Institucional

O tesouro da missão de Chaves/PA

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“Eu vos darei cem vezes mais, em casas, mães, irmãos…” (Mc 10,30)

 

De fato, finalmente, compreendo agora as sábias palavras do nosso fundador, Moysés Azevedo, quando afirma que “o novo que Deus quer realizar em nós é um novo baseado na pobreza”. Acho que posso começar assim este pequeno testemunho da experiência que tivemos – Dilma, Ediône, João e Ana Rita – ao realizar as nossas visitas de evangelização na missão de Chaves (Prelazia do Marajó/PA).

Depois de caminharmos mais de duas horas a pé, atravessando igarapé com água na cintura, sem termos a menor experiência, finalmente chegamos à casa de D. Iolanda, conhecida por todos como D. Mulata. Surpreendeu-nos o acolhimento, a alegria e a atenção com que esta senhora, analfabeta, de 84 anos, recebeu-nos.

Quando fomos nos aproximando, ela gritou da janela: “Que alegria! Shalom na minha casa! Pensava que iria morrer e não veria mais vocês”. Ficamos espantados com a maneira como ela nos conhecia, pois era a primeira vez que íamos a sua casa.

Depois, outra surpresa: Ela pegou a melhor água que tinha na sua casa para lavar os nossos pés e fez questão, ela mesma, de lavar os pés de cada um. Foi uma experiência muito forte, sentíamo-nos como os apóstolos que, constrangidos, tiveram os pés lavados pelo Mestre. Estávamos simplesmente vivendo João 13.

Logo em seguida, ela começou a mostrar-nos a sua casa, um enorme vão sem divisórias. Iniciou pela parte mais importante: o oratório, onde, além do crucifixo e de outras imagens, estava pendurado também o rádio, pelo qual ela acompanhava a Santa Missa.

A partir disso, ela começou a perguntar por cada irmão da Comunidade que havia passado pela sua casa. A cada nome, o nosso coração se enchia de alegria. Queria ter notícias de cada um, Jacqueline, Marcelo, Ana Edite e Nicodemos. D. Iolanda até sabia que Nicodemos tinha uma noiva na época. Que memória maravilhosa!

Orientados pela sua filha para que, se quiséssemos chegar até a última casa, precisaríamos apressar-nos por causa da maré. Deixamos os nossos pertences e partimos rumo ao nosso objetivo.

Antes, porém, quando dissemos que ela não precisava preocupar-se com o nosso almoço porque tínhamos levado nossas marmitas, ela, ofendida, respondeu: “mas, vocês não vão comer da minha comida? De jeito nenhum, eu faço questão de preparar o almoço para vocês!” Então, concordamos e partimos.

Ao retornarmos, havia um grande banquete esperando-nos: mesa posta, com o cardápio composto de camarão no bafo, macarronada, feijão, peixe frito, arroz e suco de fruta. Depois do almoço, preparou uma rede para cada um, para descansarmos um pouco, antes do longo percurso de volta e fez a seguinte observação: “As redes estão velhinhas, mas estão bem limpinhas”. Deitamos, cada um numa rede, e ela, talvez por falta de outra, deitou-se no chão. E, dali, conversou muito tempo conosco.

Finalmente, chegou a hora da despedida e começamos a agradecer pela acolhida, pelo almoço e pelas redes. Mais uma vez, ela respondeu: “Não agradeçam, fiz o meu dever!”

Depois disso, ficamos sem respostas, mas tínhamos a certeza de que ela realmente entendeu “tudo” e voltamos para casa com o coração cheio de alegria e de gratidão a Deus, que, naquele dia, concedeu-nos a graça de vivermos concretamente o Evangelho: “Eu vos darei cem vezes mais, em casas, mães, irmãos…” (Mc 10,30).

por Dilma França


Comentários

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  1. Muito forte mesm esse testemunho.Deus nos dá a graça de conhecer pessoas maravilhosas indo ao encontro dele.Deus não se deixa vencer em generosidade na pessoa do irmão.