Chegou carnaval, curtição, a época mais esperada por alguns brasileiros, daqueles que anseiaram o ano todo pra ser fitness e sair nos bloquinhos, correndo atrás do trio. É o tempo para muitos de ficar “off”, encher o copo naquela festa e arrasar nos stories, mas, ainda é quando muitos corações completam a música “solidão é companheira nesse risca faca”.
Eu não sei você, mas conheço alguns que trocaram relacionamentos estáveis por uma curtição de 4 dias, que na euforia juraram amor eterno, outros ainda que sequer lembram da noite anterior já que a cabeça está latejando de dor, e daí chegam no período que entra em jogo o paradoxo do título: apagar fogo com gasolina?
Me peguei pensando sobre isso, é claro que é pra dar uma ênfase em algo impossível, mas é justamente isso que acontece para muitos nesse tempo. Apagar o fogo dos medos, carências, inseguranças, egoísmo, feridas no coração e no corpo, e com o que apagar? Vazio, que nesse caso, seria a gasolina. Bem, é sempre aquela sensação de que falta algo, mas o que falta? Alguns tem carro, dinheiro, poder, mas aquilo que é o principal lhes falta: amor.
Ser amado e amar é parte intrínseca do ser humano, e tentar ignorar isso, colocar o paredão de coração duro e frio, causa desconforto, fere, dói. Por fora tudo parece estar bem, mas por dentro o fogo queima ainda mais, e impulsivamente para saciar, para apagar o que queima, lá vem mais uma vez a gasolina! É um ciclo vicioso, e para sair deste, bem, meus amigos, não é receita de bolo, mas um passo muuuito importante: reconhecimento.
Reconhecer quem eu sou, qual o meu real valor, e perceber este anseio de algo maior. Tudo sentido de forma a revelar um profundo desejo de eternidade, ainda que hoje em dia seja cafona e ultra mega impossível, já que tudo tem sua data de validade e o para sempre não está mais na moda, nem é cogitado. Mas eu te digo, o meu, o seu coração foi criado para isso, para a eternidade, e esse fogo com gasolina de nada adianta.
A euforia desses 4 dias no bloco? Provavelmente resultará em uma ressaca, seja física, moral e por que não as duas? Se for outro extremo, de 4 dias preso no quarto atualizando as séries, não vai te deixar ver como o sol se pôs, ou ainda como desceu aquela chuva fina, e que a vida é viver. Para ambos, viver é ser livre, cair, recomeçar, sorrir, também chorar e no fim uma experiência libertadora: amar!
Ao final de tudo, o que nos restará é o amor. É paz nos conflitos, não fugir do fogo, mas saber como encará-lo, confrontar-se com o que trago dentro de mim, encontrar o que me falta e me decidir por isto. É saber que sou amado por Alguém que conhece toda a minha vida e insiste em dizer: vem que há lugar para ti.
Luisa Fernandes
Missionária da Comunidade Shalom – Comunidade de Aliança
