A Vida Consagrada não é natural, sempre me pego pensando na loucura que é viver uma vida verdadeiramente cristã, sendo esposa, profissional, mãe e missionária.
Quando jovem, imaginava minha vida sempre muito cheia de compromissos profissionais e sucesso, queria me tornar uma mulher invejável, mas os planos de Deus superam os nossos e hoje só tento ser uma mulher exemplar.
Não que seja espelho, mas que dê reflexo da misericórdia que me alcançou e pode a qualquer um também transformar.
Na lógica do tempo para essa vida nova eu perderia frustrada, então sempre tento usá-lo a meu favor. Em uma fila de espera aproveito para rezar o terço, quando tenho um tempo no trabalho procuro responder todas as minhas filhas (espirituais). Em casa, entre cortar um tempero e outro grito ao meu esposo que o amo, enquanto ele está no quarto ajeitando os lençóis.
O trabalho é missão!
Todo dia é partir para pousar no coração do próximo. E tentar com tudo que tenho e sou dar sabor e luz para cada um que encontro, mesmo que o encontro se resuma a um “boa tarde”. Penso que talvez essa saudação seja o único contato que esta pessoa terá com o evangelho naquele dia.
Entre os compromissos comunitários procuro não pensar muito se vou servir num retiro ou dar uma pregação. Aceito. Pois, é Cristo quem pede! Se pensar demais, corro o risco de achar que o tempo manda no meu tempo.
A cada dia sinto essa nova oportunidade única para ser melhor, para ser de Deus, para ser Santa.
E descanso?
Descanso, descanso no Senhor, nas vigílias ofereço o que restou de mim naquele dia. Nas orações pela madrugada vendo o dia clarear e o Sol nascer em mim. Na Eucaristia partida que me torna inteira. Descanso. Descanso no Amor.
“É inútil tentar compreender quão sobrenatural é esta graça que recai na minha e na vida de tantos que sentiram esse chamado. É uma vida diferente, feliz, plena. Que atrai, apaixona, perdida, e encontrada em Deus.”
Talvez a única coisa neste caminho que tenho certeza é que muito pouco depende de mim, entre respostas lentas e quedas, o Senhor foi sempre quem me sustentou. Esta vida pouco diz sobre mim, diz Daquele que me salvou e perdoou. Toda Glória pertence assim Àquele que tudo em mim realizou.
Layna Cravo
Consagrada da Comunidade de Aliança