“Eu esperava com ansiedade o Senhor:
Inclinou-se para mim e ouviu meu grito.
Levantou-me da cova fatal,
Do brejo lodoso.
Firmou meus pés sobre um rochedo
E assegurou meus passos.”(Sl 40, 2s)
Diante do desconhecido, é normal e humano nos depararmos com nossas ansiedades. Também nos relacionamentos amorosos provamos dessa sensação por vezes tão incômoda: a espera.
Quando o amor chega e toca nosso coração, desejamos que ele se desvele sem demoras, mas nem sempre é assim tão simples. Desde o início, ainda na amizade, somos provados no tempo e precisamos deste mesmo tempo como nosso aliado para fazermos dele esse “lugar” do despertar do conhecimento mútuo, da certeza da escolha.
No namoro, essa espera pode nos conduzir às descobertas mais profundas dos valores que nos movem, que conduz a vida do outro, que firma e confirma a escolha recíproca. Como o salmista, no noivado podemos também fazer a experiência de termos nossos pés firmados sobre a Rocha, termos nossos passos assegurados pelo Deus que preenche toda espera com a Esperança.
Se a ansiedade na espera é normal e humana, a Esperança nos volta para o divino, eleva nosso olhar para o céu e nos faz contemplar a Eternidade nas nossas escolhas.
“É justo que muito custe o que muito vale!” Já dizia a Santa do Carmelo.
Saber esperar nos ajuda a colher frutos maduros, por isso mais saborosos. A verdadeira espera transformada em esperança não é vã, é cheia de louvor, é paciente e perseverante, é feliz. Quando abrimos espaço no nosso coração para essa espera fecunda, podemos então suspirar confiantes:
“Tu és meu auxílio e meu Salvador, Deus meu, não tardes!” (Sl 40, 18b)
Vânia Araújo, Comunidade Católica Shalom
