Ser pai é dom de Deus. Faz com que homens participem do amor divino numa experiência singular. Fonte de cura, amor e plena realização.
Neste domingo dedicado aos pais, entrevistamos Rodrigo Santos, consagrado com promessas definitivas na Comunidade de Aliança, na Missão de Santo André. Ele nos dá testemunho da sua vocação paterna no matrimônio e no pastoreio de almas. Confira:
Como você descreveria a graça e os desafios da paternidade biológica?
A grande graça da paternidade biológica é poder ser expressão do amor do Pai. Desse amor misericordioso, terno de Deus, compreensivo, compassivo. Do amor que corrige, que coloca retidão nas situações, que educa.
Poder saber que eu sou expressão deste amor é uma graça de amar meus filhos de todo o coração. Claro que o nosso amor não é como o de Deus, mas é um amor de entranhas mesmo. Quanto é um presente ter filhos!
Entre os desafios estão a educação, as preocupações com o dia-a-dia, com o trabalho, de sempre dar algo aos nossos filhos, o alimento. Porém a dimensão da educação é uma preocupação, um desafio pra mim. Hoje eu trabalho, estou na Comunidade [como consagrado Shalom], então não disponho do tempo que eu gostaria de ter com eles.
Outro desafio é como o tempo corre veloz! Perceber o quanto eles têm crescido rápido gera o desafio de aproveitar cada momento. É preciso conseguir conjugar os compromissos para estar com eles.
“Depois que eu fui pai minha vida foi transformada, mudou totalmente. Eu sou um novo homem. É um privilégio ser pai. É um privilégio educar, e é um privilégio amar. Ter alguém por quem se doar.”
Como foi seu chamado à paternidade e ao matrimônio?
Eu sempre quis me casar, sempre tive esse desejo.
Quando eu entrei na Comunidade, eu passei a ver as famílias nela. Então esse desejo foi crescendo no meu coração ao ver os filhos, como eram as famílias, como eles estavam na Comunidade: viviam a oração. Filhos que rezavam, que eram muito respeitosos com a Santa Missa… Claro, existe uma diferença de comportamento entre as idades, mas eu fui me sentindo cada vez mais impelido e desejava realmente ter uma família.
Sem dúvida, eu passei por vários conflitos interiores. Quis ser padre, ser celibatário… Porém, de 2013 a 2015, fui intensificando esse discernimento, e comecei a caminhar com a Natália. Nós começamos a namorar, um relacionamento de cerca de três anos, e então eu a pedi em noivado. Quando percebemos que realmente era vontade de Deus nos casarmos, fomos dando passos.
Compramos um apartamento na planta, pedimos à Comunidade, fizemos todo o processo de discernimento. Nos casamos em 2 de fevereiro de 2019.
A partir daí, a nossa família foi crescendo e crescia o desejo cada vez maior de ser pai, de viver essa vocação da paternidade. Nasceu a Lorena, tempos depois nasceu o Benício, e então o Pedro. Tem sido uma grande graça viver esse chamado todos os dias, e perceber no cotidiano da vida que essa é a vontade de Deus para mim, que eu estou vivendo o plano de Deus, vivendo a minha vocação.

O que você diria àqueles que têm medo de viver a vocação de pai e esposo?
O mundo precisa de homens, de pais que amem e deem as suas vidas por suas mulheres, que deem as suas vidas por seus filhos. Essa é a vocação do homem: dar, partilhar a sua vida. Nosso Senhor nos ensina isso, darmos a nossa vida pelo outro, e a paternidade é um grande instrumento de doação, de oferta de vida, de consumação. De cruz e ressurreição todos os dias também.
Em meio às preocupações, às doenças, às alegrias e aquele orgulho que o pai tem da filha aprender a ler, de saber um passinho de dança novo, uma música nova.
Quando os nossos filhos aprendem a falar e dizem ‘papai’ pela primeira vez… É uma graça muito grande! São as ressurreições vividas.
“Existem as dificuldades, sem dúvida nenhuma, mas que vão nos forjando na santidade também como pai. Assim Deus vai fazendo a sua vontade nas nossas vidas. Não tenha medo de se casar, de doar a sua vida, de fazer a sua família feliz.”
Como é ser pai espiritual?
Faz um tempo que eu vivo isso dentro da Comunidade, de poder ajudar os irmãos como pai. Como é bom perceber que o Senhor nos confia, almas, pessoas, para sermos instrumentos de voz de Deus na vida delas.
É uma grande responsabilidade também. Temos que rezar muito, comungar, adorar muito o Senhor, recorrer sempre à Virgem Maria para vivermos isso.
“O pai espiritual precisa ser um homem de oração.”
Como os filhos espirituais te marcaram na sua paternidade?
Investimos tempo na vida das pessoas, nos colocamos sempre atentos. Mesmo que passem por dificuldades e precisem se afastar, precisamos estar perto de alguma forma. Ver que estes estão em Deus e vendo tudo nEle, me edifica muito. Não porque eu fiz alguma coisa, mas porque aquele filho seguiu aquela orientação que demos e persistiu em Deus, na vocação. Pessoas que cresceram na Comunidade através da insistência, do acompanhamento pessoal, da ajuda que foi dada através de uma formação. Então, a acolhida também foi dada a essa pessoa, e ela amadureceu depois de passar por dificuldades.
Por que vale a pena dizer ‘sim’?
Sinto e percebo que a paternidade espiritual e a paternidade biológica em mim se complementam. Estavam muitas vezes se tornando uma coisa só, não há distinção, pois ser pai é ser misericordioso, ser atento, ser compassivo, também corrigir, e acredito que na Comunidade a gente viva isso também. Aqueles que vivem a paternidade espiritual.
Vale a pena dizer sim porque Jesus disse sim, e Ele nos chama. Este sim gera muitos outros: sim à santidade, à vontade de Deus, ao Carisma Shalom, e sim a uma vida com sentido.
E a você, que é pai e ficou com o coração aquecido após essa entrevista, temos um convite especial:
A Missão de Santo André realizará um retiro para casais nos dias 10 e 11 de outubro. Venha beber do amor e da alegria que impulsionam a missão e a vida em família.
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Silvia Cunha
Discípula da Comunidade de Aliança
Missão Santo André (SP)
