Formação

A Testemunha que sempre esteve ali

A vida se torna mais simples quando deixamos de procurar desesperadamente testemunhas para a nossa história e descobrimos que a Testemunha de que precisávamos sempre esteve ali: Jesus. 

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“Encontrei o meu céu na terra, porque o céu é Deus e Deus está na minha alma.” — Santa Isabel da Trindade

Há uma experiência que se torna cada vez mais clara para mim: Deus não perde nada da minha vida.

Na minha infidelidade, Ele é fiel. Na minha miséria, Ele é misericórdia. Na minha dor, Ele é consolo.

Muitas vezes procuro que outras pessoas sejam testemunhas da minha história. Gostaria que vissem minhas lutas, meus esforços, minhas alegrias e meus sofrimentos. Busco reconhecimento, conselho ou simplesmente alguém que caminhe ao meu lado. No entanto, pouco a pouco fui descobrindo que existe Alguém que já conhece tudo isso e que, antes mesmo que eu Lhe diga qualquer coisa, já está presente.

Nada do que vivemos passa despercebido a Jesus

Talvez essa busca por sermos vistos e amados seja profundamente humana. Como afirmava São João Paulo II:

«”O homem não pode viver sem amor.”»

No fundo, procuramos alguém que nos conheça completamente e permaneça. E é precisamente isso que encontramos em Deus.

Este tem sido, para mim, um dos mais belos descobrimentos da vida espiritual. Quando começo a acreditar verdadeiramente na Sua presença, não apenas com a inteligência, mas também com o coração, a vida muda de perspectiva.

Deus habita em nós

A Igreja nos ensina sobre a inabitação trinitária: Deus habita em nós. Durante muito tempo ouvi essa verdade, mas somente com o passar dos anos comecei a compreender o que ela significa para a vida concreta. O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são uma realidade distante. Habitam em meu interior. Acompanham-me na rotina, no cansaço, nas alegrias simples e nas noites mais escuras. 

As palavras de Santo Agostinho expressam bem essa experiência: 

«”Tu estavas dentro de mim, e eu fora.”» 

Quantas vezes buscamos fora aquilo que já nos foi dado pela graça. Quantas vezes tentamos preencher com seguranças humanas um espaço que somente Deus pode habitar plenamente. 

Quando tomo consciência dessa presença, a solidão perde força

Os problemas não desaparecem. As feridas continuam necessitando de cura. As dificuldades permanecem existindo. Mas já não ocupam todo o horizonte. Existe uma realidade maior: Deus está comigo e vive em mim. 

Por isso, a oração adquire um sentido novo. Já não se trata apenas de cumprir um momento de piedade, mas de entrar em diálogo com Alguém que verdadeiramente escuta. Mesmo quando me distraio, mesmo quando não percebo nada, Ele permanece. Mesmo quando me afasto, Ele não deixa de habitar em mim. 

Como ensinava Santa Teresa de Jesus: 

«”Orar é tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Aquele que sabemos que nos ama.”» 

Viver a partir dessa consciência transforma também a maneira de olhar para a própria história. Os dias difíceis já não têm a última palavra. A escuridão não define quem sou. Existe um amor maior que sustenta toda a minha existência.

Deus me ama pessoalmente

Não de forma genérica, mas concreta. Conhece meus limites, minhas contradições e meus desejos mais profundos. E esse mesmo amor que se dirige a mim alcança também cada pessoa de modo único e especial.

Nesse sentido, as palavras do Papa Francisco são um convite à confiança: 

«”Ninguém pode tirar de ti a dignidade que te concede este amor infinito e inabalável de Deus.”» 

Quanto mais consciente me torno dessa presença, mais desejo descobrir a Sua vontade. Não porque Deus queira impor-Se, mas porque a Sua vontade nasce sempre do amor e conduz à verdadeira liberdade. 

A grande razão da nossa vida encontra sua plenitude em Jesus Cristo

Nele compreendemos quem somos e para onde caminhamos. Embora continuemos experimentando a nossa fragilidade humana, trazemos dentro de nós uma presença que orienta o coração para o céu. 

Por isso, a vida se torna mais simples quando deixamos de procurar desesperadamente testemunhas para a nossa história e descobrimos que a Testemunha de que precisávamos sempre esteve ali. 

Jesus. 

E então compreendemos que ser cristão não consiste principalmente em cumprir normas ou defender ideias, mas em viver uma relação. Como escreveu Bento XVI no início da encíclica Deus Caritas Est: 

«“Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa.”» 

A grande descoberta da minha vida continua sendo a mesma: 

Jesus está aqui. 

Jesus habita em mim. 

E nunca deixou de me acompanhar.

Por Noor Gonzalez
Shalom, Comunidade vida – Missão Panamá


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