Formação

Ufa, que ano!

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 A macro-históriaacontece em câmara lenta. De repente, os eventos pegam embalo e os fatos semultiplicam vertiginosamente. 2008 acelerou tanto que mal deu tempo de tomarfôlego. Tirando as catástrofes naturais e os eventos previamente programados,como as Olimpíadas, a mídia cativou, mês a mês, a nossa atenção com notíciasbombásticas. Tudo parecia ter potencial de alterar o futuro de forma dramática.

 

 Os tibetanos,aproveitando o clima de euforia com a tocha olímpica, conseguiram expor para omundo a opressão do regime chinês. Ingrid Betancourt, libertada de um cativeironuma operação militar ainda não totalmente explicada, mostrou ao mundo ointrincado jogo geopolítico da América Latina — França, Estado Unidos eColômbia participaram, de alguma forma, no resgate.

 

 Eventosimpressionantes começaram a se suceder numa cascata surpreendente lá pelo meiodo ano. Barack Obama reuniu mais de duzentas mil pessoas em Berlim em umcomício — para quê, se os alemães não votam em presidentes americanos? Aindano início do primeiro semestre, duas instituições financeiras gigantes pediramfalência. A bolha especulativa das hipotecas, do crédito fácil e das bolsaspipocou. Veio a avalancha. Trilhões de dólares viraram fumaça. E o mundo,estarrecido, passou a contemplar a possibilidade de uma depressão, tão severaquanto a de 1929.

 

 O cenário africanocontinuou funesto. Não bastasse o sofrimento dos exilados de Darfur, veio oCongo. Os remanescentes do holocausto de Ruanda continuaram a aterrorizar comos seus ódios étnicos. Resultado: milhões de inocentes fugiram para escapar dacarnificina, mas, sem terem para onde ir, morreram de fome. O cenário ganhouproporções apocalípticas e a resposta mundial foi pífia.

 

 Barack Obamavenceu as eleições e o mundo celebrou. Bush se despede como um dos presidentesmenos populares da história dos Estados Unidos. A vitória do primeiroafrodescendente ao posto de “homem mais poderoso do mundo” encantou muçulmanos,cristãos, quenianos e, principalmente, os herdeiros do legado de Martin LutherKing. Impossível não se arrepiar com o delírio das multidões no momento em que Obama foi declaradovencedor.

 

 Em 2008, meninose meninas também viraram notícia pelos maus-tratos que sofreram. Alguém jogouIsabela por uma janela. Igor e João Victor, mortos pelo pai e pela madrasta,nos entristeceram. A polícia soltou crianças que estavam algemadas e amarradaspelos pés. A nação ainda não despertou para a crua realidade de que o Brasilcuida mal dos pequeninos.

 

 E agora, o quevirá pela frente? Sabemos que, em alguns aspectos, o mundo nunca mais será omesmo. O racismo dos Estados Unidos, com certeza, perderá sua força. O carteldo tráfico colombiano tende a enfraquecer. O projeto econômico neoliberal vaiterá de ser revisto; a aposta de que o mercado ajusta o próprio mercadomostrou-se perigosa.

 

 O Estado, com osseus mecanismos, precisará intervir para não deixar que uma economia atole oresto do mundo em crises, gerando mais pobreza. Depois que bancos centenários falirame a General Motors revelou certa “falta de liquidez”, o resto do planetacolocou as barbas de molho; qualquer um pode descer pelo ralo.

 

 As preocupaçõesmundiais continuarão contraditórias. O Haiti, assolado por furacões, continuaráse debatendo na miséria a poucos quilômetros do país mais rico do planeta. Comoa Unesco tem poucos recursos para salvar vidas inocentes e sobra dinheiro paraacudir as instituições bancárias? Infelizmente, enquanto os estoques depetróleo continuarem abundantes, suprindo a demanda mundial, não haveráinteresse em desenvolver tecnologia que diminua a emissão de gás carbono.

 

 A história doviolinista Ytzahak Perlman é comovente e serve de inspiração nestes temposdelicados. Perlman contraiu pólio aos 4 anos de idade e desde então caminha commuletas. Apesar desse impedimento, tornou-se um grande violinista, um“virtuose”. Diz-se que, certa vez, no palco, sentou-se, colocou as muletas aolado e posicionou o violino sob o queixo para começar a afiná-lo. De repente,com um ruído estridente, uma das cordas se rompeu. Quando todos esperavam queele pedisse outra corda, ele fez um sinal ao maestro para começar e executoutodo o concerto com apenas três cordas. No final, todos o ovacionaram em pé. Quando lhe deram apalavra, disse: “Nossa tarefa é fazer música com o que resta”. Claro, todosentenderam que as suas palavras se referiam à vida, e não a cordas arrebentadasapenas.

 

 E na sua vida,como foi 2008? Quais foram os acontecimentos marcantes que aconteceram ao longodesse ano? Quais foram as intervençõesde Deus na sua vida? Você termina esseano mais Santo, mais apaixonado por Deus, pelo seu reino e pela Obra?

 Como Comunidadetambém vivemos momentos, fatos marcantes ao logo do ano que está terminando. Quemnão lembra do que Deus fez na missão de Fortaleza na campanha; “ Reparai asbrechas.”? A participação do nossofundador no Sínodo da Palavra. A inauguração da Diakonia. A primeira assembléiageral depois da aprovação dos nossos novos Estatutos. A aquisição da RádioDragão do mar, agora Shalom AM 620. Milhares de pessoas indo ao Halleluya pelaprimeira vez, um publico estimado em 600 mil pessoas. A primeira consagração e renovação dos votosno Celibato pelo reino da C.V e C.A.

 

 Realmente, Deusfez maravilhas em nós e através de nós. Nosso coração termina mais um anograto, cheio de louvor e gratidão ao Senhor que tudo fez para santificar o seupovo escolhido. Que ao lembrarmos de2008, possamos agradecer aquele que sempre esteve conosco. Aquele que inúmerasvezes nos livrou das mãos do inimigo, da nossa vontade ainda não ordenada parao amor.

 

 Em 2009, a história continuaráambígua. Dores se misturarão à felicidade. Experimentaremos perplexidade eesperança, luto e festa, descaso e solidariedade, insultos e marchas pela paz;rindo ou chorando, precisaremos aprender a viver como Ministros e Discípulos daPaz.

 

 Um Santo eabençoado 2009.

 Shalom .


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