
Como dizia, eu era uma criança diferente, com uma imaginação fértil, que gostava de se apresentar, dançar, interpretar, ou seja, uma criança versada para as artes.
De tanto ouvir: arte não enche barriga, os artista são todos uns desocupados e diversos outros esteriótipos, resolvi que não queria mais ter esse lado artístico. Ledo engano. A arte sempre me acompanhou, mesmo quando eu não queria. Hoje eu percebo que grandes coisas na minha história são reveladas através das artes.
E a vocação? Calma, vou chegar lá. Em 2003, eu participava de uma comunidade no meu bairro. Eu era do ministério de música. Até que um dia, um pregador do Shalom foi falar sobre o amor de Deus. Já era a décima vez que eu escutava aquela pregação, mas resolvi escutar. Foi quando uma frase mudou a minha vida. No meio do seu discurso a pessoa diz: “você só será plenamente feliz no local que Deus quer que você esteja”. Aquela palavra criou uma raiz que até hoje dá frutos. Mas como sou lenta para entender a voz de Deus, continuei na minha vida cômoda.
Foi então que num dia de domingo, fui para o meu grupo de oração como era de costume. Ao colocar o primeiro pé porta adentro, me dá um sentimento de vazio, de saudade, de incompletude, não sei explicar, uma ausência de algo que eu não sabia o que era. Acho que estou ficando louca, pensei. As coisas pioraram quando me veio uma crise de choro. Sentei à porta da sala e me derramei em lágrimas. Sem entender, eu me lembrava da palavra: “você só será feliz onde Deus quer que você esteja”. O povo passava, olhava e continuava o seu percurso. Até que uma amiga minha senta ao meu lado e sem perguntar nada, me entrega um panfleto que dizia: vocacional shalom , aberto, e uma foto de um tau. Eu não sabia o que era vocacional, muito menos o aberto. Mas o tau me chamou muita atenção.
Resolvi ir para esse vocacional aberto, mas com o coração fechado, pois eu pensava: porque mudar de comunidade? eu já sou da Igreja, já sirvo a Deus… Mas eu tinha uma concepção errada de doação de vida, eu achava que eu tinha muitas coisas para dar na comunidade, e achava que ela iria perder, caso eu saísse. Mas naquele momento era Deus quem queria me dar, gratuitamente, uma vocação.
O local onde se deu o vocacional é bem sugestivo, foi em um teatro, aqui em Fortaleza. E mais uma vez a arte na minha história. Quando eu cheguei lá, achei tudo muito diferente: o povo diferente, as músicas diferentes, as palmas e até o jeito de rezar eram diferentes.
E quando acabou eu disse: não volto mais aqui! Que nada! Eu contava os dias para o próximo vocacional e assim estou até hoje. Faz 10 anos que faço parte da comunidade shalom, sou do projeto artes e muito feliz, servindo a Deus no que Ele me chamou a ser. Hoje não me vejo em outro lugar. Todos os dias eu tenho a experiência de que não sou eu que posso dar grandes coisas a Deus, mas é Ele, que em sua grande generosidade, se dá a mim diariamente e me deu essa belíssima vocação.
Shalom
Maria Neide