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Visita ao Vaticano da Igreja Evangélica Luterana dos Estados Unid

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Bento XVI procede da terra de Martin Luterno, o homem que contribuiu a desencadear a Reforma Protestante.

Hoje, quase quinhentos anos depois, aqueles cujas raízes eclesiais remontam-se às terras alemães esforçam-se em preencher a lacuna e curar as feridas abertas na cristandade durante séculos.

Na semana passada, delegados da Igreja Evangélica dos Estados Unidos (ECLA) visitaram a Cidade Eterna em uma viagem «ecumênica» pela Europa. Em Roma, presentearam a Bento XVI um ícone de Santo Agostinho, sem dúvida um de seus autores preferidos.

O reverendo Lowell Almen, secretário da ECLA, em declarações a Zenit, explica que o grupo viu a visita a Roma como inspiradora, especialmente a parada na Basílica de São Pedro. Puderam constatar as inumeráveis orações que se têm elevado desde este lugar, quase sem cessar, desde antes do século IV.

«É uma lição da continuidade da Igreja, da fidelidade do povo e da transmissão do Evangelho através das gerações», declarou a Zenit o pastor.

Os membros de seu grupo, reconheceu, estavam aqui porque «o ecumenismo é obviamente assunto de eclesialidade e esforço».

«Implica estudo teológico e empenho –indicou–. Mas outra dimensão do ecumenismo é pessoal: desenvolver a compreensão e a confiança mútua».

Para construir esta compreensão, a delegação conversou com o cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

«Esta amável relação e contato dura há anos –disse por sua parte a Zenit o bispo luterano Roy Riley, de Nova Jersey–. Mais recentemente, tivemos o privilégio de ter o cardeal Kasper em Chicago, para participar da celebração do quinto aniversário da declaração conjunta de católicos e luteranos sobre a doutrina da justificação».

Enquanto o cardeal Kasper falava com o grupo sobre avanços ecumênicos, ECLA aproveitou a ocasião para propor uma aceleração nas relações entre as duas denominações nos Estados Unidos.

O reverendo Almen constatou a Zenit que «o diálogo entre as Igrejas Católica e Luterana de EUA vai adiante desde há 40 anos e colheu alguns frutos muito significativos».

Este ano, as duas partes completaram a décima ronda de conversações sobre o tema da Igreja de salvação, suas estruturas e ministros.

As relações católico-luteranas avançaram também no patamar básico. «Em Camden, Nova Jersey –explicou o bispo Riley–, a segunda cidade mais pobre do Estado, a diocese católica e a luterana trabalham muito juntas para proporcionar assessoramento e tutela legal às pessoas que vivem na pobreza. A relação entre os serviços sociais luteranos e as organizações humanitárias católicas pode ser decisiva».

Contudo, o itinerário ecumênico não é fácil. Algumas questões continuam dividindo as duas partes, desde temas teológicos a ministeriais.

Mas a ECLA sente que é sua obrigação «fazer tudo o que puder para enfrentar estas questões e procurar uma maior compreensão mútua pelo bem do Evangelho e em fidelidade a Cristo», considerou o reverendo Almen.

«Reconhecemos que, como luteranos, só temos meio milênio de história. Mas, aqui em Roma, em Istambul, Londres e Genebra, podemos sentir os milhares de anos que transcorreram na história da Igreja una, santa, católica, universal e apostólica. Isto representa uma oportunidade para aprofundar nossa consciência e transmiti-la às gerações futuras».


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