
Tenho contato e amo a arte desde pequena. Minha madrinha, que era professora, ensinou-me a amar os livros e o arranjo das palavras. Dizia que estes eram como forma de expressão do que sentimos, do que decidimos, do desabafo, do clamor, da felicidade… que eram formas de expressão da vida. Por outro lado, meu pai, um apaixonado pela música, me ensinou que os arranjos, o som e tudo que compõe uma melodia, pode tocar nosso coração profundamente e que também são formas de demonstrar a vivência de um ser humano.
Assim, tendo essas experiências, quando eu tinha 18 anos escutei uma música da Comunidade e foi como sentir Deus de uma forma diferente. Eu, que já tinha caminhada na igreja desde os 16, e cantava todos os domingos em uma paróquia perto de casa, quando escutei e vivenciei a arte do Shalom foi como se uma porta tivesse sido aberta. Aquilo foi o primeiro convite de Deus para mim. Tempo depois, minha irmã (hoje falecida), pagou um retiro para mim e, quando vi, era um retiro da Comunidade Católica Shalom. Era o segundo retiro aqui em Belém, cujo título era “Lançai as redes”. Pronto. E a vontade de Deus começava a se fazer presente em meu coração. Lá tive minha primeira efusão do Espírito Santo, o meu primeiro abandono no Amor de Deus, o meu primeiro encontro com o Amado de minha vida. Naquele dia, eu me perguntei: “Como pude ficar tanto tempo sem Ele?” Entretanto, não me engajei de cara na Comunidade, ainda continuei servindo por algum tempo na paróquia. E os anos passaram. Tudo conforme o amor e sabedoria de Deus.
Casei com 21 anos. Durante o namoro, vivi e preservei a castidade. Não me arrependo de nada, de nenhuma renúncia, pois os dois anos de namoro que tive até a data do casamento foi como uma preservação e entrega de mim e do meu noivo ao Senhor. Com dois anos de casada, percebi que meu marido ainda não tinha um encontro com Deus, como eu tive um dia. Então, resolvi apresentá-lo ao Shalom. Levei ele e uma amiga, fomos para o Virada Radical de 2012. Nossa! Como Deus foi bom e misericordioso novamente! Desde novembro daquele ano até hoje continuo aprendendo, servindo e vivendo na Comunidade como Obra Shalom, e meu marido hoje é postulante da Comunidade de Aliança.
Mesmo cheia de imperfeições, imaturidades, limitações, dores, o Senhor me acolhe com o Seu Amor e Misericórdia através da Comunidade e me convida a ser uma Alma Esposa. E como posso ser? Não sei. Tão miserável, tão pequena, tão dependente do Amor do Pai, a única coisa que sei é que a minha resposta é e sempre será gratidão e doação ao Senhor de minha vida.
Que resposta poderemos dar ao Santo dos santos senão nossa santidade?
Assim, não mais podendo conter tamanha gratidão ao Senhor, resolvi escrever singelos poemas a Ele! É pouco, mas é o que tenho para dar hoje:
“E Ele Ressuscita! E a alegria reina no peito.
E o Amor vai tomando lugar da dor.
Sim, Ele me põe para fora.
Apaga de vez o que insisto em ver.
Substitui o hoje pelo eterno.
E volta para ficar comigo todos os dias, pois sabe que eu, sozinha, insisto – inutilmente – nas minhas ilusões.
Ele volta para que eu veja no fim do abismo a esperança,
que ao final do martírio eu veja o céu.
Transforma a minha pouca fé na grande desculpa para estar comigo.
Mostra-me as Suas chagas como se fosse o último suspiro de insistência para que eu, ao menos, note Sua presença…
Ah Senhor! O que seria de mim sem Tua simplicidade de amor que transpassa e dilacera meu coração? Certamente de morte e viveria… O que me resta hoje é entregar-Te todo o meu ser como resposta de clamor e gratidão ao SEU eterno Amor.”
Poema de autoria de Carolina Oliveira
Deus nos abençoe. Que Nossa Senhora nossa mãe nos guie. Shalom.
Belo testemunho de uma juventude saudável e comprometida com as coisas do alto.
Valeu, Carol!!