Em agosto de 2013 (Em uma data bem próximo ao dia 28) eu passei por um “quase” coma alcoólico em um trote da minha primeira faculdade. Lembro-me bem desse dia, eu estava em uma cadeira de rodas na enfermaria da universidade com um balde de lixo do meu lado, e lembro de escutar algumas risadas e a voz do pai de um amigo que foi me buscar aquele dia. Pensei que saindo dali, com os meus 19 anos eu “tomaria um jeito”, mas não foi bem assim.
Meu envolvimento com a bebida já vinha de alguns anos e com a minha entrada na universidade, se tornou mais constante. Muitas vezes eu saia em uma sexta-feira do trabalho e retornava no domingo, sem comunicar aos meus pais e os deixando preocupados.
O tempo e as “influências” não ajudavam muito, assim como os relacionamentos que também não agregavam. Sempre me recordo de qual era a sensação que eu tinha nas segundas-feiras pensando no que eu havia feito no final de semana, e o que mais me causava era muitas vezes nem lembrar direito em virtude da bebida.
No início de 2015, houve o rompimento do meu relacionamento em que já vivia há cinco anos, me deixando muitas marcas. E foi nesse momento que eu me encontrei numa situação absurdamente solitária. Nesse período, minha irmã que havia participado no ano anterior de um retiro para jovens, organizado pela RCC em nossa diocese, havia me convidado a viver esse mesmo retiro que neste ano ela estaria servindo. Mesmo com minha negação a participar, ela insistiu durante meses, até o início de agosto, até eu decidir estar.
No dia 27 de agosto, dia de Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, minha irmã estava muito animada, pois estaria servindo no retiro e eu estaria lá participando, e eu perguntei-lhe qual o motivo daquilo e a resposta foi: “Você vai saber, vivendo”.
À noite, no retorno do trabalho, passei em frente a paróquia que estava organizando aquele retiro e vi os jovens rezando e numa extrema animação, pois passariam a noite organizando o dia seguinte, eu olhando aquilo pensei: “Eles não estão bebendo, porque a felicidade? Isso não é verdade!”. Então me veio uma forte sensação de suicídio, isso nunca havia me passado pela cabeça, mas eu sabia que algo não estava certo e que eu não voltaria para casa naquele dia. Foi então que descendo a rua próximo à igreja, sem saber o que ia fazer, me veio uma sensação ainda mais forte de ir para casa e não levantar para o retiro no dia seguinte, e eu parado no meio da rua voltei para trás e assim fiz.
Dia 28 de agosto de 2015, pela manhã, minha irmã ligava insistentemente para todos da minha casa, para me acordarem e eu fosse à escola onde o retiro estava acontecendo. Levantei, vesti uma blusa preta com um capuz e fui, dali eu não voltaria a mesma pessoa.
Foi por volta das 17h00, lembro bem o que o pregador dizia: “Santo Agostinho, alcançou a graça de primeiro perdoar a si mesmo pelo que fazia e depois perdoar os outros”, e motivava a recordar o que precisávamos perdoar. Eu conseguia, com um grande grito e seguido de um choro, me lembrar do que estava passando e como estava minha vida. Após aquele momento, fui para adoração numa sala, e olhando para o Santíssimo eu escutava as pessoas ao redor dizendo: “Você não é mais o mesmo”… E não era mesmo!
Conheci, tempos depois, a história do Santo que intercedeu por toda minha vida, e percebi o quanto nossas histórias eram parecidas. Ele já era um amigo antes mesmo de o conhecê-lo. Até hoje se passaram seis anos, desde esse dia. Tempo de um caminho de conversão a Deus, por quem muito me Amou e não desistiu de mim e escolheu ser apresentado a mim no dia de alguém tão parecido comigo.
Uma vida feliz e cheia de sentido, com alegrias, tristezas e um Deus que por ele, vale a pena dar tudo.
Marcos Ronald – Discípulo da Comunidade de Aliança
