A Páscoa não suspende a capacidade de pecar do ser humano. Ele continua a ser pecador e, só com a graça de Deus e com o esforço e vigilância constantes, consegue “pecar menos” e com “menos frequência”. Todo pecado é contra o Autor da vida e contra a vida pessoal e comunitária. A vida vem de Deus e deve ser respeitada, amada. Ao ser humano não é permitido interromper este fio vital, que faz correr a seiva do amor. A Páscoa nos oferece a capacidade de reconhecer os nossos pecados, saber que Deus está sempre vivo e que ninguém o poderá “matar”, nem negando sua existência e nem com a maldade. A nós é dada a grande responsabilidade de sermos os anunciadores vivos da vida que está em nós e nos outros.
Vós matastes o Autor da Vida
Como um dia o profeta Natan jogou no rosto de Davi o seu pecado, dizendo-lhe “Tu és este homem”, na leitura de hoje, Pedro também joga no rosto do povo que o escuta o pecado. Nós, que não queremos ser incomodados pelas palavras do Evangelho, continuamos a ser os acusadores e vendedores de Cristo e assistimos, até que o galo cante, ao juízo do Justo. Alguns, como Pedro, convertem-se, e outros, preferem ir até o fim, crucificando o Autor da Vida. É verdade que mesmo Pedro atenua o seu discurso e, como ele foi perdoado, nos promete o perdão de Deus. Pedro sabe que enganou a Cristo por ignorância e nós, muitas vezes, também matamos a Cristo por ignorância, mas precisamos nos converter.
Quem nos fará ver o bem?
Precisamos de verdadeiros irmãos e irmãs, que nos façam ver o bem e o mal para nos converter. A maior graça que Deus pode fazer a uma pessoa é colocar no seu caminho alguém que o corrija quando erra e o anime quando faz o bem. Quando buscamos com sinceridade o Senhor, dormimos, acordamos e vivemos com o coração tranquilo. É isto que devemos buscar, a verdade, e pedir que alguém nos ensine a verdade. A Igreja, os irmãos, todos podem nos ajudar na busca da verdade. Para Edith Stein, foi o Livro da Vida de Santa Teresa de Ávila. Para você, quem lhe ajudou a encontrar a verdade, que é Cristo?
Se pecamos, o que fazer?
O evangelista João, em sua carta, nos abre a porta da esperança e nos diz “Se alguém pecar… não desanime, não desespere, porque a misericórdia de Deus é maior que o nosso pecado”. Nunca, mas nunca mesmo, devemos duvidar do perdão de Deus. Se é sincero o nosso pedido de perdão, garantido está o perdão do Senhor. A justiça de Deus e dos homens não é a mesma. Diante da justiça dos homens, é necessário pagar pelos nossos erros até com a prisão perpétua, mesmo que tenhamos nos arrependido. Diante de Deus, o perdão é dado e tudo recomeça. Mas Deus exige prova do nosso arrependimento. Qual? Não pecar mais. Que a alegria infunda em nós estas palavras de João evangelista, o apóstolo do amor!
Tocai-me, sou Eu
Como não amar a Jesus depois de tantos gestos de amor por nós, de tanta delicadeza? O Evangelho de hoje toca a profundidade de nós mesmos, dos nossos afetos, sentimentos, emoções. Jesus quer convencer os seus apóstolos e, com eles, a nós, que Ele está vivo, ressuscitado. E como Ele faz? Aparece, convida-os a tocá-lo, pede para comer e diz claramente: “Sou eu, não sou um fantasma!” Muitos de nós vamos à procura de fantasmas quando nos afastamos de Cristo. Todos os dias temos a alegria de poder tocar Jesus na Eucaristia e devemos ser“eucaristizados”, sentir sua presença em nós. Páscoa é toda Eucaristia onde se celebra todo o mistério de Cristo: da Encarnação à Ressurreição. Somente aos que tocam Jesus, creem nele, pode ser confiado o mistério da pregação e do anúncio.