
Aos dezesseis anos, tendo uma vida aparentemente boa e uma fé individual, alimentava o desejo de fazer Crisma. Não por entender a importância e poder desse sacramento na vida do cristão, longe disso. Mas, como alguém que queria viver sempre o que era correto, achava que como havia sido batizada e feito Primeira Eucaristia, necessitava ser crismada para encerrar um ‘ciclo’. A minha motivação não foi das melhores, no entanto Deus se utilizou dela para mudar para sempre a minha vida.
Como eu quase não tinha amigos que participavam da Igreja, a Crisma parecia um desejo um pouco distante. Afinal, eu nunca iria para a Igreja só. Foi aí que surgiu o convite de um amigo do colégio que participava do Shalom, pois lá abriria uma nova turma de Crisma. E o melhor, uma amiga da classe iria, era a minha chance. Na primeira semana, fomos nós duas; na segunda, minha irmã e outra amiga também; um mês depois, éramos seis colegas de classe fazendo Seminário de Vida no Espírito Santo.
Logo depois, continuei na Crisma e comecei a participar de um grupo de oração, o qual pensava em deixar assim que me crismasse, pois achava tudo muito radical na Comunidade e distante do meu ponto de vista. Nesse período, por muita insistência dos amigos, fui para o retiro geral do Projeto Juventude para Jesus – PJJ e lá, da maneira mais simples possível, Deus se utilizou de algumas pessoas para me conquistar. Lembro que, na adoração do domingo, o sorriso de uma irmã ao olhar para Jesus Eucarístico me convenceu de onde estaria a verdadeira felicidade. A partir de então, minha vida, aos poucos, foi mudando radicalmente.
Apesar de parecer exteriormente bem, desde os doze anos eu vivia muito ansiosa, achando que tinha todas as doenças do mundo. Eu era hipocondríaca – pessoa que apresenta medos e preocupações fortes com a idéia de ter uma doença grave –, além de ter várias manias. Tudo isso me deixava profundamente angustiada, com medo da morte, a ponto de, algumas vezes, nem conseguir respirar direito. Contudo, ninguém sabia bem, a não ser quando falava algo para minha mãe ou irmã, mas de forma muito superficial, sem contar o que se passava mesmo dentro de mim. Chegou um momento no qual eu não conseguia mais nem ler nem ouvir sobre doenças, para não aparecer mais uma para minha lista. Certa vez, quando achava padecer de uma enfermidade, emagreci de dois a três quilos por nem conseguir comer direito de tanta preocupação.
No entanto, depois desse retiro do PJJ, Deus me atraiu de tal forma que passei a ficar bem mais tempo no Shalom e me enagajar no serviço à Obra. Com o passar do meses, percebi que quanto mais eu gastava meu dias e me doava a Deus e aos outros, menos eu tinha tempo para mim e para pensar em coisas que me assombravam a mente. Dessa forma, Deus foi me fazendo livre de tudo o que me aprisionava e me curando dessa que era a única doença que eu tinha, na verdade.
Dois anos depois, como resposta de gratidão e desejo de viver a vontade de Deus, ingressei no Vocacional Shalom, e, em 2011, aos vinte anos, na Comunidade de Aliança. Hoje, tenho vinte e dois anos e sou discípula da Comunidade Shalom em Natal (RN).
O que dizer senão que vale a pena dar a vida por Cristo, Àquele que nos faz plenamente feliz, que me faz plenamente feliz! Termino com uma parte de um discurso de Bento XVI aos jovens que resume bem o que eu gostaria de expressar aqui: “Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo. Ele não tira nada, Ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira”
Shalom,
Ana Luísa Lourenço