Shalom

A oferta de vida dos missionários que são de outras nacionalidades

Conheça a história de duas consagradas da Comunidade que deixaram pátria, familiares, língua e cultura para evangelização no Brasil.

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Adriana da Colômbia; Bertrand da República Democrática do Congo e Chiara da Itália (Imagem/Arquivo pessoal)

Dando seguimento à nossa série de testemunhos sobre a vida missionária, hoje vamos conhecer um pouco da história vocacional de duas consagradas da Comunidade de Vida estrangeiras, uma peruana e outra colombiana, que deixaram sua pátria, seus familiares, sua língua e cultura para evangelizar em terras brasileiras.

A decisão de amar

Meu nome é Carolina Cecilia Ríos Trigoso, carinhosamente chamada de Carito pelos demais irmãos missionários de minha comunidade, aqui no Brasil. Sou peruana e ingressei na Comunidade de Vida em 2017. Hoje, sou consagrada com promessas temporárias. Em dezembro de 2021, professei meus primeiros votos no celibato. Atualmente moro em Fortaleza/CE, na Casa Mãe, e sirvo no Economato Geral, no setor da tesouraria. 

Nesta pandemia, tenho testemunhado muito o cuidado e a providência de Deus para conosco. Os tempos são difíceis, mas se vivermos abandonados no Senhor e confiando Nele, nada nos faltará. Ele cuida de tudo e de todos. Por trabalhar na área financeira da Comunidade, posso tocar muito de perto nessa realidade. 

Experimento que viver o conselho evangélico da pobreza no nosso Carisma não é só passar pela carência de bens materiais, mas viver a liberdade de presentearmos uns aos outros com a maior riqueza de todas, que é o próprio Deus. Também compreendi que viver a castidade não é uma esterilidade austera, mas é o caminho para amar. Experimento que viver a obediência é a vitória do estilo de vida de Jesus sobre a minha própria anarquia, sobre as minhas desordens.

Mas compreender tudo isso não foi fácil, precisei me determinar, decidir-me por amar e abraçar minha missão, a terra de missão que Deus me confiou, o povo que me deu para cuidar. Por ser estrangeira, precisei me inculturar, tive desafios com a língua, precisei sair de mim, de minhas vontades, daquilo que considerava até justo o lícito, precisei me esvaziar, mas por Amor a Deus, tudo isso é possível! 

Perguntam-me se eu faria tudo de novo ou mudaria algo? Não mudaria nada e faria tudo do mesmo jeito. Deus é a feliz surpresa da minha vida e para além das lutas, meus desafios e fraquezas, sou muito feliz com a vida que Ele pensou para mim desde sempre. Vale a pena viver a cada dia uma obra nova cheia de sentido, ofertando a minha vida por amor.

A força do chamado de Deus ultrapassa todas as barreiras

Eu sou Adriana Rivera, sou colombiana e há dez anos vim pela primeira vez ao Brasil. Quando conheci a Comunidade Shalom, fiquei tão impactada com a juventude dos missionários que com alegria davam suas vidas e se ofertavam em uma vida de abandono total nas mãos de Deus, que fui me aproximando cada vez mais e, após a JMJ no Rio de Janeiro, fui em missão para a missão de Guarulhos/SP. 

Inicialmente, percebia claramente as minhas diferenças culturais e da língua, mas a experiência com Deus era tão real e intensa, que essas diferenças eram pequenas diante do desejo pela vontade de Deus. Ingressei na Comunidade de Vida em 2014 e, a partir dali, a vocação foi se desabrochando na medida que ia me aproximando de Deus e vivia o dia a dia dos missionários.

Era tão belo perceber que o Carisma tem uma força maior do que eu, que ultrapassa as barreiras que eu poderia ter, por não ser brasileira, ou não ter conhecido antes a Comunidade. O Carisma Shalom está dentro daqueles que são chamados e eu vivia claramente esse processo de encarnar a essência daquilo que sou, filha de Deus, Comunidade de Vida Shalom.

Adriana em missão (Arquivo pessoal)

Não foi fácil deixar minha língua, minha família, meus amigos, minha cultura, a comida que gosto, o clima frio da cidade de Bogotá/Colômbia, onde sempre morei, e tantas ofertas concretas, mas logo no início compreendia que o mais importante era o que Deus desejava para mim e, na medida que eu me lançasse na Sua vontade, também iria me encontrar na minha essência e assim tenho provado durante esses oito anos de vida missionária. 

É verdade que, por estar em outro país, existem obras interiores particulares, mas também compreendo que são obras necessárias em vista do caminho de conversão à Santidade que Deus tem para mim. Com o tempo, vou me aprofundando no grande tesouro da vocação que me indica um caminho concreto para amar a Deus na contemplação, unidade e evangelização, e vou vivendo a minha vida missionária com toda alegria pela misericórdia de Deus que me escolhe, me acolhe e me chama para estar perto dele nessa magnífica vocação. 

 


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