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Você acredita em Milagres?

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Dom Redovino Rizzardo, cs – Bispo Diocesano de Dourados

     Suponhamos que haja alguém doente, e essa doença esteja atrapalhandosua caminhada. O Senhor, que ama essa pessoa e quer tirá-la dessasituação dolorosa, usa de alguém repleto do Espírito Santo: quem curanão é a pessoa em quem o Espírito se manifesta, mas o próprio Espírito,por meio dela [pessoa]. Alguém desorientado precisa da condução deDeus. O Senhor ama essa pessoa, quer vir em seu auxílio, então semanifesta em alguém repleto do Divino Amigo, para comunicar a palavrade sabedoria, de discernimento, para resolver a situação de ansiedade.

     A eletricidade, por exemplo, se manifesta de diversas maneiras,gerando luz, som, calo, gelo… Mas ela não anda sozinha por aí; sãonecessários fios condutores. Se desligarmos a tomada, acabará a energiaelétrica. Acontece o mesmo com o Espírito Santo, que se utiliza de umarede de pessoas repletas d’Ele, que manifestam os dons: ora é umapalavra de sabedoria, ora de profecia; ora é uma cura; ora é ummilagre; ora é discernimento; ora é ciência…. de acordo com a vontadedo Senhor e a necessidade do povo d’Ele.

     Nunca estive nos Estados Unidos. Por isso, não posso provar o quepasso a relatar. Contudo, pelas inúmeras fotos que me foramapresentadas, algo de estranho realmente aconteceu em Santa Fé, noEstado do Novo México, há aproximadamente 130 anos, por volta de 1880.Aliás, se 250.000 pessoas visitam o local todos os anos, não será pornada!

     Vamos aos fatos. Naquela cidade, há um colégio dirigido porreligiosas. No final do século XIX, elas quiseram enriquecer seueducandário com uma nova e bonita capela. Mas, ao terminarem ostrabalhos da construção, perceberam que havia sido esquecido… umdetalhe: para chegar ao coro, colocado no alto da porta principal daigreja, os cantores não sabiam por onde subir, já que ninguém pensarana escada!

     E agora, o que fazer para não prejudicar a arte e o estilo dacapela? Para não cometer uma nova gafe, as religiosas, muito devotas,pensaram, antes de tudo, em rezar. Fizeram uma novena a São José, jáque o Evangelho o apresenta como carpinteiro. No último dia, umdesconhecido bateu à porta do convento. Dizendo-se entendido emmarcenaria, prometeu resolver o problema. No final de uma semana, sem aajuda de ninguém, ele entregou a escada, por todos considerada umprodígio da carpintaria e uma obra de arte. Desde logo, o fato suscitouinúmeras dúvidas e perguntas.

     Primeiramente, ninguém sabe como a escada ficou e continua de pé atéhoje, já que não dispõe de nenhum suporte central. Arquitetos,engenheiros e cientistas não entendem como se mantenha em equilíbrio. Oconstrutor não usou pregos nem cola, mas cada pedaço de madeira estáencaixado no outro. Por falar em madeira, não se sabe donde veio. Foramfeitas inúmeras análises e não se descobriu nada parecido em toda aregião. De sua parte, mal terminou a obra, o carpinteiro sumiu, semdeixar vestígios e sem esperar pelo pagamento. Por fim, um último“enigma”: a escada tem 33 degraus, a idade com que Cristo findou a suajornada terrena.

     Tantas coisas estranhas levaram as religiosas e o povo a pensar nummilagre. O misterioso carpinteiro seria o próprio São José, que tiveracompaixão das irmãs, não muito entendidas na arte da construção. Desdeentão, a escada passou a ser objeto de veneração, vista como um sinaldo imenso amor com que Deus vem em socorro de seus filhos.

     Mas não é apenas Santa Fé que se orgulha de apresentar fatosinexplicáveis. São centenas as cidades que alardeiam casos semelhantes– e não apenas dentro da Igreja Católica. Quem não ouviu falar dosmilagres Eucarísticos de Lanciano ou do Pe. Cícero, para citar apenasdois exemplos? Pode ser que até mesmo na vida de alguns dos leitoresaconteçam, ou tenham acontecido, coisas anormais – ou paranormais!

     Mas, tais fatos, serão sempre milagres? E se o forem, por queacontecem? A esse respeito, o Catecismo da Igreja Católica tenta umaexplicação: «Os milagres fortificam a fé naquele que realiza as obrasde seu Pai; testemunham que Ele é o Filho de Deus. Não se destinam asatisfazer a curiosidade e os desejos mágicos. Ao libertar certaspessoas dos males terrestres da fome, da injustiça, da doença e damorte, Jesus operou sinais messiânicos; não veio, no entanto,para abolir todos os males da terra, mas para libertar os homens damais grave das escravidões, a do pecado, que os entrava em sua vocaçãode filhos de Deus e causa todas as suas escravidões humanas».

     Foi exatamente isso que Cristo quis ensinar ao atender pessoas embusca de milagres e prodígios. Sempre me impressionou um fato narradopelo evangelista Mateus. Um grupo de amigos leva um paralítico a Jesuspara que o cure. O Senhor, porém, “finge” não entender e oferece aodoente a liberdade e a paz, por meio do perdão dos pecados, coisa queninguém havia pedido. Para Deus, a saúde física tem sentido se existe asaúde espiritual: «Para que se saiba que o Filho do Homem temautoridade na terra para perdoar pecados – disse, então, ao paralítico–, levanta-te, toma a tua maca e vai para casa!» (Mt 96).

     Os milagres visam sempre o amadurecimento na fé, o crescimento nasantidade e a decisão de fazer da própria vida um serviço aos irmãos.Foi o que fez a sogra de Pedro: ao ser curada por Jesus, «ela selevantou e se pôs a servir» (Mc 1,31). Não se trata de milagres, ouseja, de intervenções divinas, se o que se tem em vista são apenascaprichos e vaidades. Aliás, mesmo que Deus atendesse a todos ospedidos que o homem lhe dirige, este nunca se sentiria saciado, teriasempre uma queixa a fazer e, na melhor das hipóteses, no final da vida– como diz o salmo 49 – «seria semelhante ao gado gordo pronto para omatadouro».

     Se Jesus apresentou a sua morte e ressurreição como o maior sinalpara quantos desejam acreditar n’Ele (Cf. Mt 12,40), converter-se,mudar de atitudes e ficar de pé nas tempestades da vida é sempre ogrande milagre operado por Deus em quantos o buscam de coração sincero.


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