Formação

Como rezar em família?

A oração da família deve frutificar nas relações E no testemunho familiar.

comshalom

A vida espiritual em família é fundamental para a mesma e para a sociedade. O catecismo afirma que “a família cristã  é o primeiro lugar de oração. Fundada sobre o sacramento do matrimônio, ela é ‘a Igreja Doméstica’, onde os filhos de Deus aprendem a orar ‘como Igreja’ e a perseverar na oração.” (CIC 2685). Mas, afinal, como rezar em família?

É nesta Igreja Doméstica que os cristãos aprendem a amar e honrar a Deus, entram na escola de virtudes e de amor fraterno, características que definem o ser e o agir cristão no mundo desde os tempos antigos. A carta a Diogneto já apontava o agir familiar como algo que destacava o cristianismo:

“Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os recém-nascidos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne. Moram na terra e são regidos pelo céu”.

Ainda hoje, enquanto Igreja, somos convidados a, como família, embasados na vida de oração, encarnando-a, sermos testemunhas de pessoas regidas pelo céu, pela espiritualidade.

​Contudo, como rezar em família? É importante iniciarmos deixando claro que a oração é um trato de amizade, como nos ensina Santa Teresa d’Ávila, assim sendo, as práticas de oração devem favorecer essa amizade de todos os membros da família para com o nosso Deus. Além disso, assim como na caminhada espiritual individual não se tem o mesmo ritmo, intensidade e padrão ao longo do tempo, também na vida familiar a oração não será do mesmo jeito com o passar dos anos.

A dinamicidade da vida em família, em suas diferentes fases promove mudanças no formato da vivência oracional. Uma coisa é rezarmos enquanto casal sem filhos, outra é a oração com a chegada deles e a sua ampliação, outra ainda é a vida de oração da família com filhos amadurecendo ou amadurecidos e, por fim, com o “ninho vazio” após a saída deles para construírem seus lares. Cada fase traz as suas novidades e desafios, mas também deixam marcas na nossa alma.

Nossas primeiras lembranças de prática da virtude da religião remetem-nos aos lares de nossos pais, onde eram ensinadas as orações mais comuns da fé católica, o “Sinal da Cruz”, o “Santo Anjo”, “Ave Maria”, “Pai Nosso” entre outras, bem como os momentos em que a família se reunia para juntos rezar o Santo Terço ao menos uma vez por semana. Nisso vemos que, de fato, “para as crianças, particularmente, a oração familiar cotidiana é o primeiro testemunho da memória viva da Igreja reavivada pacientemente pelo Espírito Santo” (CIC 2685).

​O que não pode acontecer é que as famílias cristãs negligenciem sua missão e a grande graça que é a vida de oração. Sem a vida de oração, a família é lançada à mercê do mundo, fecha-se a experiência amorosa de cuidado, condução e misericórdia do Pai.

​A oração da família deve frutificar nas relações, no testemunho familiar. O Papa Francisco, na exortação apostólica Amoris Laetitia ,nos mostra que “os cuidados familiares não devem ser alheios ao seu estilo de vida espiritual” e nos convida à espiritualidade da comunhão a partir de gestos reais e concretos no ordinário da vida, mesmo diante dos problemas e sofrimentos, buscando nesses casos força e fé pascal a partir da oração familiar, no cuidado recíproco, no apoio e estímulo mútuo, na vivência do perdão e saída do núcleo familiar para a abertura aos outros, em especial, pela hospitalidade e cuidado com os pobres.

Em nossa experiência particular enquanto família, fomos e vamos vivendo mudanças de fase e formato da vida de oração. Iniciamos, quando recém-casados, a oração carismática conforme o Beraká orientado pela Comunidade Católica Shalom. Com a chegada dos filhos na 1ª infância, visando sua inserção na vida de oração, fomos continuando a vivenciar o momento do Beraká. Contudo, tivemos que nos adaptar a realidade das crianças e fomos buscando sabedoria para a reflexão sobre a Palavra de Deus de forma mais lúdica.

O próprio ritmo de oração se tornou mais fraterno, com momentos de louvor, arrependimento, preces e intercessão, culminando com atividades e partilhas sobre a oração e registro no caderno de oração da família e deles, além dos momentos marianos em que fomos cultivando o amor à N. Senhora através da recitação do terço, o qual neste tempo de pandemia se tornou umas das mais recorrentes vias de intercessão da nossa família pela humanidade que padece nesse período. Com a nossa filha primogênita adentrando a segunda infância, e os outros dois permanecendo na 1ª infância, estamos discernindo outras maneiras de rezarmos em família de modo a adequá-las a todos eles. Afinal, é missão nossa, enquanto pais, sermos mestres de oração para os nossos filhos, favorecendo a sua vivência.

​Deus em sua fidelidade, concede a todos os pais, pelo sacramento do matrimônio, todas as graças que necessitamos para exercer tão bela missão de sermos mestres de oração para nossos filhos. Ele envia sobre nós o seu Espírito e conduz-nos. Compreendemos que não existe um formato engessado de oração, pois o Espírito sopra onde quer. Ele traz as suas novidades e nos dá sabedoria, enquanto pais, para vivenciarmos a oração em família.

​A vida de oração em família é dom de Deus, e precisa ser cultivada desde o momento da sua geração, deve ser um lugar de mergulho na experiência do amor de Deus que transborda na vida de cada membro fortalecendo os laços, bem como gerando cada um para a comunhão e oferta de vida a começar dentro do próprio lar e transbordando para a humanidade.

Juan Carlo da Cruz Silva e Paula Lorena C. Albano da Cruz
 Casal da Comunidade de Aliança Shalom

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