É impressionante como o universo se move para fazer acontecer aquilo que muitos chamam de coincidência. Todavia, o que aconteceu comigo foi a manifestação da Divina Providência, ou seja, foi a forma do Pai governar e santificar tudo o que criou. Não foi diferente do que aconteceu com Elias, que, confiante, se deixou guiar pela voz de Deus, que pela fé acreditou e nada lhe faltou.
Eu estava muito angustiada com a minha situação financeira e profissional. Então, fui para a reciclagem, um retiro de dez dias que faço todos os anos, pedindo a Deus um milagre: “Senhor, a situação está crítica e já não estou suportando. Eu quero fazer a Tua vontade e Tu sabes que sou capaz de fazer qualquer coisa por Ti. Eu acredito plenamente no movimento perfeito da tua Divina Providência e sei que estou inserida nela. Por amor, intervém!”.
Foram dez dias de escuta, oração, moções, visualizações e muitas inspirações que estavam se ordenando como num quebra cabeça. Acho que a última peça para o entendimento se completar foi um dia que comecei ouvir uma canção de um musical da Comunidade Shalom chamado Resposta que diz assim: “Evangelizar! Evangelizar! Uma lanchonete para evangelizar!”.
Abrindo os olhos percebi que tinha sido um sonho e ao olhar para o lado vi a imagem de São José dormindo que eu deixava no criado-mudo ao lado da cama. Então, entendi para o que Deus me chamava. No mesmo dia, depois de rezar, enviei uma mensagem curta para a responsável local da missão Shalom do Rio de Janeiro, falando que gostaria de partilhar algo que Deus estava me inspirando, que na reciclagem pedi uma intervenção divina e que eu gostaria muito de colaborar com a lanchonete da missão.
Para a minha surpresa, em poucos minutos ela respondeu: “Acabei de sair da Capela, onde estávamos rezando pela situação da lanchonete e acho que Deus nos ouviu”. Emoção e felicidade foi o que senti diante da ação da Divina Providência que agia em mim, num povo, numa terra de missão, e agiu rápido, pois em menos de um mês eu já estava trabalhando naquele lugar santo, onde eu podia me doar por inteiro colocando todos os meus dons à serviço da vinha do Senhor.
No último dia que trabalhei ali, depois da faxina, deixei os irmãos saírem e fiquei sozinha olhando para cada detalhe físico, que para mim era a concretização material daquilo que era imaterial. Ajoelhei-me, beijei o chão e comecei a agradecer a Deus por tudo, pelo tempo que eu estive ali. Que honra! Que honra! Que honra! Quantas oportunidades de amar no cuidado com os outros e na evangelização. E, quando as contas atrasavam, era a oportunidade de confiar em Deus e sair do controle para deixar Ele no comando de tudo.
Vejo nossas lanchonetes como um espaço onde habita o Sagrado. Existe um grande mistério de amor por trás dela. Com ela, iniciou-se a Obra Shalom e, nela, temos a chance de imitar Cristo, levando o Shalom ao mundo. Ali, como no poço de Jacó, onde a mulher tem sede e pede água, podemos oferecer algo “muito maior” que água, suco, milk-shake ou sanduíches. Podemos oferecer a o próprio Cristo!
Tatiane Ximenes