Formação

Tempo Pascal: O homem novo, enfim, deve nascer

A ressurreição é a confirmação que o Pai dá de que Jesus é verdadeiramente seu Filho, e Ele ressuscitou como primícia, como conquista e certeza da nossa ressurreição.

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Se fôssemos resumir em uma palavra o período Pascal, com certeza ela seria alegria. Uma alegria imensa, que explode e contagia! Em todas as passagens das Sagradas Escrituras que falam da ressurreição de Cristo, duas ações sempre acontecem: encher-se de alegria e sair para comunicar aos outros. Ou seja, diante da realidade da ressurreição, alegro-me ao ponto de não conseguir reter esta felicidade, mas tenho como obrigação comunicá-la aos meus irmãos, que são também irmãos e filhos do Ressuscitado.

O Domingo de Páscoa é o dia mais alegre do ano, porque o Senhor da vida triunfa sobre a morte, sobre o pecado e sobre o mundo. E é tão intensa essa alegria, que perdura até a festa de Pentecostes. No tempo pascal, com efeito, a cada dia das sete semanas se vive a mesma alegria do domingo da ressurreição. O mistério é sempre atualizado!

Jesus está vivo!

A ressurreição é a confirmação que o Pai dá de que Jesus é verdadeiramente seu Filho, e Ele ressuscitou como primícia, como conquista e certeza da nossa ressurreição. É também a confirmação de nossa fé. Diz São Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa fé, e nós somos os mais dignos de pena.” (1Cor 15,17) Quem, de fato, pode crer e esperar em um morto? Jesus está vivo! E nós somos os mais felizes, pois Aquele em quem depositamos a nossa fé está vivo e venceu as trevas do nosso pecado.

Um coração e um espírito novos são dons eminentemente pascais, que capacitam o fiel a cantar o ‘Aleluia’ constantemente, associando-se à alegria da Igreja para o anúncio do Ressuscitado, pois também o cristão ressuscitou para viver em Cristo para a glória de Deus.

Portanto, essa alegria deve ser proclamada, publicada e comunicada a cada homem e a cada mulher, a fim de que toda língua anuncie com alegria que Jesus ressuscitado é o Senhor (cf. Fl 2,9-11).

Mas como comunicá-la? Através das Sagradas Escrituras, sem dúvida, mas sobretudo através da nossa vida, da misericórdia encarnada em nossos gestos, da alegria que compartilhamos, através fidelidade incondicional ao Nosso Senhor e de nossos atos solícitos, genuínos e desinteressados em vista dos nossos irmãos.

Esta alegria que o Ressuscitado nos comunica é interior e, sobretudo, concreta, vivencial, prática, e objetiva: Deve o cristão unir-se a este coro universal e cantar as glórias do Ressuscitado, deixando triunfar em si a sua soberania: há de ceder-lhe todo direito e lugar; há de entregar-se sem reservas, para que seja Jesus o único Senhor de sua vida. O cristão é o Cristo encarnado em obras que são amores.

A ressurreição do Senhor, a sua passagem da morte para a vida, a sua páscoa que traz o homem novo, deve espelhar-se na ressurreição dos fiéis que se vai consumando pela passagem cada vez mais radical das fraquezas do velho homem para a vida nova em Cristo. E esta ressurreição só é possível com as mais profundas aspirações pelas coisas do Céu, por aquilo que não acaba nesta terra.

O espírito pascal, que é vivido de forma particular durante as próximas sete semanas, deve perdurar e renovar-se a cada dia, durante o ano inteiro, como disse de Charles de Foucauld: “Em vossa ressurreição, em vossa felicidade infinita e eterna, tenho fonte de felicidade inexaurível, base de felicidade que ninguém me pode tirar. Possuo eternamente o essencial do que constitui a minha felicidade, um bem que supera todo outro bem, o mais desejado dos meus desejos, que é a substância da felicidade dos anjos e dos santos, que fará da minha vida um céu, com única condição de que eu Vos ame!”.

A vida do cristão é uma Páscoa constante

Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor a Deus, porque louvar o Senhor será também a alegria eterna da nossa vida futura. Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Se nosso louvor deve estar cheio de alegrias, nossa oração deve conter as nossas súplicas mais sinceras. É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; colocando diante daquele que É todas as nossas necessidades e os empecilhos que ainda nos separam da tão almejada Pátria Celeste. Somente assim cessarão os gemidos e permanecerá somente o louvor.

Assim podemos considerar a existência de duas fases na nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois, na segurança e alegria eterna. Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do tempo antes da Páscoa e a do tempo depois da Páscoa. A certeza da vida eterna que é concretizada com a vitória de Cristo na Cruz deve ser o grande marco da biografia de cada cristão.

Antes e depois

O tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que já acreditamos alcançar na vida futura. Portanto, antes da Páscoa, antes de nascer o homem novo, celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa ansiamos o que ainda não possuímos — mas já desejamos ter. Eis por que passamos o primeiro tempo em jejuns e orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, nos dedicamos ao louvor e à alegria. É este o verdadeiro significado do Aleluia que cantamos: a vida cristã é esse constante êxodo, a permanente passagem das trevas à luz.

Em Cristo, Homem encarnado, ambos os tempos foram manifestados. A paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer, para alcançar a coroa da salvação. A ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada.

Agora, pois, irmãos, é tempo de louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos o Aleluia. É tempo de louvá-lo com todas as nossas forças, não só com a língua e com a voz, mas também com a nossa consciência reta, com as nossas vidas e com as nossas obras. É tempo de voltar para casa.

Que neste período o homem novo em você possa nascer com a força da Ressurreição. Feliz Páscoa! 

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  1. Irineu um Cristão do Seculo II ensinou sobre a Ressurreição: ”…As almas deles irão a um lugar insivel estabelecido por Deus e ai ficarão até a Ressurreição, á espera dela,reassumirão seus corpos numa ressurreição perfeita…então,Ressuscitando ,serão levados ao céu os que ,entre nós ,o Senhor julgará dignos…”
    (Contras as Heresias-Irineu-livro 5-31,2)