Posso pensar na amizade como esse lugar, como uma casa grande, com um alpendre para descansar ou uma árvore frondosa, onde podemos nos achegar.
Aquele lugar onde vamos para descansar,
Aquele lugar onde vamos para encontrar refúgio,
Aquele lugar onde vamos para desfrutar da paz,
Aquele lugar onde vamos para nos proteger,
Aquele lugar onde vamos para nos reabastecer,
Aquele lugar onde vamos para nos encontrar e partir novamente.
A vejo como este estado de ‘segurança’, onde não preciso de tanto ou preciso de quase nada para continuar, onde saber-se amado é o suficiente, pois não se busca ser outra coisa, além de si mesmo.
Lá, podemos ser quem nós somos,
Lá podemos falar besteiras,
Lá somos livres para amar.
Com um amigo, não temos medo de dizer a verdade, pois ele sabe quem nós somos, não vai nos julgar segundo os nossos pecados, pois conhece nossos valores. Não nos abandona no primeiro momento difícil, pois sabe bem o “preço” de um amigo. Posso dizer que, com um amigo, podemos chorar, falar, sorrir, ouvir as verdades, discutir, falar de quase tudo, brigar e nos reconciliar.
E com quem trocamos nossos segredos e nossos tesouros,
E com quem gastamos tempo intercedendo, rezando pelas intenções,
E com quem partilhamos nossas necessidades,
Pois não temos medo nem vergonha de parecer fracos.
E para quem corremos quando tudo vai bem ou vai mal,
E confiamos nossas vidas.
Digo, às vezes, que é aquele orelhão para o qual corro para partilhar meus insucessos e sucessos, vitórias e alegrias. É um porto onde posso atracar o meu barquinho, para continuar minha longa jornada. Mesmo que a distância e o tempo os separe, são como o bom vinho: se bem conservado, ganha um melhor sabor. São como uma árvore: se bem plantada, se enraíza no tempo certo, ganha segurança, cresce e o vento não pode derrubar. E lugar de sombra e fruto saboroso, para alimentar. Tem seu valor, seu vigor, seu perfume, seu encanto, seu brilho.
Por Geane Mateus
