Maternidade: Uma Jornada de Fé e Esperança
Nesse mês dedicado as mães, vamos conhecer o testemunho de Celcina Gomes Cardoso Costa – Consagrada da Comunidade Aliança da Missão de São Luís/MA.
Nesse mês dedicado as mães, vamos conhecer o testemunho de Celcina Gomes Cardoso Costa – Consagrada da Comunidade Aliança da Missão de São Luís/MA.
“É o lugar onde nos encontramos, como família, para viver momentos de partilha, formação e oração”
Fundada em 05 de Abril de 2018, a Missão Shalom de Imperatriz completou 06 anos em um dia repleto de gratidão e de júbilo pelos feitos de Deus na vida dos irmãos que fazem parte da missão, por aqueles que já passaram por aqui e, com a graça de Deus, por aqueles que ainda virão, que ainda serão pescados pela nossa evangelização. A história da Missão Shalom Imperatriz começa bem antes, em 2009, quando o casal Aline e Gledson, recém-casados e oriundos do Shalom de Fátima, em Fortaleza (CE), chegam nessas terras devido a um concurso público em que Aline havia passado. Com o forte desejo de permanecerem unidos ao Carisma Shalom, acolhidos por Dom Gilberto Pastana (bispo da Diocese na época), começaram um grupo de oração. Nessa época, em Imperatriz não havia ainda nenhuma manifestação do Carisma, por isso, o grupo de oração que foi iniciado era conhecido como Amigos do Shalom. “Como Amigos do Shalom, não tinha um compromisso por parte da Comunidade Shalom, era apenas uma relação de amizade por parte das pessoas que queriam viver o Carisma Shalom naquela localidade que não tinha Shalom, mas sem o governo da Comunidade”, explica Ivanildo Pontes, consagrado da Comunidade de Aliança. Em 2012, ano em que a Comunidade Católica Shalom recebeu a Aprovação Definitiva dos Estatutos pelo Vaticano, todas as cidades em que havia o Amigos do Shalom consolidado passaram para a ser Difusão da Obra, órgão acompanhado pelo governo da Comunidade para implantação e propagação do Carisma em lugares onde não há uma Missão Shalom. Imperatriz foi uma dessas cidades. Não era uma linha de chegada, mas uma linha de partida. Em 25 de maio de 2012, uma equipe de Fortaleza veio a Imperatriz, formou o conselho local e começamos a evangelização. “Eram pouquíssimas as pessoas, inclusive, foi em 2012, eu cheguei justamente nesse mesmo período, como Amigos do Shalom, a gente se reunia na paróquia Nossa Senhora Aparecida, mas não dava frutos, não crescia, porque era uma paróquia no centro da cidade, não tinha pessoas moradoras. Eles conversam com o bispo e pedem transferência para a paróquia Perpétuo Socorro”, destaca Ivanildo. Sendo Difusão da Obra, a Comunidade passa a ter governo naquela cidade onde não há uma missão, confirmando a presença do Carisma ali. Em 2012, o pequeno grupo de oração que tinha poucas pessoas começou a crescer e atrair novas pessoas. Foi nessa época que Ivanildo e Joseane começaram a frequentar e participar da Obra. Os dois assumiram a coordenação da Obra em 2014, quando Aline precisou se afastar da coordenação devido à gravidez. A partir de 2012, a Difusão cresceu. Contando com o grupo aberto, eram 10 grupos: grupos jovens, grupos de casais, grupos mistos. No dia 20 de novembro de 2017, a Comunidade anuncia que Imperatriz foi escolhida para ser Missão. A Obra tinha feito todo o processo na Diaconia, no retiro chamado Retiro de Transição da Difusão. Com a transição, a Obra deixa de ser Difusão e passa a ser Missão, com a presença de missionários da Comunidade de Vida. O processo de transição foi feito em 2017 e, no final do mesmo ano, foi obtida a resposta. Foi escolhida a data do dia 5 de abril de 2018 como data fundante da missão. Na época, Ivanildo, coordenador da difusão, e o conselho da Obra fizeram todo o processo junto a Dom Vilsom, atual bispo da Diocese, sobre a fundação da Missão Shalom de Imperatriz. Foi mandada a carta do Moisés para o bispo e este devolve a carta respondendo com seu sim, dizendo que deseja que a Missão Shalom se instale na diocese de Imperatriz. O próprio bispo Dom Vilsom celebrou a missa de fundação da missão de Imperatriz. Em 2019, aconteceu o primeiro vocacional. No aniversário de seis anos da Missão, dia 5 de abril de 2024, aqueles que são frutos desse primeiro vocacional fizeram suas primeiras promessas no Carisma como Comunidade de Aliança. São eles: Aline Santos, Ivanildo Pontes, Joseane Almeida Pontes, Edilane Figueiredo, Sarita Sabbag, Maria Isabel Escórcio e Lucas Rosa. Testemunhos Na homilia da missa de Primeiras Promessas e aniversário da Missão, o Frei Eldir, sacerdote franciscano, que presidiu a celebração eucarística, fazendo elo entre o Evangelho e a dinâmica da oferta de vida dos missionários disse: “Seis anos… Pensam que agora já podem colher algumas flores e frutos? Alguns. Mas ainda é momento de missão. Ainda é momento de lançar as redes. Ainda não é momento de podar os peixes embora sejam grandes. Claro que às vezes quando a safra é pouca, a gente fica apegado aos que já temos. Mas, o Senhor vai te chamar realmente a lançar as redes para pegar peixes grandes. Grandes não no tamanho, mas grandes no coração. Inflamados de amor por Jesus porque tocados pela palavra e, é muito importante, porque foi pela palavra escutada e confiante que se operou o milagre dos peixes. E aqui Jesus retoma de novo: ‘Não é porque agora venci a morte e ofereço para vocês novos céus e nova terra que vocês tem que recolher as redes. Talvez Jesus permitiu aquela experiência de nada pescar, para justamente retornarem e escutarem a Sua Voz, para de novo lançar as redes”. Ariane Christie, consagrada na Comunidade de Vida, é a terceira Responsável Local (RL) da Missão e, atualmente, a RL mais jovem de toda a Comunidade Shalom. “Eu acredito que Deus me enviou pra essa missão, não por outra coisa a não ser o que eu fui chamada a ser, comunidade de vida, mas, principalmente, a respeito de uma profecia do carisma para essa terra. Não por vanglória, nem por mérito, mas por conta que Deus escolhe os jovens e Ele desejava enviar uma jovem pra essa terra, pra dar pra essa terra a experiência da profecia do carisma dos jovens. Então, muitas vezes que eu rezo sobre a minha missão aqui, Deus vai falando que a grande graça que Ele deseja que eu seja para esse povo é ser Shalom diante da minha juventude,
Celibato para mim é uma alegre notícia! É uma mão que me possibilita andar! Um som que aguça de maneira única e particular todos os outros sons que me rodeiam! É o leito que me cabe e que eu desejo! Ouvir essa verdade ao longo do tempo foi um movimento que me movia pra dentro de mim, com meus fragmentos e me lançava erguida para Deus, me devolvendo inteira em me ofertar para o outro, experimentando desse belíssimo Esposo e de sua gentileza majestosa. Neste chamado a também ser gentil, ser grata, ser consagrada! Ah e do outro, tantas delicadezas amorosas!! Quantas oportunidades eu tivesse, queria que todas elas me lançassem nos braços do meu Amado, do meu Senhor! É nesse estado de vida que a minha vida é real. É totalmente real! Foram tantos dias de inseguranças, de dor, de decisão na dúvida ou na clareza, mas, no desejo profundo de corresponder a um chamado e de saciar uma sede que não era encontrada em outros desejos, se não neste, de ser a melhor e mais plena mulher que eu queria ser. Sou uma mulher feliz! Sou filha de Deus, consagrada e celibatária pelo Reino do meu Deus! Geane Oliveira, Comunidade Aliança Missão São Luis/MA.
“Rei da minha história, meu Amado, digo sim ao Teu chamado” é o tema do Caminho Vocacional Shalom 2024.
Um missionário, um consagrado é um ser humano como qualquer outro. Isso significa que os anos também chegam para ele. Junto com esses anos, aparecem os frutos de uma vida dedicada e ofertada a Deus, mas surgem também as consequências naturais em seu corpo e em áreas emocionais e até espirituais. Diferente de um profissional qualquer do meio secular, não existe aposentadoria na vida missionária e consagrada a Deus. Claro, mudará talvez o modo de continuar servindo, trabalhando e se doando, no entanto, o missionário continuará sempre atuante. Sua oferta continuará frutificando, ainda que seja na forma de um testemunho silencioso e louco aos olhos do mundo, porém, mais reluzente e agradável aos olhos de Deus do que o anterior. Jesus era muito consciente desses e outros desafios que seus escolhidos teriam que enfrentar no desempenho da missão, por isso não os iludiu ao dizer: “Aquele que quiser me seguir, negue-se a si mesmo e tome sua cruz e me siga, pois quem quiser salvar sua vida vai perder e quem perder vai ganhar” (Lc 9,23). O que significa esse: “Negue-se a si mesmo e tome sua cruz”? Tomar a cruz significa abraçar uma íntima comunhão de vida e missão com Jesus, o Shalom do Pai, a paz completa. Essa tomada de cruz por amor, efetiva-se nesse: “Negue-se a si mesmo”. Dificilmente alguém conseguiria tomar a cruz com as exigências que esse ato supõe se antes não negasse a si mesmo. Por isso, essas declarações do Mestre a respeito da cruz parecem definir bem o perfil de seus verdadeiros servos, ou seja, daqueles que abraçaram sua mensagem de salvação (cf.Jo 19,17). Hoje em dia, devido ao avanço das filosofias políticas e do acesso às informações e aos meios de comunicação, não é mais tão comum, pelo menos na maioria dos países globalizados, as pessoas serem assassinadas por causa da fé em Deus e da mensagem de Jesus. Porém, as cruzes, os martírios e os sofrimentos podem aparecer de outras formas. Entre essas, umas das que poderíamos destacar como mais desafiantes são as enfermidades. Jovens ou idosos, mesmo nós missionários, pessoas de fé, em algum momento da vida, com exceção de uma eventual morte súbita ou por acidente, viveremos a prova da enfermidade. Mesmo enfermo, eu sou guerreiro! Quando isso acontecer, precisaremos buscar em Deus a graça de jamais nos deixar derrotar pelas tentações. Entre essas tentações, está o pensamento de que fomos “jogados para escanteio”. Em meio ao desafio, algumas impressões podem surgir: “não sou mais consultado para nada”, “sou um inútil”, “não tenho mais ousadia, nem criatividade”, “sou um estorvo no ritmo ordinário da obra”. No entanto, um coração apaixonado e que ama a Deus com sinceridade sempre encontrará novas formas de continuar amando e servindo ao Senhor. Saiba que, na maioria das vezes, será justamente através desse eventual obstáculo ou provação que encontraremos escondidos os recursos e instrumentos oportunos da graça de Deus. Por sua vez, esses instrumentos imprimirão em nós o perfil de santidade pensado pelo Senhor. A matemática é: “Diga-me quais as alegrias e tristezas você traz e poderemos intuir o tipo de santo que Deus quer que você seja. Mostre-me o santo que você é e poderemos intuir os conflitos e alegrias que você traz”. Isso é amar a Deus de modo incondicional. Há um personagem bíblico que muito me fala, quando a temática é a fidelidade e ardor missionário, trata-se do grande apóstolo São Paulo. Deixo, assim, à sua disposição, um trecho de uma de suas últimas cartas, que parece um testamento espiritual: “Caríssimo, quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. Mas o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu reino celeste. A ele a glória pelos séculos dos séculos! Amém” (2 Tm 4,6-8.16-18). Deus te abençoe sempre, Shalom!
Sempre fui de paróquia, mas eu nunca consegui ter uma profundidade. Então, eu frequentava tudo, mas superficialmente. Quando eu entrei na minha adolescência, eu comecei a vacilar com Deus. Ali comecei a querer descobrir novas coisas, comecei a ferir minha afetividade, além de ir muito pela cabeça das pessoas. Enfim, queria me encaixar. Por esse motivo eu me distanciei do que Deus tinha para mim, mesmo permanecendo na paróquia. Vivia uma vida de mornidão. Lá e cá. A primeira experiência e os traços do Carisma Foi quando, lá pelos 14 anos, a minha irmã me convidou para participar de um encontro E.J.C. chamado “Aliança de Israel”. Aceitei. Esse encontro me deu uma experiência muito forte. No segundo dia à noite, houve uma espécie de peça sobre a Paixão de Cristo e no final aparecia um Cristo Ressuscitado. Um indicativo do Carisma Shalom já. Ele deixava que nós o abraçássemos. Quando o abracei, me senti então a pessoa mais pecadora do mundo e me joguei aos pés dele, que me acolheu e me disse: “Eu te perdoo, minha filha”. Ele não sabia de nada, nem sobre como eu estava me sentindo. A minha inconstância e a insistência de Deus Me decidi novamente por Deus, mas mesmo assim essa determinação só durou dois meses. Era uma grande experiência que não teve continuidade porque não se aprofundou na intimidade com o Senhor. E continuei a minha vida. Então, um pouco antes de eu começar a faculdade, frequentar festas etc, eu ainda servia na paróquia. Fui a uma formação e aí Deus mexeu muito comigo em relação a uma vocação. Na época eu estava namorando, não me sentia bem no meu relacionamento, mas não entendia bem porque para mim só existiam as freiras e o matrimônio como opção. Teve uma adoração em que eu chorei muito e a minha coordenadora veio rezar por mim. Ela falou: “Você viu o pregador de hoje que estava nessa formação? Ele é do Shalom. É uma comunidade católica. Eu te vejo lá.” Aquilo feriu meu coração de uma maneira muito forte. Mas, mais uma vez, não dei continuidade. Sempre fui muito inconstante, Terminei meu relacionamento e continuei com a vida velha que levava e me aprofundando nela. Deixei de lado a igreja e só ia na missa aos domingos. Firmando os passos para Deus no Carisma Shalom Na pandemia eu comecei a ficar mais reclusa, comecei a sentir saudades das coisas de Deus. Até que um dia me deu um estalo! Me lembrei do que a minha coordenadora tinha dito sobre o Shalom e fui pesquisar no YouTube, no Instagram, em tudo! Achei lindo tudo aquilo! E enviei mensagem pelo Instagram, pedindo para começar o vocacional. Na época, tudo já estava em andamento e entrei no grupo de oração. Porém, ainda na vida que levava. Nesse período, começaram a acontecer muitas coisas complicadas. Perdi uma pessoa importante para mim e isso foi me causando uma tristeza muito grande, ia me perdendo cada vez mais em mim mesma. Eu nunca partilhava nada com ninguém. Foi no Seminário do Alegrai-vos onde senti um retorno daquela alegria que eu tinha. Me animei e fui me aprofundando mais no Shalom, mesmo com quedas. Meus pastores me acompanhavam e me lançavam em tudo. Isso foi me distanciando das festas e das más amizades… Vocacional: o divisor de águas Ainda insistia na vida velha, mas ela teve um fim quando eu comecei a fazer o Vocacional. Quando eu estava rezando com o “Enchei-vos”, me deparei com a passagem da pecadora caída e aquilo foi uma recordação da minha experiência com Deus. Assim que eu olhei para aquilo, na oração, percebi algo de diferente e disse: “Eu sou chamada a dar a minha vida porque um dia Ele teve misericórdia de mim. Essa foi a minha experiência com Ele, experiência de misericórdia. Então eu preciso dar a minha vida a Ele”. E ali comecei a entender que eu era chamada à Comunidade de Vida. De início, não quis. Queria seguir Jesus, mas não daquele jeito… e comecei a fugir daquilo. A Fuga em contraste com a decisão de Deus por mim Teve o Retiro Final e eu estava decidida a não ir. Fui, então, viajar ao Paraná. Lá uma tia minha, que é da igreja, falou que queria fazer um cenáculo na casa dela, me convidou e não sabia o que estava se passando comigo. Uma amiga dela, desse mesmo grupo de oração, veio rezar por mim. A moção foi a seguinte: “Eu vejo que o Senhor te levou para o lugar que você nasceu para viver nele, mas que muitas coisas te prendem aqui: sua família, seus amigos. Mas ele já está arrumando suas malas. Chegou sua hora. Vejo um homem pegando uma adolescente no colo e ele me fala que essa foi a tua experiência com ele.” Chorei demais e tive uma inquietação de decisão. Voltei para São Paulo, fiz o Retiro Final, mas não era o momento ainda de pedir ingresso, pois eu ainda estava muito dividida. Conhecimento de Deus e de si. Enfim, o meu “Sim”! No início do outro ano, que foi o meu segundo ano de vocacional, eu desci a fundo em mim mesma. Percebi que o que me faltava desde a minha experiência com Deus aos 14 anos de idade era a decisão. Jesus é aquele que bate na porta. Mas se você não abrir, ele não entra. Porque ele é educado. Ele deixa a gente livre. Começou um processo de organização interna e limpeza das minhas feridas, meus comportamentos. Como se Deus entrasse no meu quarto todo bagunçado e falasse: “Vamos arrumar aqui primeiro e, quando você arrumar isso, você vai entender a sua vocação”. Fui compreendendo nesse processo quem eu era. De modo que, quando chegou no retiro final, já não havia nada a não ser dar o meu “sim”. Comecei a olhar para minha vida e perceber que tudo que me faltava e me questionava encontrava respostas na
“Se arde em seu coração o Carisma Shalom, este é o seu caminho para Deus e para a santidade. Não tenha medo de ofertar tua vida a Cristo, pela Igreja, pelos jovens e por todos os homens” Moysés Azevedo.
Sobre as férias que mudaram o rumo da vida de uma jovem.