Institucional

‘Um coração inflamado por este amor tudo realiza, a tudo se dispõe’

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Eeu“Um coração inflamado por este amor tudo realiza, a tudo se dispõe’, Escritos-Amor Esponsal 11. Acredito que esta frase transmite tudo o que agora vivo, não por orgulho de fazer esforço para estar e realizar, mas sim por ter sido alcançado por este amor. Quando me vi diante daquele Aberto Coração, que me chamava à unidade não podia mais hesitar em abandonar-me dentro dele.

Desde meu primeiro contato com o Shalom, me foi relevado algo que confirma-se hoje dentro do chamado de Deus a mim, algo que nunca havia sonhado (e se tivesse nunca seria tão belo quanto é hoje a minha realidade), a revelação de ser Shalom. Ao longo do tempo, foi se tornando concreto. Participei do Acamp’s e lá foi avisado que haveria no outro mês o encontro vocacional; alegrei-me profundamente embora com muitas resistências.

A cada encontro e a cada acompanhamento, crescia em mim um sentimento de pertença, algo inexplicável que germinava em mim e me trazia uma imensa alegria. Mas também o medo, pois tinha e tenho compreensão da dimensão deste chamado e me via incapaz, pecador demais, infantil demais para assumir este chamado, para ofertar minha vida. Isto me fazia pensar em desistir, abandonar, tentar outro ano. Um medo mascarado se criava em mim.

Mesmo em meio a um turbilhão de sentimentos, nada me impedia de ir ao Shalom porque, embora eu tentasse fugir, dentro de mim gritava a necessidade de estar, de adorar, louvar junto com aqueles que eram tão semelhantes a mim e tão diferentes. Minhas idas a Belo Horizonte são um tanto demoradas pois moro a 12 horas de distância da capital, em uma cidade pequena chamada Espinosa (MG). Nas minhas idas ao vocacional, passava horas acordado na poltrona ouvindo as canções da Comunidade. Isso fazia crescer ainda mais meu amor e a ânsia de estar, pertencer e Ser Shalom!

Na minha penúltima ida, enquanto ouvia a canção que dizia de fato tudo o que refletia naquele momento, fui relembrando tudo o que Deus me levou a viver, a “distância que os ventos levaram meu coração” e chorava, chorava muito de alegria e cantava a canção, tendo a certeza de que o Shalom era e sempre foi o meu lugar.

Deus, com Seu imenso amor, veio a mim, que sou tão pecador, um frágil vaso de argila, e mostrou o meu lugar no Seu aberto coração, que pude tocar e sentir a Paz. Ele me atraiu, muito antes que eu percebesse, moldou-me e nunca percebi, trouxe-me para o Seu lugar. Retirou meus excessos, podou meus ramos para que eu desse mais frutos, regou minha esperança para que eu não voltasse atrás. E mesmo com passos lentos e bastante curtos, o Senhor me trouxe para perto Dele.

Doze horas de viagem podem ser um impacto para o corpo hesitar a não estar, permanecer, mas o coração já estava ancorado ali. Doze horas não é uma dificuldade para mim, dificuldade para mim é estar distante, é não poder ir, é não estar no lugar onde sou plenamente feliz. Doze horas não podem separar um coração que encontrou o seu lugar, seu lar, as marcas gloriosas da Cruz, o aberto coração.

Valdeir Silva


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