No Tempo do Advento, a Missão do Rio de Janeiro viveu um momento de graça com a visita de Padre João Wilkes Chagas, que presidiu a Santa Missa no Shalom Catete, sede da missão, no Domingo da Alegria. A celebração foi marcada por uma profunda meditação sobre o sentido deste tempo litúrgico, vivido como espera confiante, cura interior e alegria verdadeira.
Por que nos alegramos?
Desde a antífona de entrada — “Alegrai-vos sempre no Senhor” — a assembleia foi conduzida ao coração do Advento. Inspirando-se em uma pergunta de Bento XVI, Padre João provocou: por que nos alegramos? A resposta atravessou toda a homilia: alegramo-nos porque o Senhor está perto. A alegria cristã não nasce da ausência de dificuldades, mas da certeza de uma presença: Deus que vem ao nosso encontro.
Citando Raniero Cantalamessa, o sacerdote recordou que “a vida é uma espera”. O Advento educa o coração nessa espera que salva: não uma espera vazia ou ansiosa, mas uma expectativa cheia de fé, capaz de abrir espaço para Deus agir. Por isso, mais do que perguntar o que esperamos, este tempo convida a discernir como esperamos.
Tempo de cura e do impossível de Deus
Padre João destacou que o Advento é um tempo de cura, no qual Deus deseja tocar feridas profundas e realizar mudanças que, humanamente, parecem impossíveis. É tempo de pedir milagres, pois o amor de Deus não se limita ao que é apenas possível. O amor exige o impossível, e essa espera purifica o coração para acolher o agir de Deus.
A alegria própria deste tempo brota da certeza de que Deus vem. Ele transforma desertos em jardim, devolve sentido e restaura a esperança. Recordando Santa Teresinha do Menino Jesus, Padre João apresentou sua confiança total na misericórdia divina como caminho seguro para viver o Advento com leveza. Citando São João da Cruz, afirmou que “a alma que vive em Deus permanece alegre”.
A homilia conduziu a assembleia à fonte mais profunda da alegria: a certeza de que somos desejados, acolhidos e amados por Deus. Como ensina Bento XVI, todo ser humano precisa ouvir, no mais íntimo do coração, que “é bom que você exista”. Dessa segurança nasce uma alegria que não depende das circunstâncias, mas da certeza de sermos acolhidos pelo Pai.
Por fim, viver o Advento é também esperar juntos, como Igreja e como família espiritual, deixando-se conduzir por uma alegria que nasce do encontro com Deus e prepara o coração para acolher Aquele que vem e permanece.
