Formação

Unidade para evangelizar: questão de fé e coragem!

A Unidade nos centraliza no que é essencial!

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“Coragem! Acabas de dar testemunho da minha causa em Jerusalém, é preciso que também em Roma testemunhes igualmente ”. Com esta frase, o Senhor incentiva Paulo a permanecer na sua missão e dar continuidade a Obra que lhe foi confiada. No entanto, não é sobre isso que vamos tratar, mas, sobre o que levou o Senhor a dizer tais palavras ao Apóstolo, a fim de que cada um de nós sinta-se também impulsionados por esta frase na construção da Obra e da missão do Senhor.

Estamos, mais uma vez, diante de uma grande obra evangelização do apóstolo Paulo. Ele, mais do que nunca, procura com todos os meios e maneiras convencer os judeus acerca da Ressurreição de Cristo, fonte e fim de sua vida pessoal e apostólica. Para tanto, Paulo utiliza desta vez a perspicácia perante o Sinédrio e o Tribuno. Utiliza-a com um único objetivo: trazer a verdade a tona! E que verdade é esta, podemos nos perguntar? A Verdade é que: “Cristo Ressuscitou dos mortos!”.

Esta verdade de fé, tão bem conhecida pelo Apóstolo, precisa ser propagada em todos os cantos da Terra mas, em especial, aos judeus que eram prisioneiros da Lei. Por isso, numa atitude bastante ousada, Paulo abre seu discurso justamente no ponto central que dividiria Fariseus e Saduceus: A Ressurreição. Com isso, Paulo traz tanto para uns, quanto para outros, a mesma realidade, Cristo Ressuscitado!

Quando olhamos atentamente esta colocação de Paulo acerca da Ressurreição podemos ver o alcance da intenção do apóstolo. A Ressurreição era o ponto central das discórdias entre fariseus e saduceus, por isso, Paulo coloca-a de forma precisa a fim de que ela, por si só, fosse o tema central a ser discutido e não ele ou seu julgamento. Paulo, inteligentemente, descentraliza de si a atenção de todos, colocando-a na Ressurreição de Cristo fazendo, assim, que ela fosse conhecida e discutida por todos.

A atitude de Paulo foi tão forte e ampla que a Ressurreição tornou-se, em meio ao conflito, no tema central da Assembleia. Os que eram a favor dela, posicionaram-se por ela, no entanto, os que eram contrários, se colocaram também contrário a ela, contudo, tanto uns como os outros, estavam voltados naquele momento ao mesmo ponto, ou seja, a Ressurreição. Sábia, ainda, foi à outra atitude da Paulo: primeiro falou, depois, silenciou, como se quisesse mostrar a todos, que a Ressurreição de Cristo, expressa, por si só, toda a sua força e autoridade. Em outras palavras, Paulo consegue promover a Unidade através da diversidade de opiniões e, ao mesmo tempo, desmascarar a “pseudo unidade” daquela Assembleia, que estava ali para julga-lo perante o tribuno.

Foi, portanto, em torno da Ressurreição, que Paulo conseguiu que toda a discussão da Assembleia se voltasse, mesmo com todas as diferenças de opiniões e credo. Paulo consegue, portanto, trazer para comum aquilo que era particular entre eles. Este é o sentido maior da Unidade: trazer para o comum (comunhão) aquilo que está dividido, mesmo que esteja muitas vezes escondido, como era a opinião entre os fariseus e saduceus.

Se fizermos um paralelo desta leitura com o Evangelho de João (17, 20-26), vamos perceber que o que Paulo fez foi justamente o que Cristo pregou: “Eu não rogo somente por eles, rogo também por aqueles que, graças à sua palavra, creem em mim: que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste(…)”. Paulo, no Sinédrio, consegue trazer para a Ressurreição as diversas opiniões, e é justamente esta, a graça que a Unidade traz e promove: o comum entre todos!

Num quebra-cabeça, por exemplo, podemos ver bem definida esta realidade que acima expomos acerca das diferenças e da unidade. Cada peça do quebra-cabeça têm sua importância e sua individualidade (características particulares), mas sem elas estarem juntas, como um corpo bem definido, jamais conseguirão construir um todo. Isoladas no individualismo não podem muito, mas, à medida que se unem, começam, parte por parte, a formar um todo, gerando uma grande Obra bem acabada. O Reino de Deus, a Igreja e a Comunidade são assim, formados por muitos de forma única, com características próprias e bem definidas, mas que, para formar um todo precisam se unir de forma inquebrantável, em vista do bem comum e não do bem individual.

Se nós, filhos de Deus, membros da Igreja e da Comunidade, entendêssemos bem o ensinamento de Cristo e o testemunho de Paulo, além, é claro, do exemplo do quebra-cabeça, certamente muitas diferenças estariam resolvidas, seja de forma pessoal ou comunitária, seja apostólica ou profissional, seja familiar e eclesial. A Unidade gera comunhão. A Unidade rompe o individualismo. A Unidade aproxima corações, pensamentos, ideias, apostolados, estados de vida, famílias, etc. A Unidade promove a comunhão e a paz. A Unidade nos centraliza no que é essencial! A Unidade destrói o espírito de competição, de rivalidade e traz consigo, o que Jesus disse: a perfeição! Perfeição esta que só pode ser compreendida pelo amor!

Se não consegui, ou não consigo muitas coisas realizar, seja de forma pessoal, comunitária, apostólica, eclesial, profissional ou familiar é porque, talvez, eu esteja isolado, no “meu” mundo, no meu particular, na “minha” individualidade, desassociado de “tudo e de todos”, pouca coisa irei realizar e certamente me frustrarei. No entanto, se eu buscar me unir ao outro, para o bem comum, tudo será transformado na minha vida e naquilo que sou chamado a realizar no todo. A Unidade gera um só coração, uma só alma, um só pensamento, e este, é o exemplo maior da primeira Comunidade Cristã, que somos chamados a imitar e testemunhar em todas as áreas acima citadas – e nas outras não citadas – num mundo tão individualista: “Quanto a mim, dei-lhes a glória que tu me destes, para que sejam um como nós somos um, eu neles como tu em mim, para que eles cheguem à unidade perfeita e, assim, o mundo possa conhecer que tu me enviaste e os amaste como tu me amaste” (João 17,22-23).

Abramos o nosso coração a esta graça que é a Unidade, fonte de alegria e de paz, pois ela associa-se, inseparavelmente, da Caridade, fonte da comunhão e da perfeição! Que o Senhor nos conceda a mesma graça que concedeu a São Paulo de percebemos o ponto central do que nos dividi, a fim de que pela verdadeira Unidade possamos rompe-la e vence-la, tornando-nos cada vez mais um só coração, uma só alma, um só pensamento no caminho de construção do Reino de Deus! Desta forma, certamente, seremos menos infiéis a tudo aquilo que o Senhor nos concede com tanto amor, pois teremos a certeza de que “tudo é Dele e tudo é para Ele”! O pouco em Unidade se transforma num muito! Que a mesma coragem que o Senhor pediu a São Paulo nós possamos ter para testemunhar a unidade.Amém.

Formação: Outubro/2013


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