Hoje é o dia da propaganda, e resolvemos apresentar uma reflexão diferente. Pense comigo: se Jesus fosse uma campanha publicitária? … sua estrutura seria perfeita. Como assim? Tá louco? Claro que não! Usando a lógica da propaganda, eu explico.
Primeiro, houve um importante período de teaser, com os profetas do Antigo Testamento criando expectativa em torno do tal “Messias”, que salvaria todos que viriam a existir. Depois rolou a massificação desse teaser, num misto de aquecimento e pré-lançamento, com João Batista fazendo a ponte entre as profecias e a efetiva chegada do aguardado personagem.
A campanha em si, ficou concentrada nos três últimos anos de vida de Jesus, diga-se de passagem, que nesses últimos anos a vida Dele se tornou pública, e era só sucesso. Enquanto “atuava” no presente, demonstrava sintonia total com o que diziam os profetas no passado, coerência entre teaser e lançamento da campanha, isso potencializava o impacto da mensagem.
O ápice da crucificação, com sua enorme carga simbólica e com a ousadia de marcar uma mensagem de vida através de um momento de morte, coroou todo o projeto com um sucesso jamais visto. Desse ato, surgiu a marca mais forte da história e a imagem mais mobilizadora de que se tem notícia.
A sustentação, aberta com a chocante notícia da Ressurreição, e conduzida por seus discípulos no mesmo tom emocional de toda a campanha, obteve imediata adesão de vários seguidores, que rapidamente se multiplicaram em progressão geométrica, apesar das grandes e cruéis perseguições das “concorrências”.
Mais tarde veio, a marca da cruz, a vinheta sonora dos sinos, os temas musicais, desde os clássicos compostos por Bach até os jingles cantados nas celebrações. Também surgiram outras coisas que ajudam até hoje a Igreja a crescer em visibilidade, como o calendário de eventos, que vai das missas, festejos de padroeiros, passando por batizados aos casamentos e outros sacramentos, que fazem com que o público continue tendo contato com a mensagem original.
Arrisco-me a dizer que ainda temos um instrumento muito valioso de pesquisa, feedback, que são as confissões, onde podemos colher do público informações sobre as maiores apreensões, as tendências e os nichos de comportamento, embora não haja processamento de informações, porque é tudo indelevelmente sigiloso, não deixa de ser uma forma de atualizar as mensagens veiculadas nos diversos eventos, dando-lhes crescente relevância de conteúdo.
Tudo isso sem business plan, sem reuniões intermináveis de diretoria, sem complicações – tudo conduzido pelo Espírito Santo. Uma ideia forte, apresentada ao público com a força que ela merecia e com a simplicidade que só as grandes ideias têm – neste caso, a melhor das “idéias”, o real.
Jesus não só é ainda hoje o maior e melhor “comunicador” de todos os tempos, mas também é o melhor “publicitário” dentro das instâncias da comunicação, que soube utilizar das ferramentas certas, dos meios certos e das formas certas. Gênio, criativo, simples, descomplicado. Ele tinha um objetivo, Ele tinha uma estratégia, Ele tinha um plano e com o plano de comunicação perfeito fez dar certo.
Essa leitura publicitária da vida de Jesus, claro, que é só um exercício de imaginação para celebrar esse dia, e é uma forma de expressar o desejo de que a experiência do encontro com a pessoa de Jesus, que está acima de qualquer ferramenta de propaganda, seja vivida por todos, inclusive, nós, publicitários.
Tarcísio Santos
