Caminhamos com alegria e com passo rápido para o Natal, o dia em que o mundo mudou para sempre, a tristeza foi embora, o luto foi substituído pela alegria de uma vida nova; não há motivos, depois do nascimento de Jesus, para ter a cara fechada, pessimista e sem esperança no futuro. Ao mesmo tempo, devemos compreender que o nascimento de Jesus não é um conto de fadas que vai mudar tudo sem nenhum esforço humano. Nada disso. O mundo muda com a cooperação de três pessoas: DEUS, EU E OS OUTROS.
Quando vem a faltar essa cooperação, nada se resolve. Uma coisa é certa: Deus sempre coopera e nunca nega a Sua ajuda; eu e os outros muitas vezes nem falamos neste trabalho de cooperação. Quando o ser humano se nega e se recusa a cooperar, Deus continua a chamar à cooperação, mas Ele tem necessidade de nós. O mundo de hoje está mais preocupado com a morte do que com a vida… É terrível tudo isso. A nossa preocupação não pode ser com a cultura da morte, esta é a cultura de cemitério, “deixa que os mortos enterrem seus mortos” (Mt 8,22); somos chamados à cultura da vida, mas da vida de qualidade, de bem-estar, de paz, de amor e não uma vida que gera medo. Jesus veio para mudar a história, passar do lucro ao amor, da indiferença à atenção; é um caminho que o Evangelho aponta diante de nós através da estrela do Natal, através do amor e dos cânticos que os anjos farão na noite da vida: “glória a Deus no mais alto do céu e paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade. ” (Lc 2,14).
Desde sempre os anjos provaram este canto para semear sobre a terra uma chuva de paz e de alegria. Devemos vestir a roupa de festa, sair pelas ruas afora não vestidos de Papai Noel e nem de máscaras para nos esconder; devemos sair com o rosto descoberto e com o sorriso. Nesta semana, ontem, tivemos a solenidade da Imaculada Conceição, esta solenidade em que Deus dá de presente a Maria o dom de ser livre do pecado original, uma infecção que nos veio pelo pecado de Adão e Eva. Maria foi vacinada pela graça de Deus.
Nesta semana, temos a festa de São João da Cruz, um santo que na Igreja é guia pelos caminhos obscuros que levam à luz do encontro com Deus. Sua doutrina, seu exemplo muito nos ajuda a compreender que não são as estruturas e nem os tempos em que vivemos que fazem os santos, mas sim a abertura que nós temos no nosso coração para acolher a palavra do Senhor em nossa vida e transformá-la em prática. Vivemos num mundo, seja humano, social ou eclesial de muitos mestres que não são mestres. Precisamos voltar-nos aos verdadeiros mestres, que nunca eliminam a cruz da vida, mas dela fazem caminho que leva para o céu.
Alegria… Paz… Glória… Justiça (Cf. Br 5,1-9)
Se fizermos uma leitura atenta deste texto que a Igreja nos propõe de Baruc, escutaremos várias vezes repetir as palavras-chave que devem abrir a porta da Nova Aliança. É necessário depor as vestes de tristeza e de luto, de pessimismo em si mesmo e de crer que o projeto de Deus fracassou, e vestir-se de novas vestes e de nova linguagem profética, mas real, como a alegria e a paz. Justiça e glória são palavras carregadas de otimismo, não bobo, mas fundamentado sobre a fé. O Senhor vem pelos profetas, mas irá chegar o tempo em que ele virá em pessoa para mostrar-nos todo o Seu amor. Nunca Deus poderá desanimar de salvar o ser humano que Ele mesmo criou por amor, com amor e para o amor. É um caminho através do deserto da noite, mas que um dia será luz e jardim fértil.
A glória de Deus é a nossa missão (Cf. Fl 1,4-6.8-11)
Paulo Apostolo é otimista, cheio de esperança e sente que a comunidade de Filipos está crescendo nas obras de amor e no conhecimento da pessoa de Jesus. Está feliz, mas a sua felicidade não é para si mesmo, mas para o Senhor, que derramou nos corações da comunidade a graça e a bondade. Tudo o que fazemos e dizemos deve ser para a honra e glória de Deus. Devemos sempre ter cuidado para não buscar na evangelização a nossa glória e honra. Seria fumaça do diabo, que nos engana, não somos nós que fazemos, mas é Deus que opera em nós. Ser missionário da encarnação comporta sempre o pleno esquecimento de si mesmo; anunciamos não a nós mesmos, mas a Jesus.
A Palavra de Deus desce no deserto (Cf. Lc 3,1-6)
Não há atualização do mistério da salvação sem a cooperação dos homens. Deus não desiste de salvar a cada um de nós, e por isso envia os seus profetas, que não se encontram nas salas de espera “vip” e nem no meio dos prazeres e do poder, mas que vem do deserto e voa ao deserto para escutar o que Deus diz. João Batista está no deserto e Deus vai chamá-lo para que retorne no meio do povo e anuncie o novo batismo de penitência, porque o tempo da vinda do Salvador, do sol da justiça, está perto.
A Igreja é sempre profética e percorre continuamente o seu caminho da cidade ao deserto e do deserto à cidade. São tempos necessários para um verdadeiro e autêntico profetismo de qualidade e de credibilidade.
Deus nos abre uma estrada nova: Jesus. Cabe a nós, porém, aceitá-la e percorrê-la com alegria. Uma estrada nova, a Igreja, a nos aceitar, o nosso sair para as periferias e os desertos do mundo, uma estrada nova, o mundo, para que nós sejamos no mundo uma luz, uma voz que clama e chama a uma conversão, a uma acolhida dos últimos, dos pobres e dos pequenos.
É tempo de fixar os nossos olhos no Cristo Jesus que, nascido da Virgem Maria, veio. Ele vem e ele virá a cada cristão que nele crer e tiver a habilidade de atualizar esta vinda do Salvador. O caminho é sempre o mesmo, a conversão.
Oração
Senhor, chama-me da cidade ao deserto para Te escutar. Envia-me do deserto à cidade para anunciar a Tua vinda. E que eu possa também abrir uma estrada nova e indicá-la aos meus irmãos e irmãs, a estrada da conversão, sendo eu um convertido que dá testemunho de Jesus, verdade, caminho e vida. Amém.