No Domingo (28) iniciamos um novo ano litúrgico, a partir do 1º domingo do Advento. Esse tempo se inicia no domingo seguinte à Solenidade de Cristo Rei e é composto por 4 semanas, chegando ao fim com a vigília de Natal, na noite do dia 24 de dezembro. Nesse tempo, a Igreja volta a se vestir de roxo, pois volta a fazer um prolongado exame de consciência em vista da sua relação com Deus e das graças que Ele nos quer dar.
Para entendermos melhor esse novo tempo, é interessante entendermos que o termo “advento” significa “chegada”. Deste modo, podemos nos perguntar: o que ou quem está chegando? Como é próprio da vida da Igreja, e do cristão, estamos à espera de Cristo, alegria de nossas vidas e fim último de tudo aquilo que vivemos e fazemos. Mas, afinal, Jesus já não veio? Sim, veio, mas virá de novo! E, cá entre nós, é bom lembrar que Ele sempre vem…
Se ficou confuso para você, vou tentar te explicar melhor! O advento é um tempo que podemos dizer que é dividido em 2 partes. A primeira tem como espiritualidade a segunda vinda de Cristo, a Parusia. Por isso, a liturgia nos envolve num movimento concreto de nos prepararmos para a Eternidade, para chegar à Eternidade, para o encontro face a face com Jesus.
Este momento é profundamente marcado pelo clamor da Igreja que suplica “Maranathá”, “vem, senhor Jesus”! Assim, a liturgia nos propõe um forte movimento de exame de consciência em vista do fim dos tempos. A segunda parte, iniciada no 3ª domingo do advento, o domingo Gaudette ou domingo da alegria, traz a marca da fidelidade de Deus que já foi fiel à sua primeira promessa através da primeira vinda de Jesus e permanece fiel. Nessa segunda, parte experimentamos do amor de Deus que, em Jesus, se esvaziou e se fez pobre, assumindo a carne, se fazendo criança.
Assim, entramos num tempo muito especial, carregado de profetismo e de uma profunda esperança neste Deus que veio e que virá novamente. Contudo, vale sempre lembrar: este Deus que veio e virá é também o Deus que vem a nós todos os dias, pela força do Espírito Santo, na nossa vida de oração, abertura a Deus e aos irmãos e vivência dos sacramentos! Deixemos que nesse tempo de esperança e alegria o Espírito Santo nos mova com confiança à conversão que precisamos hoje.
E ainda mais, que advento não seja só um tempo que iniciamos hoje e que vivemos a cada ano, mas seja um incisivo convite da Igreja a todos nós para que, confiantes na presença de Deus e desejosos de amá-Lo mais, clamemos todos os dias “Maranathá” pois Deus quer chegar todos os dias ao mais profundo do nosso coração e nos levar, Ele mesmo, ao encontro com Ele, aquele dia que não findará.
João Rafael Bulhões Ferraz,
Seminarista da Comunidade de Vida
