Mundo

As cores do Paquistão projetadas na Torre Eiffel?

7279746-3x2-940x627
Parentes de vítima do atentado terrorista no Paquistão choram no funeral

Era um domingo de primavera, quando a minoria cristã comemorava a Páscoa em um parque popular lotado de famílias, na cidade de Lahore, no Paquistão, uma região tradicionalmente mais pacífica. Não sabiam, mas estavam na mira de um ataque suicida liderado pelo grupo Jamaat ul Ahrar, que assumiu a autoria do atentado. O grupo enviou um homem bomba que tinha estudado um ano em uma escola religiosa islâmica.

“O domingo de Páscoa foi ensanguentado por um ataque abominável, que massacrou tantos inocentes, em sua maioria integrantes da minoria cristã, especialmente mulheres e crianças, reunidos no parque para passar com alegria o feriado de Páscoa”, disse o Papa Francisco, que considerou o ato “vil e abominável”.

Por outro lado, o porta-voz do grupo islamita Ehansullah Ehsan disse ao jornal paquistanês “The Express Tribune” que reivindicavam “a responsabilidade pelo ataque contra os cristãos que celebravam a Páscoa”. O certo é que o ataque resultou até hoje em quase 400 feridos e 72 mortos. 22 pessoas estão em situação crítica no hospital da cidade.

Dias antes, na Bélgica, aconteceram dois atentados simultâneos, um no aeroporto e outro no metrô da cidade de Bruxelas, deixando 31 mortos e centenas de feridos. A barbárie terrorista aconteceu a menos de uma semana depois dos belgas prenderem na mesma cidade o líder dos ataques de novembro a Paris.

Qual das duas matérias publicadas em jornais, rádio, TV, mídias sociais e impressos, teve maior repercussão? Qual dos dois acontecimentos é mais importante e qual o grau de relevância, não só para os meios de comunicação, mas para a humanidade, que testemunha tantos conflitos de valores, religião e opiniões? As numerosas vítimas ceifadas na barbárie do Paquistão valem menos que as que morreram na Bélgica? Quanto vale uma vida, para que nos importemos?

Os interesses políticos e econômicos parecem controlar a nossa indiferença, regulando através de suas lentes os graus de nossa sensibilidade, nos destaques das notícias, nos minutos e linhas a mais ou a menos, nos detalhes sobre cada vítima. Nos inúmeros posts que viralizaram nas mídias sociais e nas cores da bandeira Belga projetadas em vários monumentos da Europa, que clamavam pela paz.

É urgente despertar uma sincera solidariedade na sociedade, sem esperar que as interesses políticos e econômicos de terceiros nos digam o que é importante. O cristão tem papel fundamental nesta transformação. Como diz um autor do segundo século, “os cristãos são a alma do mundo” (Carta a Diogneto).Sua vida e sua morte são um sinal eloquente de paz. O mundo espera isso dos cristãos. Na verdade, “a criação inteira espera ansiosa a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8,19).

 

Angela Barroso


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *