Shalom

Testemunha da Ressurreição: Pedro, um testemunho provado pelo fogo

No quinto mistério da série, confira o relato do apóstolo que negou a Cristo mas arrependido compreendeu o amor misericordioso.

comshalom

Minha fé foi provada pelo fogo e disso provém o meu louvor. Eu sabia que cada palavra Tua continha em si a Eternidade, sabia que Tu és o único bem perene, no entanto, ante a fúria do mar, desviei meus olhos de Ti e coloquei-os nas provações. Afundei. E quantas vezes mais! Não tantas quantas as vezes que Tu me levantaste. És pedra! Tu me dizias. És rocha firme na qual está firmada a minha Igreja. Não me sentia assim. Não é verdade que a pedra sempre afunda? Fraquejei e, arrependido, acheguei-me mais uma vez a Ti, Pedra viva rejeitada pelos homens. Rejeitada por mim. Errei. Tu me corrigiste. Endireitaste o rumo do meu barco, fizeste-me pescar tantos peixes quanto povos existiam no mundo. Esses eram Teus planos para a minha vida: tornar-me pescador de almas. Ainda não entendia. Permanecia pedra. 

Mostraste-me o fulgor de Tua glória, transfiguraste o Teu semblante para que, ofuscados os olhos da carne, abrissem-se em mim os olhos da fé. Queria ficar ali para sempre, no entanto, longo era o caminho até Jerusalém, como foi longo o caminho para Roma, no qual, mais tarde, encontrei-Te indo morrer novamente por mim. Era necessário continuar caminhando, mesmo que a passos lentos, de pedra.

Episódio 1 | Maria, a primeira testemunha da ressurreição

Episódio 2| Tomé, a fé que vê e crê

Naquela noite fria, no jardim, ofereci-lhe a minha espada, mas Tu desejavas outra muito mais cortante: a espada fidelidade. Segui-Te, desejei permanecer contigo, não como na noite em que dormi, feito pedra, mas junto a Ti. Fui reconhecido como um dos Teus. Tive medo. Neguei-Te por três vezes. Esses mesmos olhos, uma vez ofuscados por Tua luz beatíssima, agora ardiam com o gosto amargo do arrependimento. Eu queria Te seguir, queria confirmar os Teus, mas não me sentia capaz. Insistia na força do braço. Sou pedra. Não compreendia que não é força, mas amor. João soube, por isso, permaneceu. 

Morreste. E eu contigo. Crucificado pelo medo, pela dor, pelo arrependimento. Petrificado. Pesada é a cruz quando não a carregamos contigo. Levaram-Te para outro jardim. No meu lugar, outra pedra, a do sepulcro. Era noite. Fez-se silêncio. Naquele shabat, não houve descanso. Na madrugada seguinte, estava sentado junto ao fogo e minha fé continuava a ser provada. O Mestre morreu. Pedro, Pedro! Maria chegou do jardim. Está dizendo que Ele não está lá. Não estou entendendo. Ela está eufórica. Calma, João. Vamos ver o que ela tem a dizer. Responde, pois, Maria, o que havia pelo teu caminho? Não compreendes, Pedro? A pedra rolou! 

Corremos. João ia à frente. Não era o peso dos anos que me atrasava, era o peso do arrependimento. Pesava como pedra. Corre, menino! Corre e, no limiar da esperança, na entrada do sepulcro, espera por mim! De fato, a pedra não estava mais lá. Entrei. João veio após mim. Os panos estavam no chão. Cheiravam a mirra. Era um cheiro quente, almiscarado e vivo. Vi o sudário dobrado ao lado. Nele, as marcas da Paixão recordaram-me o óbvio: foi por mim. Não é força, é amor. Pedro, tu me amas? Perguntou-me três vezes. Por fim, compreendi. Eu, pedra. Ele, o Amor Ressuscitado. E disso sou testemunha, como ouro provado pelo fogo e pedra cravada na Rocha firme de Sua fidelidade.              

Episódio 3 | Madalena, no teu caminho, o que havia?

Episódio 4| João, a testemunha mais jovem


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado.