Formação

Vamos partilhar o nosso apostolado

Quem não se renova corre o risco de ter uma fé morta e esclerosada.

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O profeta Jeremias está hoje bravo e levanta sua voz, em nome do Senhor, contra os maus pastores que, no lugar de cuidar das ovelhas que lhe foram confiadas, as dispersam, as amedrontam, geram confusão no rebanho e se aproveitam delas, da lã, da carne, sem nenhum escrúpulo. Todos sabemos como a imagem do pastor é querida à Sagrada Escritura. Desde o início encontramos Deus como pastor cheio de bondade, que cuida das suas criaturas e procura sempre o melhor para elas. Um Deus que vai suscitando bons pastores para que o povo não seja abandonado a si mesmo. O pastor não é dono das ovelhas e não pode fazer delas o que bem entender, mas deve cuidar delas para que possam ter vida e vida em abundância. Todos nós temos o dever de cuidar da fé dos que caminham conosco, de ter uma visão correta do ensinamento da Palavra de Deus e da Igreja. Não podemos anunciar nada que não esteja em conformidade com o pensamento de Deus. Devemos apontar sempre os verdadeiros pastores.

Fé reciclada

O Salmo de hoje é o mais conhecido e o mais amado por todos nós. É carregado do amor apaixonado de Deus por nós e da necessidade que nós temos de renovar sempre a nossa fé, especialmente nos momentos difíceis de nossa caminhada. Há ao nosso redor muitas noites e trevas. Algumas noites nós mesmos as provocamos com a nossa infidelidade, com o nosso pecado e necessitamos pedir perdão quando nos afastamos do Senhor e vamos beber em riacho contaminado. Há trevas que os outros provocam em nós com ideias falsas, aí nós precisamos de bons pastores para que nos iluminem e não nos percamos. Paulo apóstolo apresenta à comunidade dos efésios a pessoa de Jesus Cristo, nossa paz. Paulo tem sempre a única preocupação de conhecer Jesus. Como se conhece Jesus? Pela fé, pela pregação e pelas obras. Nunca devemos nos afastar de Cristo, mesmo que nos sejam apresentadas doutrinas que nos parecem mais sedutoras e mais fáceis de serem vividas. Este conhecimento de Jesus é graça e esforço. Sempre devemos renovar o nosso desejo de conhecer Jesus. A nossa fé precisa ser “reciclada”, aprofundada. A importância da catequese e da formação pessoal não só para os que iniciam a caminhada na fé, mas para todo cristão. Quem não se renova corre o risco de ter uma fé morta e esclerosada.

Missão não é só fazer

O evangelista Marcos não fala muito, ele é sóbrio, sintético, diz o essencial. Ele nos relata como os discípulos voltaram do seu trabalho missionário e contaram para Jesus, partilharam. E havia tanta gente… Todos queriam saber como foi, quais as dificuldades, quais milagres tinham realizado. Todos estavam santamente curiosos para saber do resultado da missão. Eram tantas as pessoas e tantas as perguntas que os apóstolos “não tinham nem tempo para comer”. Jesus ficou preocupado e deu um “basta” a tanta curiosidade, e convidou os discípulos para irem com Ele para um lugar solitário, separado, para descansar um pouco. Todos temos necessidade de pausa, de deserto, de descanso depois da missão, para reorganizar as ideias, para pedir perdão do bem que não pudemos fazer para agradecer as maravilhas de Deus, para rezar, para entrar em profunda comunhão com o Senhor. Com este gesto, Jesus quer colocar no coração dos discípulos que missão não é só fazer, contar, mas também entrar dentro de si, descansar para retomar o fôlego e continuar. Mas o descanso que Jesus fala é tempo de oração, de confraternização, de estar juntos. O projeto de Jesus não deu muito certo. O povo viu para onde ia de barco, e o povo conhece atalhos, caminhos mais rápidos, que provavelmente os discípulos não conheciam, e correu na frente. Quando Jesus e os discípulos chegaram ao lugar de descanso lá estava o povo esperando. O povo tem sede de Deus e não mede esforços para procurar, para correr ao encontro dos verdadeiros anunciadores do Evangelho. Não mede sacrifícios.

A alegria do pastor é estar cansado

O povo quer vida, palavras sábias. Jesus teve compaixão da multidão que parecia como “rebanho sem pastor” e esqueceu o descanso e convidou os seus discípulos a não se poupar, a não parar, a não fazer corpo mole e todos começaram de novo a evangelizar. O evangelizador pode e deve pensar no seu descanso… mas se o bem do povo exige que o descanso não seja possível deve anunciar o Evangelho. A alegria do pastor é estar cansado por causa de suas ovelhas. Não tenhamos medo, o trabalho evangelizador feito por amor e com amor não “estressa”. Ele dinamiza, energiza e dá mais força e coragem. O trabalho feito sem amor enjoa, cansa, desanima, estressa e até mata.


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