Formação

Amor esponsal a Jesus Cristo

comshalom

05.11“O Espírito Santo começou a trabalhar em nossas almas e a levá-las ao cerne de nossa vocação: o amor esponsal a Nosso Senhor Jesus Cristo” (Regras da Comunidade Shalom).

O amor esponsal a Jesus Cristo é o centro, a mola mestra da vocação Shalom em todas as suas expressões. Este amor, característico das almas a quem Jesus desposa, vive em nós com todas as suas exigências. Este é, sem dúvida, um presente especialíssimo do Espírito para uma comunidade que abriga casais, celibatários e sacerdotes. É uma “novidade do Espírito” que constantemente renova a Igreja com o poder do seu Amor: “Todos são chamados a possuir o amor esponsal, todos são almas esposas de Jesus. Todos devem buscar ser as virgens prudentes que esperam o momento das núpcias mantendo acesa a chama do amor em suas lâmpadas” (Regras da Comunidade Shalom).

Ao dizermos “sim” à vocação Shalom, dizemos igualmente nosso “sim” ao amor incondicional a Jesus Cristo em sua paixão, morte e ressurreição e, como Ele e com Ele, nos dispomos a unir perfeitamente nossa vontade à vontade do Pai, seja como for, custe o que custar, pois “um coração inflamado por este amor tudo realiza, a tudo se dispõe” (Regras da Comunidade Shalom).

Estamos cientes de que tal amor é uma grande graça que caracteriza a graça maior do nosso chamado de pertencer fiel e sem medidas a Jesus Cristo para consumirmos nossa vida em total doação de amor a Ele e ao seu Reino, servindo aos nossos irmãos e à Igreja.

A graça deste amor de primazia a Jesus Cristo jorra, realiza-se e amadurece na vida de oração, onde a contemplação nos leva a uma união cada vez mais profunda com nosso Esposo e nos faz transbordar seu Amor em unidade, fraternidade e serviço, pelo poder do Espírito Santo que ama em nós.

Somente uma vida de profunda intimidade com Deus nos levará ao verdadeiro arrependimento e nos lançará aos pés de Jesus como a pecadora arrependida, reconhecidos e gratos por sua misericórdia e por sua eleição de nossas almas. É também esta vida de intimidade que nos leva a estar aos seus pés como Maria de Betânia, à escuta da voz do Amado para cumprir incondicionalmente a sua vontade.

Imersos no amor da Trindade, encontraremos a graça do desapego de tudo e de todos para que, livres de todo embaraço, possamos amar a todos e a cada um com a caridade de Cristo.

 

“Nosso lugar é aos pés de Jesus”

Estar aos pés do Senhor. Amá-lo, ouvi-lo, deixar que o Espírito nos conforme a Ele de tal modo que possamos reconhecer sua voz em meio às nossas muitas vozes interiores e aos inúmeros apelos do mundo é um dos fundamentos do nosso chamado: “A oração pessoal é a ocasião onde o Senhor vem edificar esta obra de amor em nós. A contemplação do Amado é o jardim que o Espírito Santo encontra para semear e colher estas rosas de amor”.

Santa Teresa de Jesus de Ávila, um dos baluartes de nossa vocação, é para nós inspiração quanto ao caminho de oração e de vida espiritual. Com ela procuramos vivenciar o “Só Deus basta” que norteou sua vida de desapego para ser inteiramente de Deus. Dela procuramos aprender a oração, que é fonte do Amor Esponsal. Nossa oração, assim, é pessoal, diária, contemplativa, parada com Deus, aos moldes de Santa Teresa de Ávila” (Regras da Comunidade Shalom).

Aos pés de Jesus, no reconhecimento diário de que Ele escolheu os menores, os mais fracos, arrependemo-nos diariamente dos nossos pecados e mergulhamos na misericórdia de Deus, dada generosamente aos pecadores arrependidos. Nossa oração, então, enche-se de louvor, gratidão e adoração pela escolha misteriosa e gratuita de Deus para sermos almas esposas do seu Filho. Maravilha-se o nosso coração, como o de Teresa, do fato de que um Deus de tão grande Majestade se digne a vir até nós e dialogar conosco em um colóquio de amor que nos ultrapassa e transforma.

Durante pelo menos duas horas por dia estamos, diariamente, aos pés de Jesus, a sós com Ele. Dia após dia, Ele aí nos molda pacientemente conforme a sua vontade, na contemplação e estudo orante da Palavra, sempre para a sua glória.
Nossa oração é também caracterizada pelo louvor e abertura aos carismas, marca preciosa de nossas raízes na Renovação Carismática Católica e da Tradição milenar da Igreja. São Francisco, com sua simplicidade e extasiamento diante das maravilhas de Deus e da pessoa do próprio Deus, é o outro baluarte de nossa vocação. Dele aprendemos o louvor e a minoridade que nos leva a exclamar: “Meu Deus, quem sou eu e quem sois vós!” e o amor apaixonado e pronto a tudo que o levou a chorar e gritar pelos campos de Assis: “O amor não é amado!”

Seu grito ecoa em nossos corações quando estamos na presença do Senhor Ressuscitado que passou pela cruz e ressoa em todo o nosso ser que, tomado pelo zelo do Espírito que o inflamava, acolhe a graça da parresia e transborda a oração em apostolado e serviço.

Nosso primeiro chamado, assim, é para ser. Como ensina Santa Teresa de Jesus, no poema “Busca-te em mim”, a alma encontra-se em Deus, que se encontra nela e transforma-se segundo a vontade de Deus e a ação poderosa do seu Espírito. O ser, provado pelas exigências fraternas da vida comunitária e na prática das virtudes, deve, entretanto, eclodir no fazer, no apostolado por amor a Jesus, na evangelização através de novos meios e novos métodos, com novo fervor e ardor, como nos pede a Igreja, na formação de autênticos filhos e filhas de Deus que sirvam à Igreja como adultos na fé, com a estatura de Jesus Cristo (cf. Ef 4,13).

Na oração, o Espírito molda o nosso ser e Jesus ressuscitado nos envia, soprando sobre nós o seu Espírito (cf. Jo 20,22) e levando-nos a acolher amorosamente seu maior desejo: “Ide! Pregai o Evangelho! Fazei discípulos” (cf. Mc 16,15).

 

Adoração

É do coração de Jesus ressuscitado que passou pela cruz que jorra a verdadeira Paz (cf. Jo 20,19-20). Somos chamados a adorar este coração que se nos dá na Eucaristia as vinte e quatro horas do dia. Assim, revezamo-nos dia e noite diante do coração aberto de Jesus em adoração, reparação e intercessão.

Aos pés de Jesus na Eucaristia nos enchemos do seu Espírito e dele aprendemos o que é a verdadeira Paz que, em seu Nome, somos chamados a viver e ministrar a cada dia.

Sabemos que “não poderá jamais existir a verdadeira Paz nas almas dos homens e no mundo se esta Paz não estiver embasada em um amor incondicional a Jesus Cristo, pois aí nasce o Shalom de Deus” (Regras da Comunidade Shalom). Adorando Jesus Eucarístico, unimos ao seu o nosso pobre coração e o amamos. Nossa adoração, assim, consiste muito mais nesta troca silenciosa e apaixonada de amor do que em palavras.

Na adoração, a presença de Jesus ressuscitado imprime no mais profundo do nosso ser seu imenso e incondicional amor por cada um de nós e por todos os homens. É o momento de compreendermos os mistérios do amor de Deus, que não se traduzem em palavras, mas que, silenciosamente, vão-nos marcando como ferro em brasa e cauterizando em nós o que se opõe à perfeita caridade para com Deus e para com os homens. É neste amor incondicional de Deus por nós, aprendido aos pés da Eucaristia, que aprendemos a verdadeira Paz e o amor incondicional à humanidade inteira e a cada homem por amor ao nosso Esposo e união ao Príncipe da Paz: “… não podemos dar o que não possuímos, e a única maneira de possuir esta paz é deixar-se possuir por Jesus Cristo, Senhor nosso” (Regras da Comunidade Shalom).

Ainda uma vez o Amor Esponsal nos une a Jesus e nos impulsiona à ousadia dos santos. Novamente este amor nos sustenta, mais uma vez nos ensina e conduz. Sem o Amor Esponsal não há como estar em adoração e troca de amor na Eucaristia. Sem ele, igualmente, não teríamos como beber da Paz e ministrá-la aos homens.

Mergulhados neste amor, porém, através da oração e da adoração, a tudo nos dispomos e nossa vida espelhará, inevitavelmente, a Vida daquele que nos possui e quem somos chamados a adorar na Eucaristia e em todos os momentos de nossas vidas.

 

Ministros e discípulos da paz

“Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: “Paz a vós! Shalom!” Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado” (Jo 20,20-21). Esta é a passagem da Bíblia que fundamenta a nossa vocação. Aos poucos, percebemos que o Senhor tinha para nós um desígnio muito mais profundo e abrangente do que imaginávamos no início, quando colocamos o nome “Shalom” na Obra e vocação nascentes. Este desígnio está expresso na palavra “Shalom”, dita por Jesus ressuscitado aos discípulos reunidos.

Em hebraico, a palavra “Shalom” é mais do que uma saudação, é um desejo autêntico de que se realize no outro toda sorte de bens espirituais e físicos. Mais que isso: “Para o povo de Deus, que esperava ansiosamente a manifestação do Messias, a saudação “Shalom” era já como um anúncio da salvação (…) a felicidade perfeita, a salvação que o Messias viria dar, a plenitude da PAZ. A verdadeira paz não vem dos homens, mas de Deus.” (Regras da Comunidade Shalom).

Mais que uma palavra que se diz, a expressão “Shalom” é uma bênção (boa palavra) que se ministra a alguém. Aprender esta Paz na oração, na adoração e na Palavra e ministrá-la ao mundo, eis o nosso chamado.

Ao pronunciar a palavra “Shalom”, Jesus ressuscitado expressa, espelha e ministra a verdadeira paz: a salvação que sua ressurreição testifica. Expressa-a não mais como um judeu comum, mas como o Salvador, como aquele que venceu a morte, de quem o Pai dá testemunho através da ressurreição. É a primeira e única saudação de Paz do Ressuscitado registrada na Bíblia e Ele a expressa não somente com sua boca, mas com todo o seu ser ressuscitado que conserva as marcas da cruz. Sua pessoa é a própria Paz que o Pai enviou para a salvação de cada homem.

Em todo o sue ser Jesus espelha a verdadeira Paz. Aquela que não está isenta de sofrimentos, de renúncias, de mortificações, mas que encontra aí, nestas pequenas mortes por amor a Deus, o poder, a felicidade e a liberdade interior e definitiva da ressurreição.

Jesus ressuscitado, assim, expressa, espelha e também ministra a verdadeira Paz. Fá-lo, em primeiro lugar, com sua morte e ressurreição e fá-lo ao mostrar aos discípulos, enquanto fala, suas chagas gloriosas. Os discípulos, nesse momento, aprendem de Jesus a Paz que se esconde na cruz e na vitória sobre a morte. Aprendem que Jesus é a Paz, que somente Ele é o Shalom do Pai, a Paz definitiva pela qual os homens anseiam. Eis por que, após ministrar a paz aos discípulos, ensinando-a através de si mesmo e de sua Palavra, Jesus os envia a ministrá-la, insistindo, ainda uma vez, na saudação “Shalom!”: “Disse-lhes outra vez: ‘Paz a vós! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós’. Depois destas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo’.” (Jo 20,19-22) e concedeu-lhes o poder divino de reconciliar os homens com Deus, que é, afinal, a expressão última de sua missão salvífica, pois a salvação é a reconciliação eterna entre Deus e os homens. Aqueles que se trancavam por medo dos judeus tornaram-se, assim, discípulos e ministros da Paz.

 

A nossa missão

Esta é, também, a missão de cada um de nós na vocação: ser discípulos e ministros da Paz. Aos pés de Jesus aprendemos que Ele é a Paz que devemos não somente desejar, mas ensinar aos homens, levando-os a uma experiência pessoal com Jesus Vivo, pelo poder do Espírito Santo. Assim como Jesus ensinou aos seus discípulos a Paz através da experiência de sua ressurreição que não escondia as marcas gloriosas da Paixão, assim também aprendemos dele a Paz pela experiência de sua pessoa viva que age em nós. Assim como Jesus enviou os discípulos a ministrarem a reconciliação do mundo com Deus, também nos envia como arautos e ministros da Paz, da experiência com Jesus Ressuscitado, único capaz de realizar esta reconciliação e conduzir cada homem e todos os homens à verdadeira Paz: “A conversão é o caminho que conduz à paz; o mundo não encontrará a paz se não se voltar para Deus.” (Regras da Comunidade Shalom, citando palavras de Nossa Senhora em Medjugorje).

“O Senhor nos chama a sermos anunciadores da sua paz (Is 52), a vivermos e proclamarmos a sua Paz. A levarmos com a nossa vida, com a nossa palavra e com o nosso testemunho, o Shalom de Deus aos corações; a sermos instrumentos de reconciliação do mundo com Deus; a anunciarmos com todo o nosso coração, com todas as nossas forças a salvação de Jesus Cristo e o seu Evangelho (…). O mundo só encontrará a Paz se encontrar Jesus, e é este Jesus que nós devemos proclamar em todo o tempo e lugar. Para instaurar a paz nos corações e no mundo, o Senhor nos chama a anunciar Jesus Cristo e a formar autênticos filhos de Deus. Devemos levar a todos aqueles a quem o Senhor nos enviar o que Ele ordenou quando enviou os seus discípulos: “Paz a esta casa”, e ali, pelo poder de Jesus, estabelecer a paz, anunciando o Evangelho, o Reino de Deus que está próximo, curando os enfermos, derramando o Espírito Santo (cf. Lc 10,1-12), estabelecendo assim o Shalom de Deus. Devemos ser a voz do Cristo ressuscitado que faz da sua primeira palavra aos apóstolos um anúncio de paz (cf. Jo 20,19-21), pois, Vitorioso, Ressuscitado, cheio de autoridade e poder, Ele é a única paz para o coração do homem: “Cristo é a nossa paz (cf. Ef 2,14).” (Regras da Comunidade Shalom).

Assessoria Vocacional da Comunidade Shalom

Formação: Outubro/2004

05.11Amor Esponsal: chama viva que inflama e purifica o coração capacitando-o a aderir incondicionalmente e com vigor a bem-aventurada vontade do Pai. Finalmente, foi escrito este que é um estudo sobre o Escrito Amor Esponsal, cerne da Vocação Shalom. Faz parte de uma série de estudos sobre os Escritos da Vocação.

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