a nova vida que Deus nos propõe, e principalmente compreender que há pessoas que não estão vivendo o mesmo momento que nós. E foi exatamente o que eles não souberam fazer, queriam de qualquer forma transformar as nossas vidas, mas com as próprias mãos. Uma tia chegou ao extremo de quebrar imagens de vários santos e de Maria para tentar convencer a dona delas de que aquilo não prestava. Com isso, nós entendíamos cada vez menos toda aquela situação. E daí mais e mais parentes meus “mudaram” de religião, e assim adquiriram novos valores, novos princípios e novos propósitos para suas vidas. Foi aí que nós, ainda firmes na fé católica, começamos a nos aprofundar mais nas obras da Igreja, na oração, na vida cristã. Nossas atitudes nos fizeram muito bem. Entramos no círculo bíblico da nossa comunidade (São Roque). Em um encontro minha mãe disse, enquanto comentávamos sobre este assunto a tal mudança de religião, que no momento em que nossa família começou a ser tomada por esta atitude, nós que somos católicos desde sempre, começamos a entender nossa religião de verdade. E a nos questionar, por que éramos tão atacados pelo protestantismo, que vêm crescendo no Brasil e no mundo? Porque a Verdade é tão questionada? E a pergunta que mais rondou meu coração: “Será que estamos tão errados assim? E será que tanta gente estaria tão errada? Afinal, o catolicismo ainda é a maior religião do mundo. E nós começamos a traçar respostas para estas perguntas. Todo amor que sentimos vivenciando tudo o que Deus fez, faz, e fará por todos nós, é verdadeiro e não podia ser mentira. Então, a consequência desse acontecimento na nossa família serviu para nos firmar na fé. Acreditar que Maria deve ser venerada como todos os santos, porque cada um tem valor inestimável para Jesus, e deve ter para nós também. Entender a importância da Eucaristia, porque é o Corpo e o Sangue de Jesus, é o maior dos milagres. Compreender o valor do perdão principalmente entre sacerdote e o fiel (Deus e sua criatura), no sacramento da reconciliação. E descobrir acima de tudo o quão é grande o Amor de Deus por nós. Ianne Natália Souza, 16 anos