Traição. Se você que está lendo esse meu testemunho já foi traído (a), você pode intuir, imaginar o furacão, a tempestade que envolvia meu coração naquele momento. O que faz da traição um acontecimento tão doloroso é que normalmente ela é realizada por pessoas que confiamos. Eu confiava em Maria, ela era a mulher mais virtuosa que eu já havia conhecido. Eu também era dedicado às coisas de Deus, o amava e queria servi-lo de modo incondicional. (Cf.Mt:1,19).
Quando a conheci, percebi que ao lado dela poderíamos fazer de nosso lar um templo de louvor e adoração ao nosso Deus e Criador. Ela estava prometida a mim e juntos serviríamos e amaríamos a Deus sobre todas as coisas, porém, antes mesmo de coabitarmos, ela me deu um baita susto, disse que estava grávida e ainda por obra do Espirito Santo. (Cf.Mt:1,18)
Vergonha, raiva, frustração, decepção, dor, não sei se esses e mais quais adjetivos poderiam expressar o que senti, mas eu amava a Deus e conhecia bem a cultura e a tradição do meu povo, sei bem o que aconteceria a uma mulher acusada de traição. Então resolvi abandoná-la às ocultas. (Cf.Mt:1,19). Assim, o povo iria pensar que o cafajeste, o pilantra era eu e não ela. Enquanto eu pensava o que fazer e para onde iria, fui surpreendido com uma visita que transformou o meu coração. Todo o sentimento de raiva, decepção e dor, virou louvor e ação de graças a Deus.
Naquela noite, já esgotado pelo desespero, dormi e um anjo apareceu-me em sonho e falou comigo. Disse para eu não ter medo de receber Maria como minha esposa, pois o que estava acontecendo com ela era obra e ação do Espírito Santo de Deus. (Cf.Mt:1, 20)
Meu coração foi envolvido por uma paz que não sei explicar. Toda dor, raiva e decepção virou louvor, coragem, fortaleza, gratidão e criatividade. Imediatamente eu a acolhi definitivamente em minha vida. (Cf.Mt:1,24)
O tempo foi passando, como havia prometido ao anjo, dediquei-me a cuidar desses dois grandes tesouros confiados a mim. Chegou o dia em que o Divino Menino haveria de nascer, iniciava-se ali mais um momento de grande combate e provação. Eu precisei ser ousado, criativo e providenciar tudo para a proteção deles.
Nunca pensei que eu fosse capaz de ser tão ousado e criativo. Quando precisamos ir para o Egito, chamei Maria, peguei o Menino, organizamos as coisas bem depressa e fugimos. (Cf.Mt:2, 17-18) Nossa viagem durou vários dias, mas todo o sacrifício valeu apena, cumpri minha missão, os tesouros que Deus me fez guardião estavam protegidos. Após algum tempo, recebi outra visita do Anjo do Senhor.
Ele me apareceu em sonho e disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe, e volta para a terra de Israel; pois aqueles que procuravam matar o menino já estão mortos”.(Mt:2,19)
Não pensei duas vezes, levantei-me, peguei os dois e retornamos para a terra de Israel, região da Galileia, cidade de Nazaré, para ser mais específico. Fiz tudo isso, tomando as devidas e providentes precauções. (Cf.Mt:19,22)
Vivi muitas coisas, alegres e tristes na companhia desses dois tesouros confiados a mim, pela providência divina. Mas vou parar aqui meu testemunho, espero que o que consegui partilhar, tenha feito bem a você. Se sim, compartilhe esse bem, fazendo meu testemunho chegar a outros corações. Deus te abençoe!
Rodrigo Santos
