As figuras do Advento
Antes de mergulharmos nesta reflexão sobre o Tempo do Advento e o Amor Esponsal, gostaria de lhes apresentar algumas figuras que a liturgia do Advento faz emergir, figuras bíblicas que dão um tom especial para este Tempo: Isaías, São João Batista, a Virgem Maria e São José. Eles nos acompanham em todo esse Tempo e nos preparam para vivermos as alegrias do Santo Natal.
Isaías
Uma antiga tradição já recomendava a leitura do livro deste profeta, pois nele há mais do que nos outros um eco de esperança, que foi conforto para o povo de Deus antes, durante e depois do exílio da Babilônia. O livro do profeta Isaías (com suas três partes) abre o coração do povo para esperar um futuro de liberdade, com os vários oráculos e promessas (Isaías caps. 1 ao 39), incluindo a do Emanuel (Is 7,1-9); anuncia a consolação vindoura (Dêutero-Isaías, caps. 40 ao 55); e as promessas de restauração (Trito-Isaías, caps. 56 ao 66). As páginas mais importantes de Isaías são proclamadas durante o Advento, tanto nas Liturgias das Missas como nas Liturgias das Horas, e constituem um anúncio de esperança perene para os homens de todos os tempos.
Confira a oração que você pode rezar durante o Advento

João Batista
João Batista é o último e maior dos profetas e resume em sua pessoa e em sua palavra toda a história. Ele revela o espírito do Advento. Ele é um sinal da intervenção de Deus para o seu povo. João Batista torna a mensagem de Isaías (cf. Mt 3,3a) ainda mais concreta: ele mesmo prepara o caminho do Senhor (cf. Mt 3,3bc), proclamando um “batismo de conversão” (Mt 3,11a), anunciando a presença de Um mais forte do que ele (cf. Mt 3,11b), que “batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3,11c). Com o anúncio missionário e a preparação do novo caminho do Senhor “no deserto” (Mt 3,1), o nosso horizonte espiritual muda inteiramente, dessa forma, os “novos céus e uma nova terra” (Ap 21,1) virão, mas realmente já começam.
A Virgem Maria
Toda a espera e preparação que o Tempo do Advento nos convida a viver, encontra seu sentido maior em Maria. “Do antigo adversário nos veio a ruína, mas do seio virginal da Filha de Sião germinou aquele que nos alimenta com o pão do céu, e brotaram para todo o gênero humano a salvação e a paz. Em Maria, é-nos dada de novo a graça que por Eva tínhamos perdido. Em Maria, mãe de todos os seres humanos, a maternidade, livre do pecado e da morte se abre para uma nova vida.”
Maria é o modelo da espera e ensina nos a viver este Tempo com confiança, abandono e ternura, como nos recordava o Papa Francisco: “Maria é Aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura”. Ela também nos ensina a transformar o nosso coração, ainda que cheio de impurezas, em uma manjedoura para Jesus.
A presença da Virgem Maria no Advento é ainda mais evidenciada pela Solenidade da Imaculada Conceição, celebrada no dia 08 de dezembro. “No caminho do Advento, brilha a estrela de Maria Imaculada, «sinal de esperança e consolo» (Concílio Vaticano II, constituição Lumen gentium, 68), para chegar a Jesus, luz verdadeira, sol que dissipou todas as trevas da história”. Ainda no Advento celebramos a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, e podemos experimentar o mesmo consolo que a Virgem santíssima deu a São Juan Diego: “Não estou eu aqui, que sou sua mãe?”
Viver o Advento com Maria, significa tornar-se peregrino com ela no caminho para Belém, mas junto com ela descer até a “Belém do nosso coração”, onde Jesus deve agora nascer. Estar ao seu lado neste Tempo é experimentar a suavidade do Espírito Santo que nos cobre com sua sombra e que revigora os pés cansados, as mãos desfalecidas e os joelhos vacilantes (cf. Is 35,3-4; Hb 12,12-13). Ela encoraja os seus filhos, ensina a viver a graça da renúncia, e, é ela que na disposição de anunciar o Evangelho, faz os seus filhos caminharem na procissão feliz, rumo à Casa do Pai. Quem vive o Advento com Maria, experimenta na Noite Santa, o toque delicado daquelas mãos pequeninas e o beijo da Divindade na alma do homem dizendo: “Eu te amo!”.

São José
No Advento natalino, emerge a imagem de São José, definido com as palavras “homem justo” (cf. Mt 1,19). Sendo fiel à Lei de Deus, José estava disponível para cumprir a Sua vontade e desta forma entra no mistério da Encarnação. “A designação de José como homem justo (zaddik) vai muito além da decisão tomada naquele momento: oferece um retrato completo de São José e, ao mesmo tempo, insere-o entre as grandes figuras da Antiga Aliança, a começar por Abraão, o justo. Pode-se dizer que a forma de religiosidade presente no Novo Testamento se resume na palavra “fiel”, enquanto, no Antigo Testamento, o conjunto de uma vida se sintetiza segundo a Escritura no termo “justo””
José foi um verdadeiro filho de Abraão (cf. Mt 1,1-2.16), que esperou contra toda esperança (cf. Rm 4,18) e entregou-se a Deus e à Sua providência. Assim como Abraão com coragem, José caminhou rumo a um futuro que aos olhos humanos era sombrio e incerto, mas aos olhos de sua fé expectante era um futuro que é uma meta, um verdadeiro Advento, em que Deus vem ao nosso encontro. Ele permaneceu firme mesmo nas dificuldades do caminho, quando precisou partir com sua esposa grávida, de Nazaré até Belém, quando faltou lugar na hospedagem e seu filho, o Salvador do mundo, nasceu num estábulo em Belém. José sempre permaneceu no “Advento”, na esperança pura e simples de quem sabe que para Deus nada é impossível (cf. Lc 1,37).
Advento, Tempo do Amor Esponsal
Tendo conhecido as figuras do Advento, gostaríamos de lhes propor uma pequena reflexão: O Advento é Tempo do Amor Esponsal. Ele nos prepara para a celebração definitiva das Bodas do Cordeiro. Esse Tempo Litúrgico nos recorda o que a Igreja é: A Esposa, que espera no meio da noite do mundo ouvir o grito que diz: “Aí vem o esposo! Ide ao seu encontro!” (Mt 25,6).
João Batista, que como vimos, é uma das figuras do Advento, é chamado de profeta do Amor Esponsal, pois o mistério revelado por ele é precisamente “o das Bodas do Cordeiro de Deus com a esposa amada e eleita, o povo da Aliança e todo aquele que o Senhor chamar.”
João é o Amigo do Noivo (cf. Jo 3,29), ele conduz a esposa no caminho reto até o Esposo, ele é essa voz que no meio do deserto anuncia que o noivo está chegando, isso enche a esposa de alegria. Ele aponta “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). Bento XVI recorda que “toda a vida cristã tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja. Já o Batismo, entrada no povo de Deus, é um mistério nupcial; é, por assim dizer, o banho de núpcias que precede o banquete das bodas, a Eucaristia (CIC 1618)”
A Coroa do Advento, revela sua forma, esse círculo sem começo e nem fim, o mistério desse amor entre Cristo e a Igreja, inclusive as velas que são acesas recordando a vigilância e a prontidão da esposa. O Escrito, Amor Esponsal da Comunidade Católica Shalom, diz que “Todos devem buscar ser as Virgens Prudentes que esperam o momento das Núpcias mantendo acesa a chama do amor em suas lâmpadas.” O Advento é um Tempo propício para renovar o estado de prontidão, pois não sabemos nem o dia e nem a hora em que entraremos para o Banquete das Bodas do Cordeiro.
Também quando falamos sobre o Advento natalino, podemos fazer uma relação com o Amor Esponsal. São João da Cruz fala da Encarnação como um noivado em que Deus se une à sua esposa, a alma do homem. Ao perpassar a história da salvação, o Santo interpreta o desejo de todo o povo da antiga Aliança, pela vinda do Messias, como um clamor esponsal da Noiva. Afligia a humanidade a longa espera pelo Messias e o crescente desejo de se alegrar com seu Esposo, “portanto, com orações, suspiros e agonia, lágrimas e gemidos, eles lhe suplicavam dia e noite que finalmente lhes concedesse Sua companhia. Alguns diziam: “Ah, se a alegria estivesse presente em meu tempo!” Outros: “Termina, Senhor; envia Aquele que deves enviar!” Outros: “Ah, se ao menos rasgasses os céus, e eu pudesse vos ver com os meus próprios olhos descendo dos céus.”
Santa Teresinha do Menino Jesus escrevendo uma de suas recreações piedosas, sobre o mistério do Natal convida a alma enamorada a arder de amor diante de Deus que que se fez mortal por cada um de nós.
“Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.” (Ap 19,7). Naquele grande e tremendo dia, se ouvirá a voz do Esposo respondendo ao clamor da sua esposa. Naquela Noite Santa, se ouvirá o choro do Verbo eterno feito criança, anjos darão “glória a Deus no mais alto dos céus” (Lc 2,14), e nós cantaremos louvores para festejar o desposório.
Vem Senhor Jesus,
Chama viva de Amor!
Há quanto tempo vigiamos,
há tanto tempo Te esperamos,
nesta noite escura e fria.
Nossas Lâmpadas estão acesas
elas iluminam esta noite da ausência
e esta espera destila o óleo do amor.
Rompe a tela que nos impede de Te ver
mostra-nos o Teu rosto,
sopra o Teu Espírito,
para que se escute a voz do Esposo e a da Esposa,
então entraremos contigo para as Bodas,
para todo o sempre! Aleluia!
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