A única coisa que temos clareza nestes dias é que a nossa vida precisa e, com certeza, vai mudar. Não se trata de prever o futuro, mas de analisar a história do que já aconteceu em situações parecidas no passado.
Certamente os nossos dias não serão os mesmo. Não é que foi gerado um novo futuro ou uma nova perspectiva de vida, mas o período de pandemia foi como um acelerador de um futuro que já vinha sendo desenhado e que não está distante, os dias foram abreviados e nós fomos convocados a uma mudança mais brusca.
O mercado de trabalho, que antes já estava voltado para o online, agora está totalmente conectado nas redes. Antes, apenas a geração z crescia exponencialmente e já prevíamos um futuro, muito próximo, em que as pessoas estariam vivendo mais no digital. De agora em diante, será quase impensável alguém, seja pessoa física ou jurídica, que queira ter relevância, principalmente na vida profissional, ficar fora do mundo digital.
Quanto à vida familiar, não é preciso dizer muito. Todos nós, felizes ou não, fomos convocados para dentro das nossas casas e obrigados a ficar de frente com a felicidade de estar em família, ou com o desespero que é estar em família. Para nós cristãos, essa oportunidade nunca pode ser o desespero de estar em família.
Se já estávamos trabalhando na construção do reino de Deus dentro de nossos lares, olhando para ele como o nosso primeiro campo de missão, certamente encontramos neste período de quarentena um oásis em meio à tribulação. É a oportunidade de desfrutar de algo que já havíamos plantado ao longo do tempo. Agora, se está difícil encarar a realidade de uma família turbulenta, é urgente sairmos dessa quarentena com um foco, um objetivo bem específico em relação aos nossos familiares.
Existem especulações sobre as futuras tendências de estilo de vida e consumo no pós-COVID-19 e é muito bom perceber que na crise, no aperto, no desespero, as coisas tendem a mudar. Em um futuro próximo, nós vamos colher bons frutos disso tudo. Um consumo mais consciente, um planejamento financeiro, o respeito à natureza, a digitalização, a valorização da vida, a saúde e o bem-estar, a empatia, e vários outros pontos que certamente terão uma nova roupagem a partir de agora.
O nome “quarentena” é muito sugestivo para nós, e não devemos achar que é coincidência. Há poucos dias, estávamos vivendo o período da quaresma; na verdade o período de isolamento social aqui no Brasil iniciou dentro da quaresma. Muitos de nós fomos pregados na cruz.
A infecção ou morte de alguém próximo, a crise financeira, o isolamento em si.. só Deus sabe das cruzes particulares de cada um, mas de uma coisa nós não temos dúvida: assim como ao final da quaresma tem o domingo de páscoa, o futuro que nos espera será para nós uma ressurreição.
Pensando no pós-quarentena, no pós-COVID-19, temos a certeza que a humanidade inteira parou para repensar os seus valores. As novas tendências nos aguardam em um futuro próximo, e nós devemos parar um pouco – este momento é propicio para organizarmos o interior e o exterior, e prontamente estarmos disposto a uma nova vida.
Luiza Ambrosina

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