No dia 29 de outubro, na Missão de Mossoró, com grande alegria celebramos a Santa Missa de Primeiros Votos no Celibato pelo Reino dos Céus. Realizaram os seus primeiros votos as nossas irmãs: Allana Marília (Cal) e Maria Ecidete (Cal).
Confira o testemunho da nossa irmã, Allana Marília:
“Junho de 2015, retiro vocacional, embaixo daquela mesma roseira que Ele me chamou a deixar TUDO por Ele, Ele me convida a ser sua Esposa.
“Vai, toma para Ti uma mulher que se entrega a prostituição e filhos da prostituição. Oseias amou e ama ainda uma mulher que lhe responde a esse amor apenas com traição. Assim também Iahweh ama Israel, Esposa infiel, e após tê-la provado dá novamente as alegrias do primeiro amor. Por isso eu mesmo te seduzirei, te conduzirei ao deserto e lá te falarei ao coração e você me responderá como nos tempos de sua juventude. Naquele dia, me chamaram de meu Marido, não mais de meu Senhor.. EU TE DESPOSAREI PARA MIM PARA SEMPRE, NO DIREITO E NA JUSTIÇA. És minha!” (Oséias 2)
— “Poxa Jesus, até pouco tempo eu nem acreditava em Você, nem no casamento e agora Você me pede para deixar tudo? Sua esposa eu? Você não está colocando muitas expectativas em mim? E eu o trairei? JAMAIS…” – O questionava.
E logo o Senhor foi me pedindo para dar passos que inicialmente não faziam sentido para mim, o meu cabelo vermelho, a minha carreira como atleta da seleção Brasileira de Karatê e professora das artes marciais, uma amizade de 7 anos, e uma caminhada atípica que durou 2 anos e 3 meses. E após muitas lutas eu fui tudo ofertando de forma radical.
Antes de minha experiência com Deus, através do carisma Shalom eu estava em uma fase de minha vida onde eu questionava a existência de Deus, a validade do amor e da bondade. A instituição do casamento para mim era algo fadada ao fracasso onde só havia duas possibilidades: Ou eu seria traída e me separaria, pois conforme me ensinara minha avó se eu “não aguento ser traída, não dava para me casar”, ou na melhor das hipóteses me separaria, pois não aguentaria dividir para sempre a vida com uma pessoa.
Com o passar do tempo o Senhor foi fazendo questão de responder aos meus questionamentos um a um. Eu fui entendendo que o Senhor ia me confiando outras lutas, outras batalhas, minhas lutas não eram mais contra meus adversários no tatame, a minha luta não era mais contra homens de carne. O meu prêmio não seria mais as medalhas de ouro mas o céu, que eu alcançaria pelo suor derramado pela luta pela santidade.
“E o tempo foi passando, passando e chegou a estação do amor, quando o sol nasce dentro de nós com a capacidade de queimar qualquer coisa.
—”Deixe eu te mostrar como eu te vejo”!
— Ah, você sabe o como sou desconfiada!
— Eu sei, mas confie em mim! Antes que tu fostes gerada pelo seio de tua mãe, tu já eras amada, querida, e sonhada da forma que tu eras.
— Por quem?
— Pelo amor que te gerou, suavemente te formou e traço por traço desenhou sua essência.
— Mas eu existia aonde?
— No coração do Amado.
— Eu não gosto de falar do meu nascimento.
— Por quê não? Veja o que te tornastes, eu te conheci, cuidei de ti e agora estás aqui tão bela.
— Bela? Tá certo…
— Espere e você vai ver…
— Nossa como sou…Bela!”
(Perfeição, no limite do amor. Shalom.)
O Senhor me convidava a deixar tudo… inflamava meu coração para que eu sempre desejasse dar mais e esse desejo aumentava na medida em que meu coração estava inteiramente na obra.
Como diz os nossos Escritos: “o desejo de dar tudo e assim viver também a pobreza gerava em meu coração um misto de atração e repulsa”. Como deixar os tatames, os campeonatos, os meus alunos, o título de Sensei (Mestre), o cabelo vermelho, as amizades, as paixões? Mas como não deixar tudo pelo Tudo? Se eu havia encontrado o sentido da minha vida?
Na medida que ia sendo provada no fogo e no tempo, o Senhor me fazia mais um convite: aprofundar mais naquilo que Ele já me confiava ao tocar nos mais necessitados, nos jovens. O Senhor me convidava a realizar RESGATES IMPOSSÍVEIS nos dando através da revista Escuta a imagem de brumadinho onde pessoas estavam submersas na lama e precisava de pessoas que não tivesse medo de se sujar para salvar estas pessoas. E todas as vezes que Ele dizia: “A quem eu enviarei?”. Eu dizia: “Eu, eu, eu… Me envia Jesus”. E eu desejava… Desejava levar TODOS para Ele!
Até o discipulado eu ainda me sentia chamada a Comunidade de vida, e no retiro de candidatos ao Celibato descobri que não era a única. Bom, eu sabia que no discipulado era a fase que já poderia começar a se trilhar para o Celibato e eu estava no D1 pronta para começar a trilhar no D2. Eu estava em minha melhor fase vocacional, comunitária e psicológica, pronta para o sim. Então, aquilo que o Senhor havia falado em baixo da roseira aconteceu: Eu o trai.
Esta fase foi dolorosa para mim, pois sempre fui muito escrupulosa e sempre rezava pedindo que eu nunca envergonhasse a Jesus e que as pessoas que “envergonhavam Jesus” com seus atos deveriam sair da comunidade. Em uma confissão falei ao padre que eu havia perdido a minha vocação e que eu tinha acabado com ela, e o padre sabiamente respondeu que ela havia apenas começado. E me questionou se eu achei que nunca iria cair na minha vocação… Sim! Eu achei que nunca iria cair, que nunca iria trair Jesus.
Precisei trilhar um longo caminho de cura, de reconciliação para com Deus, comigo e com a comunidade. Eu dizia-me que não queria ser a Esposa que trai a Jesus. Questionamentos antigos começaram a se levantar. Dentro de mim havia uma grande solidão que mesmo quando eu namorava, mesmo quando eu me sentia a pessoa “mais amada do mundo”, eu ainda a sentia. E comecei a questionar se ser Celibatária era viver esta solidão para sempre. Mas ao mesmo tempo entendia que quando pensava no para sempre, eu sabia que me sentiria mais plena numa solidão com Ele do que com qualquer outro. “Sozinha com Cristo sozinho”, porquê sozinho Ele está nas estradas do mundo e era com Ele que eu queria estar para sempre.
Todas as vezes que me apaixonei após meu primeiro chamado ao Celibato em 2015, me fazia sentir como se eu estivesse traindo Jesus, traindo aquilo no qual eu sabia que era chamada. E assim, através de uma canção eu entendia que o que dizia uma passagem: “Chegou a hora de reconhecer que o vinho acabou. Eu permiti que o Diabo te tocasse para te peneirar até se achar em mim. Eu fui como uma pedra de tropeço e invés de esperto, te vi dispersa como ovelha sem pastor, mas o Pastor voltou. Ainda te amo! Teu choro amargo revelou o teu amor e agora sinto a tua verdade para comigo.” Ecoava novamente dentro de mim o “Tu é minha, no direito e na justiça”. (Oséias 2)
No retiro dos candidatos ao Celibato, quando durante o deserto me deparei com um portão fechado que dava para uma mata dentro da casa de retiro, Deus me recordava uma passagem antiga onde Ele falava que eu era uma fonte selada e lacrada Dele, me fazendo entender que nenhum abuso sexual, nenhum pecado, nenhuma paixão, foi capaz de roubar Aquilo que era separado para Ele.
No Congresso dos Celibatários fui com grande expectativa de ver aqueles jovens bonitos, que transpiravam santidade e só faltavam flutuar na Diaconia. Jovens esses que por sua beleza e juventude ofertada inteiramente por Cristo foram escândalo e testemunho para mim. Ao chegar lá me surpreendo por ver poucos homens e poucos jovens. Isso gerou inicialmente muitos questionamentos dentro de mim. Porém, voltei para casa disposta a ser testemunho de uma juventude ofertada inteiramente para Cristo e com a minha vida recrutar jovens e ser motivadora do Celibato masculino e de jovens.
A minha Missa foi no dia 29 de outubro de 2025 para honra e glória do Senhor. E na outra semana uma irmã de outra missão, que não me conhecia, ao ver as fotos da Missa se sentiu esperançosa pela forma que eu me vestia, por eu ser uma jovem bela (segundo ela kk), vaidosa, maquiada, com “esse cabelo” que ocupa espaços dentro da sociedade, tem uma profissão boa, disse sim a Jesus? Relatava que isso era uma resposta para os jovens que não tinham coragem de se expor e que era possível ser jovem, ser Aliança.
Como ela disse, que as pessoas ao olharem para nós Celibatárias possam olhar para gente e dizer: “Meu Deus, Jesus está vivo! Ele continua chamando!”. Hoje costumo dizer, Jesus poderia ter chamado uma pessoa mais meiga, mais discreta, mas Ele quis escolher a mim! Ele continua a chamar! E aos meus caros e preferidos ateus finalizo deixando um recado para vocês: Se em pleno século 21, pessoas continuam deixando projetos e planos por Deus mesmo em meio a um mundo de opções múltiplas, é porque Ele existe. E se isso for uma mentira, esta é a melhor mentira que já me contaram pois salvou e deu sentido a toda a minha vida. Como diz o querido Viktor Frankl: “Encontrei o sentido da minha vida ajudando outras pessoas a encontrarem o sentido de suas vidas.”
“Pois a nossa pátria está no Céu de onde aguardamos nosso Senhor e Salvador, o qual transformará o nosso corpo de humilhação para ser igual o corpo de sua glória” (Filipenses 3: 20-21)“


