Desde o dia 12 de setembro a Comunidade Católica Shalom de Brasília realiza o Tecendo Fio de Ouro, um curso para o autoconhecimento e cura interior. Cerca de 50 pessoas estão participando das pregações que acontecem a cada 15 dias no Centro de Evangelização da Asa Sul (507 Sul).
Essas pregações, também chamadas formações, já rendem muitos frutos, um deles colhidos por Pâmela Marques, de 29 anos de idade. Confira o testemunho da Pâmela:
“Eu abracei alguns traumas em minha vida e desde então os venho tratando como de estimação. Há alguns meses, eu soube do curso Tecendo O Fio de Ouro e, a princípio, fiquei meio relutante em reabrir as feridas antigas, a descongelar o rio como é dito insistentemente no encontro, a encarar os meus medos de frente. Uma amiga me disse que seria bom o encontro, algumas pessoas vieram me convidar e disseram que a minha vida seria outra após isso. Os meus medos amontoaram-se dentro de mim em festa, fizeram do meu interior um filme de terror, quiseram me impedir de me reencontrar.
Re-encontrar. Em que momento da minha vida me perdi? Há tantos anos vinha buscando essa resposta sem sucesso. Há tantos anos eu me via sem saída e com o coração aflito. Tudo isso porque eu abracei os meus medos, alimentei-os e cuidei como uma mãe cuida de um filho. O Tecendo Fio de Ouro veio até mim como uma oportunidade de redescoberta ou, quem sabe, uma descoberta. São tantos anos sem identidade, tantos anos em que me obriguei a olhar no espelho sem ver minha verdadeira face. E eis que surge o Fio de Ouro.

Há alguns dias abracei a ideia de que minha alma estava adoecida e de que de alguma forma eu precisava alimentá-la, sará-la, dar a ela o remédio necessário para a sua cura. Aceitei fazer o curso com um sentimento de gratidão, mesmo sem saber o que aconteceria, e sentei nas primeiras cadeiras. Deus usa de artifícios para nos prender e usa de pessoas como canais de salvação. Eu tive a graça de medicar um pouco as minhas feridas através de uma palestra que me dizia que era necessário descongelar o rio da minha vida, e que a minha memória também deveria ser curada. Não houve efeito instantâneo – bem confesso – mas aos poucos, ao longo do dia, eu pude perceber a misericórdia de Deus se manifestando na minha história. Para que a nossa vida seja salva é realmente necessário que a alma seja trabalhada.
Em alguns momentos, eu dizia que seria incapaz de dar um passo adiante, pois tudo que há em minha vida sempre é depositado na despensa do fracasso. Os namoros malsucedidos, os relacionamentos humanos conturbados, os concursos pelos quais estudei com afinco – a ponto de violentar meu corpo e meu psíquico – e não obtive êxito, a carteira de habilitação que só obtive após três reprovações, a mesma habilitação que há quase um ano mantenho dentro da gaveta por medo de dirigir. Medo do fracasso, medo de cometer algo contra alguém, de ferir alguém sem querer. Medo…
Um medo que alimentava e uma carteira que mantinha guardada. Isso mesmo: mantinha. Talvez para quem leia seja apenas um episódio qualquer, mas para mim é uma pequena vitória. Após o primeiro dia de curso, consegui enfrentar um dos maiores violões que me cercavam: a direção automotiva. No mesmo dia em que saí do encontro, decidi que não seria mais prisioneira desse medo, peguei as chaves e dirigi sob a proteção de Deus. Sim! O tempo todo, eu dizia: “Só por Ti, Jesus. Só porque Tu me mandastes fazer isso, porque Tu estás a co-pilotar comigo”. E fui. E venci. É um testemunho pequeno, de significância pequena para alguns, mas de uma grandiosidade sem limites para mim, porque dirigir é somente um pequeno medo que carrego comigo, tantos outros de raízes mais profundas eu carrego. Essa pequena vitória – creio e digo amém – é só uma pequena amostra daquilo que o Senhor ainda fará por mim, pelo meu coração e alma. Dirigir foi necessário para me mostrar que assim como pego um carro sem medo e saio por aí, eu também devo pegar o volante da minha vida retornar em alguns lugares onde estive e em seguida acelerar rumo a minha felicidade.
Eu peguei as chaves e o volante da minha vida, mas não sei que rumo seguir. Que bom que o Senhor sabe.”
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