No dia 9 de março, alguns meses após receber a resposta de ingresso na Comunidade de Aliança, tive a minha primeira Célula Comunitária — uma reunião de irmãos da Comunidade Shalom para rezar e receber formações —, que acontece no Colégio Shalom, onde estudei a vida toda.
Na chegada, abri ansiosamente o WhatsApp para ver se a formadora havia dito a sala da célula, e descobri que seria a que passei o ano de 2023, no 2º ano do Ensino Médio; o mesmo ano em que tive a minha experiência com Deus. Muito do que eu sei e sou hoje aprendi ali, naquela sala de aula, com meus amigos e professores, conflitos e reconciliações…
Isso me levou para a frase que eu tenho bem à vista na estante do meu quarto: “Eu vejo o futuro repetir o passado”, de uma música do Cazuza. Realmente, eu também vejo. As coisas boas e ruins. Para alguns, isso pareça talvez um pouco determinista, mas, de certa forma, nós sempre voltamos e repetimos o passado. Voltamos porque talvez ele nos sirva de aprendizado para o presente.
Nesse início de ano eu tive a graça de muitas experiências novas: primeira viagem de amigos, serviço na 1ª Eucaristia no Acamp’s — lugar onde eu tive minha experiência com Deus—, primeiro trabalho, leituras e filmes incríveis… Mas nada se comparou à simples, “insignificante” e cotidiana providência do valor sentimental que uma sala de aula podia me trazer de volta.
Providência, porque me parece muita ingratidão chamar os presentes de Deus de coincidência. Que alegria poder ser tão amado por Deus em coisas tão simples, mas tão repletas de significado.
Não estão sendo os dias mais fáceis, admito. Do trabalho para a faculdade, da faculdade para os compromissos da vocação… Não tenho tido muito tempo para parar a cabeça e descansar, mas Deus faz sempre questão de, no turbilhão, soprar a brisa leve que me lembra que o passado há de se repetir no futuro. O passado do dia 3 de janeiro de 2023 em um acampamento de jovens, onde eu encontrei O Eterno, Pessoal, Misericordioso e Gratuito Amor que mudou a minha vida.
O passado de um 2º ano do Ensino Médio morrendo de sono, conhecendo mais a Deus em cada adoração com meus colegas de sala — sim, eu tive esse privilégio imenso —, conversando a aula toda (prestando atenção também!) e rindo de tudo, nada muito sério. E, quando eu olho para dentro, as coisas continuam não sendo tão sérias assim. Talvez eu ainda esteja no 2º ano do ensino médio, em 2023. Talvez eu ainda tenha só 16 anos. Talvez eu ainda esteja na capela daquele Acamp’s. Talvez eu ainda esteja a fitar Teus olhos, Senhor.
José Gabriel
Postulante da Comunidade de Aliança em Fortaleza, escritor e estudante de Psicologia

