Acalma primeiro o que está dentro e depois o que está lá fora
Um silêncio em meio ao desespero…
Na calada da noite em meio aquelas ondas o medo tomava de conta.
Não tínhamos nada, a tempestade era muito forte nos levava de um lado e para o outro.
Ele, só dormia. Nós, a agonia.
Um desespero começou a tomar de conta do nosso coração.
“Acorde Ele” – disse o medroso.
“Vamos todos morrer?” – gritaram no fundo do barco.
E eu? Eu não falava nada, estava ali parado sem entender nada, estando sem está.
Criando coragem para acordá-lo.
Ninguém imaginava que uma passagem para a outra margem iria causar tudo isso em nós.
“Para a outra margem” – minha mente repetiu.
A água invadia o barco e o medo só aumentava, corríamos sem sair dali, gritávamos sem ninguém ouvir.
Até que criei coragem e disse:
“Mestre, não te preocupas que estejamos quase a morrer?” .
Ele naquele momento levantou-se ainda sonolento e falou:
“Aquieta-te!”
No mesmo instante sentimos uma calma, uma paz, sentimos o nosso lugar, a nossa condição… Sentimos sua presença.
Nós, fizemos de tudo para controlar.
Ele, com uma palavra colocou tudo sob controle.
“Uma palavra… Uma” – repetiu minha mente.
Que até hoje ecoa em mim, colocando tudo no seu lugar.
E Deus no lugar dele.
“Mas quem é este, a quem o próprio vento e o mar obedecem?”
“Aquieta-te!”
Por Adney Pinheiro
