Sabe aquela pizza bem quentinha que chega em sua casa na hora da fome? E aquelas unhas perfeitas de tão bem escarnadas e pintadas? Sem falar no zelo do jardim e da portaria do condomínio e do banheiro limpinho do shopping. O conforto de não sujar as mãos na bomba de gasolina, do jantar posto em sua mesa no restaurante, a hora marcada no dentista, o lixo recolhido da calçada e suas compras empurradas até o carro?
Pois é, estas e tantas outras atividades precisam de um profissional. São atividades que, por mais simples e corriqueiras que sejam, fazem parte de nossas vidas. São pessoas que de um jeito ou de outro estão presentes com seus trabalhos e profissões, para facilitar o funcionamento e a dinâmica do dia a dia. São cozinheiros, garis, motoristas, manicures, porteiros, atendentes e diaristas que muitas vezes passam desapercebidos, de quem mal sabemos o nome e que algumas vezes chamamos pelo assobio ou de “psiu”.
Pessoas que não olhamos nos olhos por se tornarem invisíveis a nós, não são valorizadas e nem cumprimentadas, e o pior, delas passamos a exigir ainda mais, porque, afinal, “eu tôôô pagannndo”. Será que é por aí? Se tratarmos assim, com indiferença, aqueles que nos prestam serviços, com insensibilidade e cegueira social, imagine com que cara olhamos para o pobre, pedinte, sujo, faminto e necessitado… Torna-se um invisível real à nossa frente!
O exemplo de um santo
Lembrei agora da história de um santo, que ao passar por um mendigo, trouxe o invisível à luz de Cristo.
Perto de completar vinte anos, Martinho, que ainda não era São Martinho de Tours, foi designado para a cavalaria da Gália, hoje França. Lá, foi abordado por um mendigo que tremia de frio. O homem pediu esmola a Martinho. Não tendo dinheiro no momento, ele cortou seu manto ao meio e deu metade ao pobre. À noite, Jesus lhe apareceu num sonho. O Mestre estava usando a metade do manto que Martinho tinha dado ao pedinte e agradeceu por ter sido aquecido. Depois disso, Martinho deixou o exército para se dedicar à fé.
Papa Francisco e o pobre
O Papa Francisco, na mensagem do Dia Mundial do Pobre 2018, diz: “Os pobres evangelizam-nos, ajudando-nos a descobrir a cada dia a beleza do Evangelho. Não deixemos cair em saco roto esta oportunidade de graça. Neste dia, sintamo-nos todos devedores para com eles a fim de que, estendendo reciprocamente as mãos uns para os outros, se realize o encontro salvífico que sustenta a fé, torna concreta a caridade e habilita a esperança a prosseguir segura no caminho rumo ao Senhor que vem”.
Então fica uma reflexão: Sou capaz de parar e ver, com o coração, o invisível ao meu lado e dividir com ele um lanche ou só “freio para animais”?
