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Vamos às férias “por outro lugar!”

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urlTambém a Festa da Epifania do Senhor, celebrada nos primeiros dias do ano e como encerramento do Tempo Litúrgico do Natal, pode nos deixar uma mensagem quanto ao modo de viver as férias, o descanso, a viagem, o programa e o lazer característicos desse período do ano. Claro que o texto bíblico referente à Festa da Epifania do Senhor (Mt 2,1-12) nada fala de lazer, – não vamos forçar o texto – mas de experiência de procura e encontro com o Senhor, feito pelos Magos. Encontraram a gruta onde estava o Menino com Maria e José, prostraram-se e adoraram o Senhor, diz o Evangelho. Depois de todos os riscos da procura, dos tesouros guardados e que ficaram expostos aos salteadores no caminho, tiveram os Magos a graça e o privilégio de oferecerem ao Senhor, como fruto de toda a alegria de terem sido guiados pela estrela que é a própria luz da fé e da esperança. Tudo teve sentido quando os olhos e o coração contemplaram o Menino. Como não lembrar da experiência de Jó: “Só por ouvir dizer, te conhecia; mas agora, viram-te meus olhos” (42,5).

Avisados em sonho quanto à intenção de Herodes, voltaram à sua terra “por outro caminho” (cf. Mt2,12). O que significa isso para nós que fizemos a feliz experiência do amor de Deus, da Salvação em Jesus, do voltar a viver quando a luz da fé deu sentido à nossa vida? O que significa “voltar por outro caminho” para quem agora compreende que a vontade de Deus é a nossa santificação? (cf. I Ts 4,3). Ser santo para o contexto no qual nos encontramos – não nos iludamos – é questão de realmente “perder a vida para encontrá-la”. É lutar contra a correnteza como acontece no “fenômeno de Piracema” (Brasil) onde os peixes precisam nadar contra correnteza acima para lá poderem se reproduzir. Muitos não aguentam, desistem e são arrastados pela violência das águas e morrem. Portanto, não podemos desistir de buscar viver valores autênticos, santos e coerentes com a experiência na qual fomos outra vez gerados.

Nesse período de férias tantas coisas se levantam contra o que foi construído na paciência e na graça de Deus por todo o ano. Quantas graças foram recebidas e cultivadas no silêncio da oração, na Igreja, na Eucaristia, nas confissões e nos novos propósitos, naquele retiro, no nosso grupo ou comunidade, naquela conversa tão necessária, naquelas opções corajosas que tivemos que fazer para querer o que edifica e santifica. Tanta gente virtuosa e de reta consciência se viu lutando contra pecados, vícios, feridas na sexualidade, bloqueios nos relacionamentos ou mesmo contra a doença, a solidão, a depressão, o adultério, a desilusão e decepção afetiva. Mas o mais importante é que a luta – não obstante as quedas – não pode cessar.”A minha graça te basta; o meu poder se completa na fraqueza. (…) Pois quando sou fraco, então é que sou forte” (cf. 2 Cor 12,9-10).

Um recado aos jovens e aos adultos: É necessário o cuidado com certos programas, ambientes e festas, pois eles nem sempre favorecem nossos valores cristãos. São promotores de sensualidade e querem a todo custo roubar a pureza das nossas intenções e dos nossos sentidos. Não tenhamos medo de renunciar a certos convites e, se necessário, darmos as devidas razões da nossa fé para também evangelizarmos sempre na caridade. Não sejamos imprudentes ou ingênuos de pensar que somos fortes o suficientes para não sermos contaminados com certos tipos de músicas, filmes, livros e até a companhia de certas pessoas.

Não podemos deixar de falar do”perigo da internet” quando não usada com moderação, no lugar certo, na hora certa e na real necessidade. O tempo demasiado gasto na internet nos isola e nos rouba da convivência familiar, dos amigos, da harmonia das relações com os outros, deixando-nos ainda completamente expostos às seduções da pornografia e de sites de relacionamentos que cultivam o preconceito racial, a violência, a degradação do namoro e do matrimônio na complementaridade homem e mulher, a pedofilia e o consumo.

Férias, um dom de Deus necessário para todos nós! Aproveitemos para descansar, visitar a quem amamos ou a quem precisa, conviver, praticar um esporte sadio, ler aquele livro que a tempo desejamos, mandar um e-mail como sinal de vida para os que estão distantes. Mas vivamos esse tempo na sobriedade, na alegria da Família, um tempo de maior diálogo no namoro, na Família, no casamento. Vale a pena rir, brincar, descontrair-se, divertir-se sadiamente, evitando assim as “bebedeiras e até as guloseimas’. Isso não se trata de “puritanismo”, de ver pecado em tudo, não, mas de viver o que diz o apóstolo Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo edifica” (I Cor 10,23). “Celebra as tuas festas, mas faz e isso na alegria do Senhor, fiel aos teus compromissos de cristãos” (cf. Naum 2,1). Vamos às férias e as vivamos “por outro lugar”, não mais “por um velho caminho”, por aquela “velha maneira” que precisa cada dia morrer nas nossas intenções e práticas.

Nós o adoramos O Menino-Deus na gruta de Belém e algo mudou em nossas vidas. Não somos mais os mesmos! Também nós – depois de muita procura – encontramos o melhor bem de nossas vidas, Cristo, nossa Paz (Ef 2,14) e fonte de toda a verdadeira alegria. Agora é necessário “voltar por outro lugar”, inclusive, quando se trata de viver o lazer, as férias e desfrutar as tantas coisas maravilhosas que nos dispõem a vida. Felizes Férias para todos nós! Assim seja!

 

Formação: Janeiro/2009

04.01

Através desse livro do Padre Leonardo Wagner você vai descobrir como alguns dias de férias em uma fazenda no interior do Ceará podem transformar radicalmente a vida de inúmeros jovens que têm fome de felicidade, amor e liberdade. Esses jovens relatam aqui suas vidas, abrem seus corações sem medo ou vergonha, e com linguagem franca e aberta falam sobre suas experiências com o Amor Absoluto. Um livro com testemunhos marcantes e vitoriosos.
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