Formação

Três festas

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Dom Eduardo Benes de Sales

Arevelação de Deus se completou com a manifestação do Espírito Santo.Ele dá testemunho do Pai e do Filho, sendo Ele mesmo pessoa, expressãopessoal da comunhão divina, introduzindo-nos no mistério da Trindadeuna. Neste mês de junho a Igreja celebra três festas que condensam paranós a infinita riqueza da comunicação de Deus conosco: a SS. Trindade,Corpus Christi e Sagrado Coração de Jesus, respectivamente nos dias 1,11 e 19 próximos.

Ogrande mistério, origem e destino do universo, é a Trindade Santa: DeusPai, Filho e Espírito Santo, Deus-Amor. Mais de uma vez Jesus afirmou“Eu e o Pai somos Um”(Jo 10,30). Este ser Um com o Pai significa umacomunhão profunda no ser e no agir: “o Pai está em mim e eu no Pai” (Jo10,38). Esta comunhão é uma comunhão de amor, no Espírito Santo. SãoJoão assim definiu Deus: “Deus é Amor”( I Jo 4,8). Dirá mais tardeSanto Tomás: Amor Subsistente.

Nocapítulo 17 do evangelho de João Jesus assim se dirige ao Pai: “eagora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha,junto de ti, antes que o mundo existisse” (v.5). Em outra ocasião Eleafirmara: “antes que Abraão existisse Eu Sou” (Jo 8,58). Assim osdiscípulos compreenderam a origem eterna de Jesus e Tomé pôde exclamar,ao contemplar a humanidade do ressuscitado: “meu Senhor e meu Deus” (Jo20,28). Aquele homem, Jesus de Nazaré, é verdadeiramente Deus, maisprecisamente, o Verbo eterno pelo qual o Pai criou todas as coisas, asvisíveis e as invisíveis. Ele é o Verbo feito  carne no seio de Maria,por obra do Espírito Santo. Compreendemos então o significado profundoda devoção ao Coração de Jesus.

Éo coração humano de Deus-Filho. Ali mora o Pai que lhe dá seu amorinteiro, infinito, no Espírito Santo, tal como se manifestou no batismode Jesus. O Coração de Jesus é um coração onde faz morada a relaçãofilial que desde sempre subsiste no mistério de Deus: “O Pai me ama eeu amo o Pai”. A eterna relação de amor Pai-Filho se comunica a nós nahumanidade de Jesus. Por isso o Coração de Jesus tem a plenitude doEspírito Santo, é um Coração abrasado de infinito amor. É São João quemnos legou a cena do soldado atravessando o coração de Cristo com umalança, observando: “…e imediatamente saiu sangue e água”. Os padresda Igreja viram nesse acontecimento um precioso símbolo da nascimentoda Igreja: a água remetendo-nos ao batismo e o sangue à eucaristia. Dolado aberto de Cristo nasce a Igreja, nova Eva, a humanidade nova. Pelasua paixão e morte Jesus se entrega inteiramente à humanidade,purificando-a para a ela se unir, comunicando-lhe vida abundante.

OCoração transpassado de Cristo testemunha esse incomensurável amor. E oEspírito dá testemunho em nosso coração de que somos, no Filho, filhosamados de Deus, agora nosso Pai. São João nos ensina: “são três que dãotestemunho: o Espírito, a água e o sangue” (I Jo 5,7-8). E continua: “enisto consiste o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e esta vidaestá em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho,não tem a vida” (Jô 5,11-12). A devoção ao Coração de Jesus nos conduzpara dentro desse mistério de amor e de vida. Ter o próprio coraçãoentrelaçado com o de Cristo é estar mergulhado no mistério de amor queé o próprio Deus. O Batismo introduziu-nos nesse mistério.

Aeucaristia aprofunda sempre mais nossa comunhão com Cristo e, n’Ele,com o Pai e com todos os seres humanos, em primeiro lugar com os queconosco constituem o Corpo Místico, que é a Igreja. A Eucaristia é,pois, o grande sacramento do encontro de Deus conosco. Prolonga omistério da encarnação: o Verbo Encarnado, pão descido do céu para avida do mundo (Cf. Jo 6,35), se faz pão-alimeto nas mesas-altares denossas comunidades (Jo 6,51). Corpus Christi é a festa em que a Igrejase alegra e proclama publicamente sua fé na Eucaristia, presençadaquele que doou sua vida para que vivêssemos a plenitude da vida:“Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo do Pai, assim viverá de mimquem de mim se alimenta… Quem come deste pão viverá para sempre”( Jo6,57-58). A Eucaristia é ainda a presença da entrega de Jesus. O ato deamor com que Jesus ofereceu sua vida na Cruz se faz realmente presentena celebração eucarística. Ali está Jesus, por força  das santaspalavras da consagração, entregando-se a nós e unindo-nos à sua entregaao Pai, feita na Cruz de uma vez para sempre. Tanto quanto NossaSenhora, ao pé da cruz, nós entramos no ato de amor com que Jesus seentregou ao Pai pela nossa salvação. Depois comungamos, recebemos ocorpo e sangue do Senhor, corpo glorioso, mas dado na Cruz, naquelasexta feira santa, e sangue transfigurado, mas derramado naquele diapara a remissão de nossos pecados, sangue da nova e eterna aliança. Naeucaristia o Coração de Jesus providenciou um meio de perpetuar suapresença redentora no meio de nós. Na despedida – era preciso que Elevoltasse para o Pai – Ele quis ficar, disfarçado, mas muito realmente,nos sinais do pão e do vinho, para que nunca nos esquecêssemos de queEle morreu por nós e de que, ressuscitado, d’Ele e com Ele deveríamosviver, em profunda comunhão. Mês de junho, Mês abençoado!


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