Guerra declarada contra o mal
Com o mal não se pode fazer aliança; venha ele de onde vier e vestido como quiser, “mesmo em vestes de anjo”, como diz São João da Cruz. Nem sempre temos a coragem profética de colocar-nos do lado do bem e anunciá-lo e denunciar o mal. Jesus veio para desmascarar o mal e quer que todos os cristãos façam o mesmo. Hoje em dia o mal ou, se quiser, o diabo (dá na mesma), se apresenta com tantas facetas multicores e com tantos perfumes e maquiagens que é necessária esperteza para saber distingui-lo. A maior esperteza é sempre se colocar do lado da Igreja, que é una, santa, Católica e Apostólica. Vamos hoje prestar bem atenção à Palavra de Deus que nos ajuda a compreender que o cristão não é chamado à vida fácil, mas sim a identificar-se com o seu mestre Jesus, que também foi tentado e lutou contra o mal mediante a oração, o jejum e a humildade.
O pecado nos desnuda
O ser humano, criado por Deus à sua imagem e semelhança, traz dentro de si mesmo algo de inconfundível que não pode ser apagado: a sede de infinito, de imortalidade. Trazemos em nós a luta contra o Bem e o mal; nos sentimos atraídos pelo Bem, mas o mal também nos seduz. Diante do mal, nos sentimos desnudados, envergonhados, porque tomamos consciência do nosso ser na sua fugacidade. Podemos nos esconder de Deus e nos esconder de nós mesmos e fugir das responsabilidades mas o amor de Deus, porque é amor, não cansa de correr atrás de nós, de nos apresentar o novo caminho da cruz e do sofrimento para sermos novamente livres.
Espero no Senhor
O salmista eleva a Deus uma doce e forte súplica para que o Senhor não olhe os nossos pecados, mas veja em nós o reflexo do seu rosto desfigurado e nos salve. Estamos vigilantes, como a sentinela que espera a aurora, a vinda do Cristo Senhor, para que Ele nos encontre prontos, purificados dos nossos pecados.
Creio, por isso falo
Por que anunciamos o Evangelho? Por interesse, por fama, por projeção, por comodismo? É preciso olhar bem dentro de nós para vermos as motivações que nos levam a exercer o ministério do anúncio e do profetismo. O único motivo válido é a nossa fé em Cristo Jesus. Quem tem fé não pode guardá-la para si mesmo, mas deve anunciá-la com coragem e em todos os momentos da sua vida, com todos os meios que o Senhor lhe coloca à disposição. O cristão não tem medo. Vai em frente com a lâmpada da verdade e não com outra coisa.
Os demônios são vencidos pela luz
O Evangelho de hoje, com sua simplicidade, nos mostra que a luta contra o demônio só será vencida com a plena adesão à luz, que é Cristo. Quem adere a Cristo é sofrido, mas não vencido. Sofrido, mas cheio de esperança e de vida nova, que é encontrada na Palavra de Deus e na fidelidade à sua vocação. Neste texto nós temos dois “demônios”, que também nós podemos encontrar na nossa vida de cada dia. Os primeiros demônios são os alguns dos nossos “parentes”, que não nos apoiam na nossa decisão de seguir a Cristo com radicalidade. Para compreender a vocação ao seguimento de Cristo é preciso ter os mesmos sentimentos de Jesus. Os outros demônios que aparecem no Evangelho são os “doutores da lei e os teólogos” que, às vezes, veem o demônio em tudo ou não o veem em nada e preferem falar dos que seguem a Cristo com amor. Marcos nos apresenta o grupo dos que sabem abrir-se à graça e à luz. Somente estes são a nova família de Cristo. É tempo de repensar as nossas decisões e ver se estamos ajudando os outros a seguir Cristo ou estamos tentando afastá-los dele. Pode ser que eu tenha prejudicado os “radicais de Cristo”, perdão!